O olhar de Leonardo se tornou afiado.
Ele desligou o telefone e imediatamente rastreou a localização de Camila.
Da última vez que se encontraram, temendo que ela fugisse de novo e se colocasse em perigo, ele havia instalado discretamente um sistema de localização no celular dela.
O ponto apareceu instantaneamente na tela.
Sem dar explicações, Leonardo saiu apressado sob os olhares surpresos das pessoas ao redor.
No andar mais alto, na área VIP—
seguranças de preto guardavam a entrada desde o elevador.
Assim que Leonardo saiu, foi barrado.
— Este andar foi reservado por um convidado especial hoje. Por favor, se retire.
Leonardo lançou um olhar frio.
E avançou.
Um soco.
Outro.
Em poucos segundos, derrubou todos.
Ele caminhou direto até a última sala.
Antes mesmo de chegar, ouviu o choro desesperado de Camila.
— Me solta! Eu não vou me casar com você! Mesmo que eu morra, nunca vou gostar de você!
— Se você encostar em mim, meu pai não vai te perdoar! Você só vai casar com um cadáver!
O coração de Leonardo se rasgou.
Ele arrombou a porta com um chute.
O vento frio invadiu o ambiente.
Camila estava perto da janela, com as roupas desordenadas, o rosto molhado de lágrimas, tentando afastar o homem que avançava sobre ela.
A mente de Leonardo ficou em branco.
Toda sua razão… desmoronou naquele instante.
— Leonardo!
O grito dela saiu quebrado.
O homem olhou Leonardo de cima a baixo, com desprezo.
— Então é você? Quer atrapalhar?
— Eu sou o noivo dela. Tenho todo o direito de estar com ela.
— Melhor não se meter…
Antes que terminasse—
o punho de Leonardo já havia atingido seu rosto.
Ele pegou um abajur e o quebrou contra a cabeça do homem.
Com um chute, esmagou suas costelas.
— Aaaah!
O grito foi agonizante.
Diante de Leonardo, ele não teve chance de reagir.
Leonardo se virou.
Tirou o próprio casaco e envolveu Camila.
O corpo dela tremia.
Ela se lançou nos braços dele, chorando sem controle.
Leonardo a abraçou com firmeza.
Sua voz, pela primeira vez em muito tempo, era suave.
— Calma… estou aqui.
— Ninguém vai te machucar.
Ele a levou para fora.
No carro, quando chegaram à casa da família Duarte, Camila agarrou seu braço com força, recusando-se a descer.
Leonardo abaixou o olhar.
Viu seus cílios tremendo, a mão ainda fria.
Sem dizer nada, pediu ao motorista que desse meia-volta.
Eles voltaram para a casa da família Rocha.
Camila parecia uma criança assustada.
Não se afastava dele nem por um instante.
Leonardo passou os dedos ásperos pelo canto dos olhos dela, enxugando as lágrimas.
— Dorme.
— Eu fico aqui. Não vou a lugar nenhum.
Os olhos dela estavam úmidos.
Sem segurança, segurou a mão dele com força.
Aos poucos, sob sua presença, adormeceu.
Na manhã seguinte—
Camila acordou em um quarto desconhecido.
Ficou atônita por um momento.
Então, lembrou-se de tudo o que havia acontecido.
Seu coração afundou.
Quase queria desaparecer de vergonha.
Ela… tinha se agarrado a Leonardo e se recusado a ir embora.
O que ele pensaria dela?
Será que acharia que foi de propósito?
Depois de hesitar por muito tempo, ela finalmente desceu.
Leonardo acabava de sair do escritório.
Os olhares se encontraram.
O rosto dela ficou vermelho imediatamente.
— Sobre ontem… obrigada por me salvar.
— E por me deixar ficar.
Sua voz era baixa.
Ela nem ousava encará-lo.
Leonardo levantou a mão e bagunçou levemente o cabelo dela.
— Tenho uma coletiva agora.
— Depois eu te levo para casa, tudo bem?
Camila assentiu apressadamente.
— Então fica no carro e me espera.
— Não sai de lá.
O carro parou em frente ao local do evento.
Antes de sair, Leonardo deu algumas instruções ao motorista.
Talvez percebendo a insegurança dela—
ele tocou de leve a cabeça dela.
Como uma promessa.
— Já volto.
— Me espera.