Na manhã seguinte, o carro do centro de homens-fera já estava estacionado em frente ao prédio.
Victor estava impecavelmente vestido.
Chegou até a arrumar o cabelo com cuidado — parecia um nobre a caminho de um jantar.
Segurava uma pequena bolsa, leve.
Parado na porta, seus olhos estavam sombrios.
“Luna Ribeiro… ainda dá tempo de você se arrepender.”
Eu entreguei o documento de confirmação de troca para a funcionária, sem nem levantar a cabeça.
“Desejo tudo de bom pra você.”
A funcionária conferiu os dados e disse com educação:
“Sr. Victor, por favor, nos acompanhe. A Srta. Beatriz já está aguardando para formalizar a recepção.”
O corpo dele enrijeceu de imediato.
Era óbvio que ele não esperava que Beatriz tivesse resolvido tudo tão rápido.
Ele achava que estava conquistando liberdade…
Mas, na verdade, só estava saindo de uma “casa”… para entrar em outra “gaiola”.
Para ele, Beatriz era a deusa que o salvaria.
Para mim… era o abismo que ele escolheu sozinho.
Depois que ele foi embora… a casa ficou vazia.
Juntei tudo o que tinha a ver com raposas na sala… e joguei no lixo.
À tarde, um veículo preto de transporte especial entrou no condomínio.
Vários funcionários armados desceram… carregando uma enorme jaula metálica.
Dentro dela… um homem estava encolhido no canto.
Uma aura fria e perigosa envolvia todo o corpo dele.
Cabelos negros, curtos e limpos.
Orelhas pontudas, que se moviam levemente de vez em quando.
Mas o que mais chamava atenção… eram os olhos.
Íris cinzentas em fenda… como cristal refinado — e, ao mesmo tempo, mortas.
“Srta. Luna, este é o homem-fera lobo que a senhora escolheu. Codinome: Shadow.”
Enquanto operava o complicado sistema de destravamento, o funcionário me alertou em voz baixa:
“Apesar de constar nos registros como dócil… ele ainda é um lobo. Instintos difíceis de controlar.”
“Por favor, tenha cuidado.”
A porta da jaula se abriu.
O homem se levantou lentamente.
Era muito mais alto que Victor.
Ombros largos.
Sob a regata preta justa, os músculos eram definidos… carregados de força contida.
Ele saiu da jaula.
Parou na minha frente.
Naquele instante… uma pressão esmagadora tomou conta do ar.
Meu corpo recuou por instinto.
Ele percebeu.
Imediatamente parou de avançar.
E então… diante do meu olhar atônito… ele se ajoelhou com um dos joelhos no chão.
Baixou a cabeça.
Expondo a parte mais vulnerável do pescoço.
A voz saiu rouca… áspera, como algo sendo raspado:
“Dona.”
As palavras estranhas voltaram a surgir diante dos meus olhos.
【AAAAAH! Esse é o tal lobo louco? Isso aqui é um cachorrão premium!】
【Ele é bonito DEMAIS! Esse corpo, esse olhar… o outro nem compete!】
【Luna, toca nas orelhas dele! Lobos são super sensíveis ali!】
Sem entender por quê… eu estendi a mão.
A ponta dos dedos tocou de leve aquelas orelhas negras e macias no topo da cabeça dele.
O corpo dele tremeu violentamente.
Um som grave escapou de sua garganta.
Mas ele não recuou.
Pelo contrário… baixou ainda mais a cabeça.