A moça levantou a mão e deu um tapa no rosto do homem. "Não imaginei que você fizesse tantas coisas nojentas pelas minhas costas. Terminamos."
"Você tem uma hora para tirar suas coisas da minha casa. Do contrário, não me culpe se eu chamar a polícia."
"Vai se arrepender de me expulsar." O homem ameaçou.
"Canalha! Quem se arrepender é cachorro!" A moça jogou a frase e saiu do hotel, tentando encontrar a figura de Letícia na multidão. Procura daqui, procura dali, mas não viu sinal da silhueta de branco.
Foi só então que a moça percebeu: como Letícia sabia que seu namorado a traía?
Talvez ela trabalhasse em uma clínica veterinária por perto e tivesse visto algo ao sair do trabalho ocasionalmente.
A moça não pensou mais no assunto, e sua figura desapareceu na multidão.
Letícia já havia partido muito antes, no momento em que eles entraram no hotel e foram inadvertidamente expostos pelo segurança.
Nesse momento, a voz mecânica do sistema soou novamente em sua mente.
[Exposição do canalha bem-sucedida. Parabéns, hospedeira, por completar a missão de desejo de nível inicial. Recebeu 10 pontos.]
"Só esses pontos? Nem dá para escovar os dentes."
No intervalo da volta, ela havia acessado a tela azul em sua mente. Tudo na loja do sistema era absurdamente caro. Até as funcionalidades mais baratas começavam em 50 pontos.
[Hospedeira, grão a grão a galinha enche o papo! Quanto maior a missão que a hospedeira completar, mais pontos poderá ganhar.]
O Sisteminha, com medo de desagradar sua hospedeira, falava cada vez mais baixo.
Letícia não levou a mal.
Quando voltou ao ponto de divulgação da clínica, viu Ana correndo de longe, carregando uma gata tricolor.
Era uma gata tricolor de pelo longo, do tipo "grande beleza" que faz sucesso na internet.
"O que aconteceu?" Enquanto perguntava, Letícia já estava abrindo a porta da Clínica Fofura para Ana.
Ana foi a primeira veterinária contratada para a clínica, uma aluna brilhante de medicina veterinária.
Enquanto carregava a gatinha tricolor para dentro, Ana explicou: "Vi que não tinha ninguém por perto aqui, então fui com o Fábio distribuir panfletos na rua ao lado. Aí encontrei essa gatinha na área verde do condomínio, com espuma saindo da boca."
Letícia pediu a Ana que colocasse a tricolor na mesa de exame. Tirou uma lanterna oftalmológica do bolso do jaleco e iluminou os olhos da gata.
A tricolor, de um estado sonolento, despertou de repente. Miados fracos não paravam de vir.
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Dói, dói muito. Será que eu vou morrer?
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"É uma gatinha boa, a irmã é veterinária. Sem a permissão da irmã, ninguém vai te levar. Então, gatinha, me diz: onde dói?" Letícia perguntou com voz suave e doce.
A tricolor estava com tanta dor que nem conseguia se surpreender por uma humana entendê-la. Achou que era alucinação.
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Dói a barriga. Dói muito, muito.
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Várias doenças poderiam causar dor abdominal em gatos, incluindo gastroenterite aguda e peritonite infecciosa felina. Considerando a espuma na boca da gata, se fosse vômito por gastroenterite aguda, poderia gerar espuma.
Letícia continuou perguntando com cuidado: "E você vomitou? O que comeu hoje?"
Ana e o outro funcionário olhavam para a patroa com uma expressão estranha.
Esse tipo de interrogatório não era algo que se fazia com humanos?
Será que a patroa, por causa da falta de clientes recente, estava ficando um pouco maluca, interrogando até os bichinhos?
O que um bichinho poderia responder?
Não era para levar direto para fazer exames?
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Não vomitei. Só comi uma salsicha que uma irmãzinha me deu.
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Salsicha não deveria ser problema, certo?
Enquanto Letícia refletia, a porta se abriu novamente. Uma mulher vestindo um vestido de alcinhas apareceu na clínica segurando um celular. Ela não trazia um animal, mas podia estar vindo buscar remédio, sem ser conveniente trazer o bicho.
A primeira a reagir foi Ana, que se aproximou com um sorriso. "Em que posso ajudá-la?"
A mulher ignorou Ana e falou diretamente para o celular: "Amores, hoje estamos aqui para expor esta clínica veterinária falsa. Ontem recebi uma denúncia de que esta clínica, sob o pretexto de consultas gratuitas, envenena os bichinhos, e depois usa o 'resgate' para promover sua própria reputação."
Ana, que inicialmente recebia bem, ao ouvir as palavras da mulher, franziu a testa imediatamente. "Nossas consultas são gratuitas de verdade, nunca envenenaríamos bichinhos. Se você está nos difamando assim, tem provas? Se continuar espalhando mentiras, vamos chamar a polícia."
Para quem ama animais, é impossível ouvir as palavras "envenenar bichinhos".
Independente do que Ana dissesse, as pessoas que amavam animais na live já haviam sido instigadas pelas poucas palavras da mulher.
[Como um hospital venenoso desses conseguiu ficar aberto até agora? Usar a vida dos animais para lucro? Esse veterinário não tem ética médica. Quem leva seu bichinho para um lugar desses é porque acha que ele vive demais.]
[Denunciem! A vida dos bichinhos também importa!]
[Me passa o endereço, vou lá quebrar essa clínica!]
[Nossa, é a clínica aqui embaixo do meu prédio! Ainda bem que quando meu bichinho ficou doente não fui lá, senão ele também teria sido vítima.]
[Ainda bem que a streamer expôs esse lugar, senão quantos bichinhos mais seriam mortos por esse hospital?]
O olhar da mulher percorreu o ambiente e pousou na gatinha e em Letícia na mesa de exame. Um sorriso bonito surgiu em seus lábios. "Aqui está a prova. Essa gatinha claramente está intoxicada."
[Isso aí é prova cabal, né?]
[Chama a polícia.]
Desde que a mulher começou a falar, Letícia a reconhecera.
Era Viviane.
Viviane fazia vídeos "expondo" produtos desde a faculdade, frequentemente atacando marcas pequenas de maquiagem e alimentos com listas de ingredientes suspeitas, ganhando uma certa base de fãs.
Quem diria que, antes mesmo de Letícia encontrar provas da conspiração de Viviane com Felipe, Viviane já não conseguia mais se conter.
A gatinha tricolor deitada na mesa, ao ver Viviane, começou a focar a visão. Tentou rosnar, mas estava fraca demais, sem nenhum poder de intimidação.
Letícia notou a agitação do gatinho e acalmou: "Está tudo bem."
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Foi ela que deu comida para o Miau.
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O Miau comeu a salsicha que ela deu, e aí a barriga começou a doer.
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Letícia já suspeitava que a gata poderia ter comido algo estragado. Combinando as palavras da gatinha com o comportamento de Viviane, ficou ainda mais certa: a tricolor provavelmente foi envenenada de propósito por Viviane, tudo para que os amantes de animais na live a atacassem virtualmente.
Com o aumento de pessoas que amam animais, era inevitável que algumas fossem mais radicais.
"Senhorita Letícia, mesmo querendo ganhar dinheiro, não podem brincar com a vida dos bichinhos. Mesmo sendo uma gata de rua, a vida dela também importa." Viviane, segurando o celular, falava entre lágrimas e soluços.
"Ana, a tricolor provavelmente ingeriu algo tóxico. Leve-a para lavagem estomacal primeiro." A situação da gatinha já era crítica, não dava para perder tempo.