Lorenzo ficou por um segundo sem reação, depois balançou a cabeça: "A mamãe jamais te abandonaria."
Do lado, Zara explicou com toda a seriedade: "Irmão, a mamãe disse que sente muita falta de você!"
"Talvez você deva ver isso." Lorenzo tirou o celular e abriu um histórico de buscas.
Henrique pegou e leu com atenção.
De cinco anos atrás até uma semana antes, havia centenas de buscas de todos os tipos. Mais de mil dias, e Serena nunca tinha parado de procurar.
Os olhos de Henrique foram ficando úmidos. Ele fungou e perguntou:
"Ela viu aquele vídeo meu?"
"A mamãe viu, e só vai ter mais dó de você ainda." Lorenzo respondeu com seriedade. "Irmão, ela te ama muito."
A mão de Henrique apertou os dos irmãos por instinto. Depois de um bom tempo, ele acenou: "Tá bom. Entendi."
Naquele momento, no salão do jantar.
Rafaela tinha encontrado o painel de energia e cortado o vídeo.
Mas ninguém ali ia apagar aquela memória tão cedo.
Cada dia que ela passasse no instituto, seria lembrada exatamente daquele jeito.
O rosto dela estava destruído de tanto chorar, e ela correu para a saída em passos largos.
O problema era que, para parecer mais alta do que Serena naquela noite, ela tinha colocado um salto de dez centímetros que não estava acostumada.
No meio da correria, o pé foi torto e ela foi direto para o chão.
O joelho latejou de dor, mas com medo dos olhares ao redor, Rafaela se debateu tentando se levantar.
Foi então que o som de saltos em ritmo cadenciado se aproximou e parou bem à sua frente.
Rafaela ergueu os olhos e viu Serena com a mão estendida para ela.
Uma raiva que não tinha nome subiu de dentro para fora. Rafaela tremia, os olhos vermelhos:
"Foi você, Serena Viana! Não foi?"
Serena piscou os olhos com uma inocência absoluta: "Senhorita Sousa, do que você está falando?"
"O vídeo foi você! Você que fez isso!" O rosto de Rafaela estava contorcido.
"A sua performance estava até boa." Serena baixou a voz, num volume que só as duas podiam ouvir: "Pena que não importa quanto você treine, o seu Rafa não vai te dar nem um olhar. Ah, sabia que ele disse no vestiário que você é feia demais e que não consegue nem chegar perto?"
Ao ouvir aquilo, Rafaela ficou à beira de explodir. Levantou a mão para bater no braço de Serena.
Serena aproveitou o impulso e se jogou para trás, caindo exatamente nos braços de Rafael, que estava chegando por trás.
Com a expressão de quem estava sofrendo: "Senhorita Sousa, eu tentei ajudar você e você me..."
Rafael firmou Serena nos braços. Diante de uma briga entre duas mulheres, ele nunca tinha vontade de participar.
Então chamou Gabriel: "Leva a senhorita Sousa para descansar."
Mas no segundo seguinte, Serena deu um passo para frente e prendeu o ar com uma careta de dor.
"O que foi?" Rafael perguntou.
"Acho que torci o pé." A voz de Serena ficou frágil e delicada. "O Sr. Duarte não culpa a senhorita Sousa, ela não fez de propósito, a culpa foi minha por ser descuidada..."
Rafael tinha visto a expressão retorcida de Rafaela havia pouco, e um mal-humor se instalou dentro dele.
Nem olhou mais para a mulher no chão. Virou para Serena: "Eu te levo à sala de descanso."
"Não precisa, eu mesma consigo, o Sr. Duarte vê como a senhorita Sousa está..." Serena disse, e tentou andar sozinha com dificuldade.
Só que ela parecia ter superestimado o próprio estado, e estava prestes a cair.
Um pesquisador que estava perto avançou rapidamente e segurou o braço dela.
"Obrigada." Serena sorriu para ele.
Mas ela ainda não tinha tirado o braço do pesquisador quando de repente sentiu o mundo girar.
Rafael a pegou no colo num único movimento e caminhou para fora em passos largos: "Frank, manda a caixa de primeiros socorros para a sala de descanso."