No caminho de volta, Leonardo fez um desvio.
Queria passar no túmulo da irmã… e apresentar Camila a ela.
Nos momentos mais difíceis de sua vida—
além de Isabella—só havia uma pessoa que ele considerava família.
Sua irmã adotiva, Sofia.
Quando ele partiu, ela tinha apenas três anos.
Agarrou-se a ele, chorando, perguntando se ele a estava abandonando.
Até hoje, Leonardo lembrava de sua promessa:
— O irmão nunca vai te deixar.
— Espera por mim… eu vou voltar para te buscar.
Mas, no fim…ele quebrou a promessa.
Ele nunca imaginou—que deixá-la aos cuidados de Isabella seria o mesmo que empurrá-la para o inferno.
Camila percebeu a tensão nele.
Segurou sua mão com mais força.
Leonardo se ajoelhou diante do túmulo.
Colocou as flores com cuidado.
E limpou a lápide.
Na foto, o sorriso inocente da criança permanecia congelado no tempo.
Camila colocou alguns doces que ela gostava.
Falou com suavidade:
— Sofia… pode ficar tranquila.
— Seu irmão está bem agora, saudável e seguro.
— Eu vou cuidar dele.
— Nós vamos voltar sempre para te ver.
O corpo de Leonardo enrijeceu levemente.
Ele engoliu a dor que subia à garganta.
Ao descerem—uma chuva fina começou a cair.
E, então—encontraram alguém no caminho.
Era Isabella.
Leonardo não disse nada.
Segurou a mão de Camila e seguiu em frente.
Mas Isabella os bloqueou.
Seus olhos estavam inchados de tanto chorar.
Ao ver as mãos entrelaçadas—ela perdeu o controle.
— Leo!
— Como você pode estar com outra mulher?
— Você esqueceu tudo o que prometeu pra mim?
— Tudo aquilo era mentira?
Leonardo parou.
Sua voz saiu fria.
— Isabella… você ainda tem coragem de falar em promessas?
O olhar dele fez o coração dela gelar.
— Você se importou alguma vez com o que eu passei nesses três anos?
— Quando eu corria em corridas ilegais e quase fiquei paralítico…
— você estava com o Daniel.
— Quando eu era perseguido no mercado negro…
— você estava ao lado dele fazendo experimentos.
— Quando eu me machucava trabalhando para seu pai…
— você pensava em como se livrar de mim.
Ele riu.
Um riso vazio.
— Eu estava disposto a me destruir por você.
— E você me tratava como um obstáculo.
— Eu era alguém que te envergonhava.
— Agora que foi expulsa… lembra de mim?
Ele deu um passo à frente.
— Você acha que eu ainda sou aquele idiota…
— que faria qualquer coisa só porque você chorou?
Isabella começou a chorar desesperadamente.
— Não é isso!
— Leo… eu nunca achei que você não fosse suficiente!
— Eu te amo… eu te amei por oito anos!
— Eu só… me perdi naquele mundo…
— Eu também fui enganada pelo Daniel…
Ela deu um passo em direção a ele.
— Leo… vamos voltar ao que éramos, por favor.
— Eu não quero mais nada… só você…
Leonardo riu.
Como se tivesse ouvido uma piada absurda.
— Você acha que eu ainda acreditaria nisso?
— Você só quer me usar…
— para voltar a ser quem você era.
Isabella tremia.
Os lábios roxos.
Negava repetidamente.
— Não… eu só quero recomeçar com você…
— Isabella…
A voz dele foi definitiva.
— Você já não me ama há muito tempo.
— O que você ama é dinheiro, poder, status.
— E quando conseguiu tudo isso…
— eu deixei de ser útil.
— Você sempre amou apenas a si mesma.
Ela desabou.
Chorando de forma descontrolada.
Ainda esperando—que ele cedesse.
Mas Leonardo apenas envolveu Camila em seus braços.
E foi embora.
Sob a chuva cinzenta—ele seguiu em frente.
Sem parar.
Sem olhar para trás.
Sem se deixar afetar—
pelo choro desesperado que ficava para trás.