Ao ouvir a voz de Isabella, Daniel estremeceu violentamente.
Seu rosto ficou pálido.
Mesmo assim, forçou um sorriso:
— Isa… você voltou mais cedo? Eu… eu estava arrumando as coisas. Vamos sair daqui juntos. A situação está ficando complicada. Se não formos agora, talvez não consigamos mais sair.
Isabella não respondeu.
Tomou o celular da mão dele e apertou o botão de rediscagem.
Do outro lado, uma voz feminina desconhecida soou, clara e animada:
— Daniel, por que você desligou de repente? Eu ainda não te contei a boa notícia… estou grávida. Você vai ser pai!
— Se aquela idiota da Isabella descobrir que você só estava com ela por interesse, vai desmaiar de raiva. Mal posso esperar para ver a cara dela quando souber a verdade.
Antes que a gravação terminasse—
Daniel empurrou Isabella com força.
Ela perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
Seus olhos ficaram fixos na mão dele.
Sua respiração travou.
— Sua mão… não estava machucada?
Na época, quando Leonardo feriu Daniel, Isabella, tomada pela raiva, quis vingá-lo.
Foi por isso que ordenou que destruíssem a mão de Leonardo.
Mas agora…
a mão de Daniel estava completamente intacta.
Diante disso, Daniel finalmente abandonou a máscara.
— Claro que não estava machucada. Só você acreditaria nisso.
Ele deu um leve sorriso.
— Mas tenho que te agradecer. Você confiou em mim cegamente… e me ajudou a subir.
— Pena que a história dos testes com remédios vazou. Eu não posso ir para a prisão.
— Isa… sinto muito. A ideia de usar crianças nos testes foi sua. E foi você quem encobriu tudo depois.
— O que eu fiz de errado? Eu só segui o que você queria.
Os olhos de Isabella se arregalaram.
— Daniel… você vai jogar tudo isso em mim?
— Você tem a família Costa para te proteger. Eu não tenho.
Ele deu de ombros.
— Preciso pensar em mim. Não me culpe.
Um gosto metálico subiu pela garganta de Isabella.
A pessoa em quem ela confiou de coração…
desde o começo, só a manipulou.
Ela se lembrou de todos aqueles anos.
Do cuidado, da atenção, da forma como ele sempre esteve ao lado dela.
Ela acreditou que era amor.
Mas, na verdade… tudo foi planejado desde o início.
Então…
o que era real?
Daniel não perdeu mais tempo.
Pegou o dinheiro e as joias do cofre e colocou tudo na mala.
Ao passar por Isabella, ela reuniu todas as forças que restavam e agarrou suas pernas.
Com a voz rouca, perguntou:
— Daniel… você alguma vez me amou?
Ela já sabia a resposta.
Mas ainda assim… precisava ouvir da boca dele.
Daniel olhou para ela de cima.
Seus olhos já não tinham nenhum traço de carinho.
Só desprezo.
— Isabella, você acha mesmo que todo mundo tem que girar ao seu redor?
— Eu fiquei com você porque você era generosa… porque me dava dinheiro para pesquisar.
— Fora o Leonardo, quem mais seria idiota o suficiente para viver por você?
— Você é arrogante, controladora, faz tudo do seu jeito. Eu só aguentei isso por dinheiro.
— Agora você não serve mais para nada… por que eu perderia tempo com você?
Ele riu friamente.
— Todo o dinheiro que você conseguiu graças ao Leonardo… agora está comigo.
— Na verdade, eu devia te agradecer.
PAF!
A mão de Isabella tremia ao dar um tapa no rosto dele.
Daniel limpou o sangue do canto da boca.
E sorriu.
Seus olhos estavam sombrios.
— Ficou com raiva?
Ele se inclinou levemente.
— Então deixa eu te contar mais uma coisa.
— Aquele acidente… fui eu quem puxou o Leonardo para a rua.
— E você? Acreditou em mim sem pensar. Foi direto culpar ele.
— Me diz… o quanto você é estúpida?
Ele soltou uma risada baixa.
— E aquela vez que fui drogado na sua casa? Fui eu mesmo.
— Você estava com ele ali… e mesmo assim ficou comigo.
— Ele deve ter ouvido tudo lá fora.
Daniel fez uma pausa, olhando para ela com desprezo.
— Mas você também não saiu perdendo.
— Eu te satisfazia muito mais que ele, não era?
— Aquela sua expressão… eu ainda lembro perfeitamente…