Demorei um pouco para voltar do salão do banquete.
Sem me preocupar com as roupas encharcadas, ouvi rapidamente o médico e subi direto para o segundo andar.
Antes mesmo de abrir a porta, já era possível sentir o cheiro forte de sangue se espalhando pelo ar.
Franzi a testa.
Empurrei a porta.
O jovem metamorfo já não conseguia mais se controlar.
As orelhas e a cauda de lobo tinham surgido.
Ele estava encolhido, tremendo, enrolado no cobertor, soltando gemidos baixos, difíceis de conter.
A audição dos lobos sempre foi sensível.
As orelhas dele tremiam cada vez mais conforme eu me aproximava.
Os dedos apertavam o cobertor com tanta força que as articulações ficaram brancas.
Tentei puxar o cobertor.
Não consegui.
— Dante Montenegro, sai daí.
O corpo inteiro dele tremia.
O suor encharcava a base do pescoço, onde ficava a glândula.
— Não… não chega perto…
O calor no ar parecia ferver.
O instinto já estava prestes a sair do controle.
— Dante Montenegro, quer morrer?
Perdi a paciência e esfreguei com força a cabeça dele.
Meus dedos deslizaram, tocando através do tecido aquela região quente e úmida na nuca.
Ele tremeu violentamente.
O corpo inteiro se enrijeceu.
Lá fora, a tempestade rugia.
Relâmpagos cortavam o céu.
Trovões ecoavam.
Dentro do quarto escuro, ele perdeu o controle— e me pressionou contra a parede.
Os olhos desfocados refletiam minha imagem.
As bordas avermelhadas tremiam levemente.
Ele sabia que não devia.
Mas não conseguia resistir ao instinto mais primitivo de um lobo— buscar conforto na pessoa mais próxima.
A ponta da cauda tremia, escapando involuntariamente contra minha perna.
O cheiro intenso e quente do corpo dele, misturado ao sangue ainda fresco das feridas, me envolvia sem dar espaço para recusa.
Ele se controlava ao máximo.
Não ousava avançar mais.
Apenas encostava a cabeça no meu pescoço.
As orelhas prateadas tremiam de desconforto.
Aquela parte sensível na nuca estava completamente exposta diante de mim.
Quando meus dedos tocaram ali— ele reagiu como se tivesse levado um choque.
Da garganta escapou um som baixo, contido, ambíguo entre dor e alívio.
— Relaxa.
Passei a mão suavemente pela nuca dele.
Ele esfregou os lábios contra meu pescoço, aproximando-se mais.
Eu mantive o toque naquela pele quente.
— Assim… melhora?
Fora dos momentos de treino, quando eu corrigia sua postura, ele nunca havia ficado tão perto de mim.
Quanto mais próximo aquele calor familiar ficava, mais forte crescia dentro dele o desejo de se aproximar ainda mais.
…Não.
Não estava melhor.
Cada movimento da minha mão intensificava o calor dentro do corpo dele.
Ele queria se aproximar mais.
Queria se prender com mais força.
Queria… algo além.
— Tá… difícil…
A voz saiu baixa, rouca.
Os olhos vermelhos, contidos ao limite.
Mesmo assim, ele só ousava encostar levemente a orelha contra meu pescoço.
— Eu quero…
— Quer o quê?
Perguntei.
Ele não respondeu.
A respiração instável, quente, quase queimava a pele.
Movimentos pequenos, repetidos.
Como se estivesse testando.
Ou implorando.
Até que— uma mão quente segurou a minha.
Olhei para ele.
E perguntei, com calma:
— Assim?