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Errado! Humana, quem te deu permissão para contar para a mamãe que o Miau está fingindo?
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O Ragdoll começou a rosnar para Letícia sem parar.
Antes que o gatinho pudesse tocá-la, a mulher já o tinha pego no colo, olhando para Letícia com descrença. "Doutora, como você sabe que a minha Doudou está fingindo?"
"Minha Doudou está assim desde que acordei, miando de dor. Será que isso aqui não é uma clínica de fundo de quintal? Você não é uma veterinária incompetente, que não consegue diagnosticar e diz que meu gato está fingindo?" A mulher ficou instantaneamente nervosa, seu olhar para Letícia cheio de hostilidade.
Letícia apertou a testa com os dedos.
Ela não podia simplesmente dizer que conseguia ouvir os pensamentos dos bichinhos. A mulher provavelmente chamaria a polícia primeiro, ou pensaria que ela era louca.
"Minha afinidade com animais é boa, consigo me comunicar um pouco com eles. Foi o seu gato que me disse isso."
Sua afinidade com animais sempre foi boa desde criança. E desde que se vinculou ao Sisteminha, parecia estar melhorando.
"Você está mentindo descaradamente. Na minha opinião, você é incompetente mesmo, e essa clínica não é séria. Vamos, Doudou, a mamãe te leva para outra clínica." A mulher lançou um olhar furioso para Letícia.
Ao ouvir isso, Doudou não pôde evitar de se esfregar no colo da mulher.
E ainda lançou um olhar provocador para Letícia.
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Hehe, o Miau não vai contar para a humana que quebrei o frasco mais caro da mamãe e por isso estou fingindo.
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Então era isso.
Letícia olhou para o Ragdoll presunçoso. "Você comprou um produto de skincare muito caro recentemente, e estava guardando sem usar, não foi?"
A mulher parou, olhando para Letícia com cautela. "Como você sabe?"
Letícia ficou em silêncio, sem responder.
Já o Ragdoll no colo da mulher, após a pergunta de Letícia, começou a rosnar para ela sem parar.
"Mês passado, a empresa deu bônus, então me dei de presente um frasco daquela 'água divina' que estava no carrinho há tanto tempo. O conjunto todo saiu por alguns milhares, é caro mesmo."
Ouvindo as palavras da mulher, Letícia ficou ainda mais certa. "Sua Doudou quebrou aquele frasco durante a corrida noturna. Com medo de levar bronca, quando você acordou, ela começou a fingir estar doente."
"Isso não é possível. Quando acordei hoje de manhã, não vi nenhum caco do frasco." A voz da mulher era firme.
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Humana burra, mesmo que você conte para a mamãe, e daí? Como ela não vai achar os cacos que o Miau escondeu, é como se não tivesse quebrado.
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O Miau nunca vai te contar que os cacos estão debaixo do tapete.
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O Ragdoll não pôde evitar de erguer as orelhas com presunção, sua cauda balançando para lá e para cá.
Gatos, quando muito confiantes, sempre acabam se entregando.
Letícia não teve a menor intenção de proteger o gatinho. "Ela escondeu os 'restos' da sua água divina debaixo do tapete."
"Isso não pode ser..." A mulher, que inicialmente não acreditava, estava gradualmente começando a duvidar.
"Sua casa tem câmeras de segurança?" Geralmente, quem tem animais de estimação instala câmeras internas, para poder ver os bichinhos enquanto está no trabalho.
A mulher não respondeu à pergunta. Diretamente pegou o celular do bolso, encontrou a gravação da noite anterior e começou a assistir em velocidade acelerada.
Na gravação, dava para ver claramente o gato correndo pela casa. Logo, a mulher encontrou a cena do "crime" do Ragdoll.
Era óbvio que o Ragdoll não tinha derrubado o frasco por acidente. Ele estava claramente brincando com ele na mesa, empurrando-o até cair. Percebendo a bagunça, o gatinho deu várias voltas, puxou o tapete da frente da mesa de centro para o lado, cobrindo os cacos, e o tapete absorveu o líquido.
O Ragdoll, todo animado, ao ver a dona acordando, começou a fingir que estava manco.
A mulher, preocupada apenas com o gato "machucado", não notou a mudança no tapete.
Vendo todo o processo do "crime" do Ragdoll no vídeo, a mulher lutou para conter a raiva.
Era a água divina que ela queria comprar há tanto tempo, e depois de comprar, mal tinha usado.
"Sun Doudou! É assim que você me agradece? Espera só até chegar em casa." A mulher segurou o Ragdoll e foi em direção à porta.
Na metade do caminho, ela percebeu que havia esquecido algo. Segurando o Ragdoll pelo cangote, voltou. "Doutora, desculpe pelo que aconteceu antes. Fui impulsiva. Obrigada."
Ter ido à clínica e a médica ter ajudado assim, sem gastar nada, deixava a mulher desconfortável. Ela comprou alguns suplementos, como óleo de peixe e vitaminas.
Depois que a mulher foi embora, Fábio olhou para Letícia com uma expressão estranha. "Irmã Leti, desde quando você consegue se comunicar com os animais?"
Não era à toa que todos acharam que a patroa tinha enlouquecido ontem, começando a interrogar os bichinhos.
"Recentemente, como a loja estava sem movimento, fiquei pesquisando." Letícia usou qualquer desculpa para despistar.
Embora a live involuntária de Viviane tivesse trazido algum movimento para a clínica, eram só alguns poucos atendimentos por dia. Na maior parte do tempo, ainda estava vazia.
Letícia se aconchegou no sofá perto da janela, pegou a tricolor que dormia no sofá e colocou no colo.
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O Miau está com uma raiva! Ontem, aquele parquinho pequeno foi invadido por um cachorro burro!
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Não só invadiu nosso território, como também comeu um monte da comida que os humanos deixam para nós. Vários Miau já foram assustados por aquele cachorrão!
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Aquele cachorro é enorme, tem quase metade do tamanho de um humano!
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Ouvi o Orelhinha dizer que a pata daquele cachorro está machucada.
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Quando a noite cair e aquele burro descansar, venham comigo bater nele. Temos que expulsar aquele burro!
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Letícia ouvia calmamente a conversa dos gatos de rua passando lá fora.
Gatos e cachorros nunca se deram bem. Gatos têm seus próprios territórios e domínios.
Nos condomínios perto da clínica, como muitas pessoas bondosas deixavam comida, havia muitos gatos de rua.
Letícia colocou o gatinho preto-e-branco que estava no colo de volta no sofá. Pegou duas latas de comida na prateleira, saiu da clínica e parou os gatos grandes que passavam.
"Quero perguntar uma coisa. Onde está o tal cachorrão que vocês mencionaram?" Letícia não se esqueceu de abrir as latas e colocá-las na frente dos gatos.
Um dos gatos, um rajado, parecia ser o líder do grupo. Deu dois passos à frente, na direção de Letícia.
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Humana, você consegue nos entender! Você cheira muito bem.
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O rajado, encorajado, começou a se esfregar em sua perna.
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Aquele cachorro está no parquinho pequeno ali na frente. O cachorro burro é detestável! Não só assusta os Miau, como ainda rouba a comida que as pessoas deixam. Quando anoitecer, vou acabar com ele!
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Gatos rajados são naturalmente bons lutadores e gostam de ter seguidores. Diante de um rajado tão agressivo, Letícia não levou muito a sério.
Ela continuou perguntando: "E como é essa história de o cachorro estar machucado?"
Um gato preto, comendo a lata, mastigou a carne e respondeu meio enrolado: '
Não sei. Quando aquele burro chegou, a pata já estava quebrada. Mas o Orelhinha disse que a pata dele está muito machucada, acho que foi um humano malvado que bateu nele.
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