Daniel cobriu os olhos de Isabella e a conduziu lentamente até outra sala privada.
De repente, fogos coloridos estouraram ao redor.
Quando ela abriu os olhos, viu um arco de balões cor-de-rosa.
Daniel caminhou até ela com um buquê de flores nas mãos e se ajoelhou.
O coração de Isabella disparou.
— Isa… eu não queria te pedir em casamento tão cedo, mas tenho medo de te perder. Esse anel foi feito especialmente para você. Espero que goste.
— Isa… você quer se casar comigo?
As pessoas ao redor começaram a gritar em coro:
— Casa com ele! Casa com ele!
Diante do anel brilhante, a mente de Isabella ficou em branco.
Talvez naquele exato segundo, ela tenha sido levada pela emoção.
Ela assentiu.
Um brilho de alegria passou pelos olhos de Daniel. Ele colocou o anel em seu dedo sem hesitar e a puxou para um abraço.
— Agora que você aceitou… não pode me abandonar.
Isabella se apoiou em seu peito.
Era um momento que ela havia aceitado de bom grado… mas, ainda assim, sentia algo apertando seu coração.
De repente, os olhos de Leonardo, cheios de ressentimento, surgiram em sua mente.
Ela estava prestes a afastar Daniel—
mas ele baixou a cabeça e selou seus lábios.
Naquela noite, Daniel a manteve sob ele, exigente.
Sempre que Isabella tentava se afastar, ele a puxava de volta, sem permitir que ela fosse embora.
Eles passaram três dias e três noites juntos no apartamento dele.
A notícia do noivado se espalhou rapidamente.
Mas, junto com isso, começaram a surgir vozes discordantes.
— Aquela filha ilegítima só conseguiu entrar na família Costa porque o ex-namorado dela arriscou a vida por ela. Agora que chegou ao topo, descartou ele. Que ingratidão.
— Enquanto o namorado estava no exterior arriscando a vida, ela sustentava um rapaz mais novo aqui. Ninguém manipula melhor que a senhora Costa. Dá pena do ex-namorado… foi traído e quase morreu.
— Esse Daniel… sem a senhorita Costa, ele não seria nada. Ouvi dizer que o remédio que ele desenvolveu matou gente durante os testes, e ela ajudou a encobrir tudo.
Ao ler esses comentários, Isabella sentiu como se tivesse levado um golpe na cabeça.
Ela imediatamente ordenou que apagassem todas as críticas contra Daniel.
Pensando que aquilo poderia ser obra de Leonardo, seu rosto ficou pálido de raiva.
Daniel a abraçou por trás.
— O Leonardo é homem… é normal ter ressentimento contra mim. Não liga para esse tipo de gente.
Ao ouvir o nome dele, Isabella franziu levemente a testa.
— Daniel, eu preciso voltar para a empresa. Você descansa bem. Quanto à sua mão… já encontrei os melhores médicos, você vai se recuperar.
No fim da tarde, depois do trabalho, Isabella finalmente pensou em Leonardo.
Ela foi ao hospital, mas não o encontrou.
A enfermeira disse que nenhum paciente com aquele nome havia aparecido nos últimos dias.
O assistente também relatou:
— Senhorita Costa, naquele dia ele não deixou a gente acompanhá-lo. Achei que ele fosse direto para o hospital.
Um medo inexplicável começou a crescer dentro dela.
O telefone não atendia.
As mensagens não eram respondidas.
O hotel já havia sido desocupado.
Isabella foi até o antigo apartamento.
Olhando para a janela escura, ela ficou em silêncio por um longo tempo.
Naqueles anos, eles viveram juntos naquele pequeno espaço de menos de vinte metros quadrados.
Sonhavam com o futuro… enquanto lutavam para sobreviver.
A frase que Leonardo mais repetia era:
— Isa, um dia eu vou te dar uma vida melhor.
Naquela época, ela nunca duvidou disso.
Até que finalmente teve a chance de entrar na família Costa.
E Leonardo… se tornou seu único apoio.
Até hoje, ela ainda se lembrava do dia em que pediu para ele ir ao Sudeste Asiático.
Ele apenas perguntou calmamente:
— É isso que você quer?
Ela assentiu, nervosa.
E ele aceitou… sem hesitar um segundo.
Leonardo era perfeito em tudo.
Só que…
A distância entre eles agora era grande demais.
Isabella jamais poderia se casar com alguém que, aos olhos de todos, não passava de um marginal…
Mesmo que ele tivesse dado tudo por ela.
De repente, ela lembrou daquele dia.
Do momento em que ordenou que quebrassem a mão dele.
O olhar de Leonardo… indo do desespero ao vazio.
Ele nunca disse que a odiava.
Mas aquilo… era mais assustador do que ódio.
O celular vibrou.
Era Daniel.
— Isa, estou entediado… você vem ficar comigo?
Ela ficou em silêncio por um instante.
Depois desligou.
E entrou no carro.
Mais tarde, em um evento movimentado, Isabella estava encostada em um canto, segurando um copo de vinho.
Daniel chegou até ela.
— No que está pensando? Ouvi dizer que o Leonardo sumiu.
— Será que ele acha que desaparecer vai te fazer ceder?
Isabella não respondeu.
Só conseguia lembrar da última frase que ele disse:
“Eu me arrependo de ter te conhecido.”
Ele estava apenas fazendo birra?
Ou… tinha realmente ido embora?
Alguns dias depois, Isabella acompanhava Daniel na escolha de um imóvel para casamento.
Foi então que recebeu uma ligação do pai.
— Você ainda tem tempo para passear? Volte imediatamente para a empresa!