Era Rafael Duarte.
Rafael Duarte era o líder do Salvation.
Serena se virou na hora e foi tirar as luvas cirúrgicas.
A voz saiu fria: "Esse homem, não opero."
Os dois especialistas na sala se entreolharam.
Serena já estava saindo.
Os dois se desesperaram e foram abrir a porta pedindo ajuda.
"A Médica Fantasma chegou, mas ela... não quer fazer a cirurgia."
Hao Wenbin ficou em pânico: "Vou lá implorar!"
Sem tempo nem para trocar de roupa, foi andando em passos largos para dentro da sala.
Naquele momento, Serena já tinha tirado as luvas.
Ela olhou para o homem na maca, que estava ficando cada vez mais fraco, e sentiu uma pequena contradição interna.
Mas rapidamente os olhos voltaram a ser só frios.
O pessoal dele ainda estava na caçada dela. Entre os dois, só um podia sair vivo, mesmo que ele fosse o pai dos seus filhos.
Serena estava saindo quando, sem querer, viu um emblema na manga da farda de Rafael.
As pupilas contraíram. Ela voltou.
O emblema do Salvation, com o símbolo dourado escuro de uma aeronave, ela conhecia.
Mas por que havia a letra R em vermelho bordada no centro, quase invisível?
Enquanto Serena estava examinando aquilo, Hao Wenbin entrou.
O homem de mais de um metro e oitenta olhou para Rafael imóvel na maca, e a voz saiu embargada:
"Médica Fantasma, por favor, salva ele!"
"Mesmo que não seja pelo Salvation, pensa nas dezenas de milhares de vidas que ele salvou sozinho, nas missões que evitaram que uma base inteira fosse destruída..."
"Não sei quais são as suas condições ou o que você cobra. Mas o que estiver no meu alcance, faço sem hesitar. Seja o que for."
Os olhos de Hao Wenbin estavam vermelhos, a voz enrouquecida.
Ele ainda estava pensando em como demonstrar mais seriedade quando Serena se virou. O olhar era neutro, a voz calma:
"O emblema dele é diferente do de vocês. Por quê?"
Hao Wenbin obviamente não esperava essa pergunta. Demorou um segundo para responder:
"Porque além de ser do Salvation, o líder também é membro central do esquadrão de resgate aéreo da Aliança. Qual é a função dele lá dentro, não sei dizer."
Serena perguntou: "Desde quando ele faz parte do esquadrão de resgate?"
"Desde os doze anos." Hao Wenbin não entendia por que a Médica Fantasma estava perguntando aquilo.
Serena, ao ouvir a resposta, virou e foi verificar a lombar de Rafael.
Quando encontrou uma cicatriz de formato bem particular, o coração deu um salto.
Era ele.
O homem que a carregou para fora do fogo quando ela tinha nove anos era Rafael Duarte.
Na época, ele usava máscara, e ela só guardava na memória o emblema do uniforme.
E no dia do acidente, ele tinha dado um escudo para protegê-la, e a lombar dele devia ter ficado marcada pelo ferro em brasa.
O formato batia. O lugar batia. A época batia.
Serena fechou os olhos por um segundo: "Esse homem, eu opero."
Hao Wenbin sentiu a alegria cair em cima dele como uma pedra enorme. Foi agradecendo enquanto saía para chamar os assistentes.
Serena já estava se preparando com rapidez.
"Começa a cirurgia." Ela disse para os dois assistentes.
A tensão na sala subiu num instante.
O silêncio era absoluto. Como os dois assistentes eram experientes, ela nem precisava pedir os instrumentos, eles já iam colocando na mão dela.
O tempo foi passando segundo a segundo, até que a bala foi removida com sucesso.
Mas foi então que todos viram, no lugar onde a bala estava, algo piscando dentro da carne.
Os dois assistentes empalideceram: "É uma micro-bomba com timer!"
"Bomba de sensor de temperatura. Se a temperatura variar mais de um grau, explode imediatamente." Serena deu uma olhada rápida e uma frieza letal apareceu no olhar: "Faltam cinquenta e nove segundos. Saiam agora."