Depois de ser arranhada mais uma vez pelo homem-fera raposa, fui sozinha ao hospital.
A enfermeira não conseguiu deixar de comentar:
“A ferida é bem profunda… com certeza vai deixar cicatriz. O seu homem-fera recebeu treinamento de socialização mesmo?”
Eu dei um sorriso amargo:
“Recebeu sim. Foi um dos melhores da turma.”
De repente, meu celular tocou.
Era raro Victor me mandar tantas mensagens de uma vez:
【Foi só um arranhãozinho, precisava mesmo ir pro hospital?】
【Tô com fome. Volta logo pra fazer comida pra mim.】
【Vivendo com você, nem comer direito eu consigo.】
【Você realmente me mantém muito mal.】
Então era assim que ele pensava de mim?
Virei na esquina e fui direto para o centro de manejo de homens-fera.
“Eu quero trocar de parceiro.”
A atendente foi extremamente educada.
Seguindo o protocolo, ela perguntou:
“A senhora e o seu homem-fera já estão registrados há um ano. Em breve, já poderão formalizar o vínculo.”
“Por que deseja fazer a troca justamente agora?”
Um gosto amargo subiu pela minha garganta.
Já tinha passado um ano…
Eu já tinha esperado tanto por esse vínculo.
Cheguei a conversar com Victor, toda animada, sobre o estilo dos anéis.
Ele apenas levantava o canto dos lábios, com sarcasmo:
“Você acha mesmo que é digna de mim?”
“Chorar não adianta. Eu nunca vou formar vínculo com você.”
“Vou te dizer uma coisa, humana inferior… você chorando é simplesmente repugnante.”
Eu… de fato, era uma humana da classe mais baixa.
Só conseguia fazer trabalhos simples.
Mesmo me esforçando tanto, nunca consegui oferecer a ele as condições que um homem-fera como Victor exigia.
Na verdade, conseguir comprar um homem-fera de sangue puro como ele… já tinha sido um acidente improvável.
Engoli o nó na garganta.
“Ele não gosta de mim.”
Ou melhor… ele me odeia.
A atendente ficou visivelmente surpresa.
“Homens-fera treinados deveriam amar seus donos de forma absoluta.”
“Em condições normais, isso não deveria acontecer.”
Pois é… algo que “não deveria acontecer”… aconteceu comigo.
Forcei um sorriso leve:
“Acho que é falta de sorte.”
A expressão dela ficou culpada.
“Então houve um problema no nosso treinamento.”
“Por favor, não se culpe.”
“Venha comigo.”