Embora eu já tivesse assumido o controle real do Grupo Montenegro,
meu pai havia administrado aquilo por muitos anos.
Ainda restavam vários leais dentro da empresa.
Eu estava justamente procurando uma justificativa para eliminá-los.
E então,
a oportunidade apareceu sozinha.
O vice-presidente Carvalho organizou um jantar,
sob o pretexto de “celebrar a nova presidente”.
Tudo o que eu precisava fazer
era provar que eles haviam adulterado a bebida,
tentando assassinar a presidente—
e então poderia eliminar todos de uma vez.
O mordomo preparou um composto especial.
Incolor.
Inodoro.
Capaz de simular perfeitamente sintomas de envenenamento.
Meu plano era simples:
entrar no jogo,
provar um pouco,
e parar ali.
Mas algo deu errado.
Entre as taças trazidas pelos garçons,
não estava a que havia sido preparada.
No lugar,
havia duas “bebidas especiais”.
O sorriso no rosto de Carvalho era cheio de confiança.
— Essas são para comemorar.
Mantive a expressão neutra.
E apontei para o copo que estava na mão dele.
Ele riu, junto com os outros ao redor.
— Então a senhorita ainda não confia na gente, hein?
E, sem hesitar,
bebeu o conteúdo de uma só vez.
Depois me encarou fixamente.
— A senhorita não vai nos desrespeitar, vai?
Peguei a outra taça.
Sorri levemente.
— Claro que não.
Meu pai era ainda mais tolo do que eu imaginava.
Quem diria que um dia ele recorreria a um truque tão baixo.
Dante estava atrás de mim.
Os lábios apertados.
O olhar fixo no copo em minha mão.
Além do aroma suave da bebida,
havia um cheiro sutil—
estranho.
Quando o mordomo percebeu o erro no plano,
foi investigar imediatamente.
No instante antes de eu levar o copo aos lábios,
a voz dele chegou pelo comunicador—
as duas bebidas estavam adulteradas.
Com afrodisíaco.
Eles queriam me fazer perder o controle em público.
Talvez até gravar algo comprometedor.
E então me forçar a renunciar.
Ridículo.
Eles realmente achavam
que todo aquele salão estava sob controle deles?
Sorri.
Levei o copo até os lábios.
Todos os olhares se voltaram para mim.
E então—
Dante deu um passo à frente.
Com o dorso da mão,
afastou suavemente a taça.
E, diante de todos,
a tomou de mim.
— A senhorita não bebe bem. Eu faço isso por ela.
Ele olhou diretamente para Carvalho.
Sem hesitar,
virou o copo inteiro de uma vez.
O corpo de um metamorfo reage mais intensamente aos efeitos.
Trinta segundos depois—
um rubor anormal surgiu no rosto dele.
Eu segui o plano.
Simulei preocupação.
O mordomo se aproximou, examinou rapidamente—
e então anunciou em voz alta:
— Há algo errado com a bebida! Alguém tentou envenenar a presidente!
O salão inteiro entrou em alvoroço.