Isabella voltou para a mansão em estado de torpor.
A cena caótica diante dela era chocante.
Seu olhar parou em um canto, onde um simples anel estava jogado.
De repente, uma lembrança veio à tona.
Em um aniversário passado, Leonardo havia tirado aquele anel com nervosismo, dizendo com cuidado:
— Isa… esse é o presente deste ano. Quando eu tiver dinheiro, compro um anel de diamante pra você.
Ela lembrava.
Leonardo também tinha um.
Eram um par.
Mas desde que ele voltou… ela nunca mais o viu usando.
E o dela…
ela achava que havia perdido.
Mas hoje… reapareceu.
Isabella pegou o celular.
Ligou para Leonardo uma e outra vez.
Sem resposta.
Ela abriu a conversa entre os dois.
Nos últimos três anos, Leonardo nunca falhou em avisar onde estava, o que fazia.
E, naquela época…
ela achava aquilo irritante.
Seus dedos tremiam enquanto digitava.
“Leo… onde você está? Eu sinto sua falta. Podemos conversar?”
“Eu estava errada sobre tudo… foi culpa minha. Me dá uma chance de compensar você?”
“Leo… você lembra que disse que me perdoaria, não importa o que eu fizesse…”
As mensagens foram enviadas.
E desapareceram no vazio.
O Leonardo que sempre respondia imediatamente…
parecia ter sumido da noite para o dia.
Isabella ficou sentada no chão frio a noite inteira.
Até que, no dia seguinte, o toque do telefone quebrou o silêncio mortal.
Ela atendeu rapidamente.
Mas, no instante em que ouviu a voz do pai…
uma decepção profunda a engoliu.
Ela pensou que fosse Leonardo.
— Venha até a casa da família. O Daniel está comigo.
No jardim dos fundos da mansão Costa—
Daniel estava amarrado.
Seu corpo coberto de ferimentos.
Mal parecia humano.
Correntes grossas prendiam seus membros.
Ele estava jogado no chão como um animal morto.
Ao ver Isabella, seus olhos secos se abriram de repente.
Ele se arrastou em direção a ela.
— Isa… me salva… eu não quero morrer…
Isabella o observou sem expressão.
Aquele rosto que antes era cheio de vida…agora parecia pertencer a um passado distante.
Ela conhecia bem os métodos do pai.
Quem caía em suas mãos…não saía vivo.
— Isa… foi culpa minha… eu não devia ter mentido pra você… eu te amo… me dá outra chance…
Antes que pudesse terminar, ele começou a tossir violentamente, cuspindo sangue.
O cheiro de sangue se espalhou pelo ar.
Pouco depois, Roberto apareceu atrás dela.
— Em duas horas, será divulgado o comunicado rompendo nossa relação de pai e filha.
— A partir de hoje, você não tem mais nada a ver com a família Costa.
— Não me culpe. É para salvar a empresa.
— Você e o Daniel… nenhum dos dois pode ficar.
— Mas, afinal, você ainda é minha filha. Vou poupar sua vida.
— Quanto a ele… não sobreviverá.
— Será registrado como suicídio por culpa.
— Enquanto a empresa se desvincular de vocês, ainda há uma chance de recuperação.
Isabella riu.
Era exatamente o estilo do pai.
— Se não fosse pelo valor que o Leonardo tinha para você… você nunca teria me reconhecido, não é?
Os olhos turvos de Roberto não demonstraram emoção alguma.
— Isabella, na família Costa, só existe interesse. Não existe afeto.
Ela já sabia disso.
Não ficou surpresa.
Mas lembrou-se de uma frase que Leonardo dizia:
— Isa, não tenha medo. Onde quer que eu esteja, vou dar um jeito de te proteger.
E agora?
Leonardo…onde você está?
Você ainda… vai voltar?
— Assine.
O documento de ruptura estava diante dela.
Isabella não hesitou.
Depois de assinar, seu coração vazio sentiu apenas… alívio.
Tudo o que ela construiu…desmoronou no instante em que Leonardo a abandonou.
Ela achava que poderia sustentar tudo sozinha.
Mas a realidade a esmagou.
Uma mão ensanguentada agarrou sua perna.
— Isa… você não pode fazer isso comigo…
Isabella permaneceu em silêncio.
Ela já podia prever.
Quando Daniel morresse, o escândalo dos testes humanos seria enterrado.
Toda a culpa cairia sobre ele.
Porque…mortos não falam.
“Suicídio por culpa.”
Uma justificativa perfeita.
Quanto a ela…expulsa da família, sem poder, sem apoio…não teria como se recuperar.
— Aaaaah—
O grito de Daniel ecoou.
Ele foi arrastado como lixo.
E desapareceu de sua vista.
O vento frio soprou.
Isabella nunca sentiu a primavera tão gelada.
Olhando para o sangue espalhado no chão…ela começou a rir.
E então, a chorar.
Se Leonardo ainda estivesse aqui…
Ele nunca deixaria que ela fosse tratada assim.
Mas o homem que mais a amou…foi justamente aquele que ela perdeu com as próprias mãos.