localização atual: Novela Mágica Fantasia O Favo​ & O Cão de Guarda​ Capítulo 8

《O Favo​ & O Cão de Guarda​》Capítulo 8

O feromônio de um filhote de lobo não era tão denso quanto o de um adulto.

Era mais parecido com o cheiro de uma floresta depois da chuva, como agulhas de pinheiro recém-quebradas, com um leve amargor fresco.

Ele era obediente demais.

E sensível demais.

Os cílios tremiam levemente.

Os olhos úmidos me encaravam sem piscar.

Mesmo o menor dos movimentos arrancava dele um suspiro baixo, atrás de outro.

Na segunda metade da noite, a tempestade começou a cessar.

A silhueta da lua cheia surgiu lentamente no céu.

A luz atravessava a cortina, espalhando-se como ondas pelo quarto.

A maré de emoções finalmente começou a baixar.

Ele permanecia apoiado entre minhas pernas, o corpo inteiro coberto de suor.

Meus dedos ainda estavam sobre a glândula na nuca dele.

Meu olhar caiu nas marcas em suas costas.

Feridas deixadas pelo treino.

Ainda não tratadas.

A luz da lua tocava a borda dos cortes.

Toquei de leve.

— Quando dói… você já pensou em ir embora daqui?

O corpo dele tremeu.

A mente ainda turva, mas o instinto respondeu antes de qualquer pensamento:

— Não.

No silêncio absoluto da madrugada, ele reuniu forças e ergueu o corpo exausto.

Nossos olhares se encontraram.

Nos olhos claros e úmidos, refletiam a lua… e eu.

Ele disse:

— Dante… sempre será leal à senhorita.

Meu coração por um instante tremulou de leve.

Meus dedos se contraíram, sem perceber.

Mas… não existe lealdade eterna.

Só existem pessoas que ainda não encontraram algo capaz de fazê-las vacilar.

Assim como aquele metamorfo que eu criei por dez anos.

Instinto de sobrevivência.

Escolher sempre o melhor caminho.

Isso está gravado no sangue deles.

Anos de experiência me tornaram racional.

A lua cheia faz o instinto superar a razão.

Já ouvi promessas demais vindas de criaturas ajoelhadas aos meus pés.

Naquele momento, não levei aquelas palavras a sério.

Só muitos anos depois, quando eu estava sozinha, olhando para a mesma lua cheia no céu, foi que finalmente percebi— aquele pequeno lobo já havia decidido, desde o começo, entregar a vida inteira a mim.

O período de cio dos lobos geralmente dura uma semana.

Dante era alérgico aos inibidores.

Então precisava ser acalmado o tempo todo.

Cancelei vários compromissos e pedi ao mordomo que transferisse meu trabalho para casa.

No escritório, eu folheava pela enésima vez o dossiê sobre Sofia Almeida.

A data de nascimento dela coincidia exatamente com o ano anterior à loucura da minha mãe.

Aquele homem… que prometeu amá-la para sempre, cuidar dela para sempre— já a tinha traído há muito tempo.

Massageei as têmporas.

Fechei os olhos.

E, mais uma vez, aquela imagem surgiu diante de mim— olhos suaves, frágeis, sempre cheios de lágrimas.

Esse também era o motivo pelo qual eu não gostava de Sofia.

Não apenas por ser uma filha ilegítima.

Mas porque… ela era igual demais à minha mãe.

Acreditava que sua fragilidade despertaria proteção nos homens.

Que sua compreensão e submissão trariam carinho e elogios.

Que o amor era absoluto.

Que promessas eram eternas.

E foi exatamente por isso que, quando tudo desmoronou, ela não conseguiu aceitar.

Meu pai sempre foi um homem “respeitável”.

Mesmo depois de levar minha mãe à loucura, aos olhos do mundo, ele ainda era o marido exemplar.

O pai dedicado.

Até ganhou fama de alguém que “nunca abandonou a família”.

Sem que ninguém soubesse— havia vários filhos ilegítimos escondidos nas sombras.

E, entre todos eles, Sofia Almeida era a mais fácil de controlar.

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