《O Herdeiro Escondido e a Traição da Amante》Capítulo 1

Leonardo Rocha passou três anos no Sudeste Asiático, exilado por amor, vivendo no submundo como mercenário. Dirigiu carros ilegais, fez trabalhos sujos, e cada centavo que ganhou foi parar na conta de Isabella Costa, tornando-se o capital que impulsionou a ascensão dela dentro do grupo Costa.

No dia em que voltou ao país, Leonardo ficou na porta do cartório, fumando três maços inteiros de cigarro. Esperou do amanhecer até a noite, mas Isabella, que havia prometido registrar o casamento com ele, nunca apareceu.

Quando ergueu a cabeça, viu que o telão do outro lado da rua transmitia ao vivo a grandiosa cerimônia de formatura de uma universidade.

E lá estava Isabella, discursando no palco.

As pessoas ao redor começaram a comentar:

— A senhorita Costa foi por causa daquele universitário chamado Daniel, né? Dizem que ela não só doou um prédio inteiro para a faculdade, como também investiu uma fortuna para montar um laboratório só para ele. Quem diria que a CEO do Grupo Costa fosse tão apaixonada assim.

— No mês passado, no aniversário dele, ela reservou um restaurante de luxo e convidou todo o departamento para comemorar. Acho que o casamento vem aí.

— Mas ela não tem um noivo que está no exterior? Ouvi dizer que ela só conseguiu voltar para a família Costa por causa desse noivo...

Leonardo olhava para as imagens no telão, sentindo-se entorpecido, incapaz de distinguir exatamente o que estava sentindo.

Nos últimos três anos, os rumores de que Isabella sustentava um universitário só cresceram. Ele nunca acreditou. Afinal, eles tinham lutado juntos desde o início. Ele jamais pensaria que ela o trairia.

Mesmo quando as fotos íntimas dela com Daniel se espalharam pela internet, ela voou pessoalmente até ele para explicar:

— Leo, aquilo foi um ângulo enganoso, alguém armou tudo para me derrubar. Não pense besteira, não tem nada entre mim e o Daniel.

Vendo os olhos dela vermelhos e aflitos, ele só sentiu dor por ela, enfrentando sozinha um ambiente cheio de predadores dentro da família Costa. Mais uma vez, escolheu acreditar.

Mas acreditar repetidas vezes… também cansa.

Ele não era idiota. Apenas não queria aceitar que a pessoa que ele protegeu com a própria vida por oito anos pudesse escondê-lo… e traí-lo pelas costas.

Leonardo apagou o cigarro com o pé e voltou para seu pequeno apartamento alugado.

Uma hora depois, Isabella apareceu.

Vestida com um elegante traje de alta-costura, ela parecia completamente deslocada naquele ambiente simples e desgastado.

— Leo, eu não preparei uma casa nova para você? Por que voltou para esse lugar?

Leonardo nem levantou a cabeça enquanto arrumava suas coisas.

— Não me acostumo com casas boas demais. Este lugar combina mais com alguém como eu.

O tom carregado de sarcasmo e autodepreciação fez Isabella franzir a testa.

Ela se lembrou de quando começaram a namorar. Em noites congelantes, eles se abraçavam para se aquecer. Ele prometia que um dia daria a ela uma casa grande e confortável.

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Naquela época, até o tom de voz dele era quente.

Agora, era frio como o de um estranho.

O coração de Isabella apertou.

— Você está bravo porque eu não fui te buscar? Eu tinha algo mais importante para fazer… Não fica assim, tá?

— Algo mais importante… tipo ir à formatura do Daniel?

Ele falou o nome com calma, mas aquilo fez o coração dela afundar.

— Não é isso, Leo. O Daniel é um talento raro em pesquisa farmacêutica. Muitas instituições querem levá-lo. Se eu não ficar de olho, ele pode ser recrutado por outros…

— Tudo bem.

Leonardo a interrompeu.

— Você sempre gostou de talentos. Não precisa me explicar.

Vendo-o agir com indiferença, como se estivesse prestes a ir embora, Isabella sentiu uma pontada no peito e, irritada, bloqueou sua passagem:

— Você está sim me culpando! Me culpando por não ter vindo te ver primeiro. Você pode pelo menos tentar entender minha situação? Acha que é fácil para mim?

— Você lembra do que disse quando eu fui embora?

Ela hesitou, confusa.

Leonardo sorriu.

Ela tinha dito que, quando ele voltasse, eles iriam ao cartório se casar.

Três anos depois, só ele se lembrava.

O silêncio foi quebrado pelo toque estridente do celular.

Isabella olhou para a tela e virou o corpo para atender.

— Isa, a festa de formatura vai começar. Você não disse que viria comigo?

— Já estou indo. Entra e me espera. Está frio lá fora, não vai pegar um resfriado.

Depois de desligar, ela se virou:

— Leo, tenho um assunto urgente. Quando eu voltar, a gente conversa, pode ser?

Leonardo não respondeu.

Ele apenas a observou sair apressada, sentindo um leve amargor subir pela garganta.

Naquela noite, ele se revirou na cama dura sem conseguir dormir. Acabou indo para um bar que costumava frequentar, sentando-se em um canto escuro e bebendo sozinho.

A porta de um dos camarotes estava entreaberta, e de dentro vinham vozes familiares, cheias de risadas:

— Isa, hoje a internet está cheia de fotos suas com o Daniel. Você não tem medo do Leo ficar com ciúmes? Aquele temperamento dele não vai deixar barato.

— Lembra quando um cara só olhou para ela um pouco mais, e ele quase arrancou os olhos do sujeito? Dá até medo.

A voz de Isabella soou levemente rouca, embriagada:

— Só porque eu era filha ilegítima e a família Costa precisava das habilidades dele, fizeram ele ir para o Sudeste Asiático arriscar a vida para que eu pudesse voltar para a família… isso significa que eu tenho que viver em dívida com ele para sempre?

— Agora eu sou a CEO do grupo. E ele? O que ele tem? Posso compensar o que devo de outras formas. Além disso, nesses anos, sempre que eu estava perdida ou sofrendo, era o Daniel que estava ao meu lado, cuidando de mim…

— Se eu nunca tivesse conhecido o Daniel, talvez eu até me casasse com o Leo para retribuir. Mas agora… eu não quero decepcionar o Daniel.

Essas poucas frases atravessaram o coração de Leonardo como lâminas.

Seus dedos apertaram a garrafa, ficando pálidos.

Ele a conhecia há oito anos.

Lutou por ela, sangrou por ela. No pior momento da vida, preferiu passar fome a deixar de comprar um presente para ela.

Para que ela pudesse retornar à família Costa e assumir o poder, ele entrou voluntariamente naquele avião rumo ao Sudeste Asiático.

No dia em que voltou, alguém perguntou:

— Valeu a pena trocar sua vida pelo sucesso dela?

Ele sorriu:

— Valeu. Tudo valeu. Ela ainda está me esperando… para casar comigo.

Três anos se passaram.

Ela já tinha seguido em frente.

Só ele continuava preso naquele passado cheio de sangue e perigo, sonhando com um “felizes para sempre”.

Leonardo soltou uma risada fria, levantou a cabeça e virou o copo de bebida de uma vez.

Ao sair do bar, recebeu uma ligação de um número desconhecido.

— Leo, sou eu, seu irmão. O prazo de três anos acabou. Já está na hora de voltar para casa e assumir os negócios da família. Quando pretende voltar? Posso mandar alguém te buscar.

Leonardo ficou parado no vento frio.

Na sua mente, ecoava a frase de Isabella:

“Se eu não tivesse conhecido o Daniel, teria me casado com ele.”

— Em quinze dias. Depois de resolver algumas coisas aqui, eu volto.

— E sua noiva? Vai voltar com você?

Ele respondeu com uma calma quase vazia, como se a garganta tivesse sido rasgada por uma lâmina fina:

— Você se confundiu. Eu não tenho noiva.

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