Capítulo 5 — A Farsante Levando na Cara
Personagens neste capítulo:
Serena Viana / Thea (葉汐顏) | Rafael Duarte (霍允) | Rafaela Sousa (蘇柔)
Naquela mesma noite, um vídeo foi parar nos assuntos mais comentados da internet.
O vídeo tinha sido editado, o rosto de Lorenzo não aparecia em nenhum momento, e o de Rafael estava pixelado. Mesmo assim, a presença dele era tão marcante que nem o pixel conseguia apagar.
Alguém até reconheceu o relógio que ele usava no pulso, um Fio edição mundial limitada, exemplar único.
Em pouco tempo, vários assuntos escalaram entre os mais comentados:
#IdentidadeDoMistériosoGrandeCalibreNoAeroporto
#AFaxineiraDoLadoDoGrandeCalibre
#IdentidadeDaFaxineiraRevelada
Internautas mais habilidosos logo descobriram quem era Rafaela Sousa. Farmacêutica de um instituto de pesquisa, e vivia postando fotos do tal namorado misterioso nas redes sociais.
Só que namorado, ninguém nunca tinha visto.
Agora parecia óbvio que namorado não existia nenhum. Ela não passava de uma empregada na casa de um homem poderoso.
Na casa dos Sousa.
Rafaela viu os assuntos mais comentados e o rosto dela torceu de raiva.
Ela fez uma ligação: "Me manda a lista de contratações recentes do instituto."
No dia seguinte, Serena foi direto ao Instituto de Pesquisa, instalado numa chácara nos arredores da cidade.
O lugar era ligado à família Duarte e representava o que havia de mais avançado na área médica no mundo inteiro.
O motivo de Serena estar ali era um ingrediente específico para o tratamento do problema de equilíbrio de Zara, um componente que tinha sumido do mercado havia seis anos.
A última reserva existente estava guardada justamente no instituto dos Duarte.
Se conseguisse reunir todos os componentes necessários, Zara poderia correr e pular como qualquer outra criança, sem viver caindo e se machucando a cada dois passos.
Mal entrou pela porta, Serena já encontrou Rafaela de uniforme, com dois assistentes ao lado.
Ao ver Serena, um sorriso frio abriu no canto dos lábios de Rafaela.
"Desde quando qualquer um pode entrar aqui para entrevista?" ela perguntou para a recepcionista com um tom de quem não está satisfeita. "Agora aceitam qualquer pessoa aqui dentro?"
Ela tinha checado na véspera, e o nome de Serena não estava na lista de funcionários admitidos. Logo, ela só poderia estar ali para uma entrevista.
A recepcionista tentou explicar: "Esta senhorita pode ser..."
"Deixar entrar sem confirmar identidade," Rafaela disse com desdém, "com medo de que ela venha roubar alguma coisa?"
"Eu não tenho experiência em roubar nada," Serena respondeu com um sorriso tranquilo, "mas a senhora Sousa parece ser expert no assunto. Por que não me ensina?"
O rosto de Rafaela mudou numa fração de segundo.
Ela olhou ao redor e percebeu que várias pessoas estavam disfarçando o riso.
Lembrando dos assuntos do dia anterior, ela tremeu de raiva e levantou a mão para dar uma bofetada em Serena.
A mão foi segurada com firmeza pela mão bonita de Serena antes de chegar a qualquer lugar.
"Senhora Sousa," Serena disse com aquele meio-sorriso de quem está se divertindo, "quer aparecer nos assuntos mais comentados de novo?"
Rafaela recuou a mão constrangida.
Virou-se furiosa para a recepcionista: "Não está vendo que tem um cachorro latindo por aí? Chama a segurança logo!"
"Quem está latindo?" Serena perguntou, levinho.
"O cachorro está latindo!" Rafaela gritou.
"Ah, que latido bonito." Serena bateu palmas com calma. "Me diz, qual é a raça?"
"Você..." Rafaela abriu a boca para responder e percebeu na hora que se falasse mais alguma coisa era ela mesma que virava o cachorro da história.
Engoliu em seco, segurou a raiva com força e ficou olhando para a recepcionista com o rosto em brasa.
A recepcionista sabia da relação entre Rafaela e Rafael e não tinha coragem de contrariá-la. Pegou o telefone depressa para chamar a segurança.
Foi então que Serena caminhou até o balcão com passos elegantes e pausados, e depositou um cartão de visitas na frente da recepcionista.
Ao ver o cartão, a expressão da recepcionista mudou completamente.
Rafaela não tinha visto nada. Ficou esperando a recepcionista agir, e como ela não se mexia, Rafaela estava prestes a ligar ela mesma.
Naquele instante, a porta do instituto se abriu de novo.
Rafael Duarte entrou. Hoje ele estava de terno.
Tinha menos daquela selvageria de antes, e mais de uma elegância altiva que não pedia licença.
"Rafa, essa mulher invadiu o instituto!" Rafaela foi logo fingindo fragilidade.
Rafael olhou para Serena, e o fundo dos olhos dele ganhou um brilho de quem está tentando entender alguma coisa.
Que coincidência cruzar com essa mulher de novo. Ou não seria coincidência nenhuma?
Ele tinha sido chamado pela avó, que disse que o instituto receberia naquele dia uma médica brilhante chamada Thea, e pediu que ele a acompanhasse até a casa da família para uma visita.
Rafael olhou para o cartão que estava na mão da recepcionista. O nome em inglês era exatamente esse: Thea.
A recepcionista, que não tinha conseguido falar desde o começo, finalmente teve sua chance: "Sr. Duarte, esta é a senhorita Thea, que entra no instituto hoje!"
Rafaela ficou sem expressão por um segundo: "O que você está dizendo? Essa mulher..."
"Senhorita Sousa," a recepcionista se virou e sorriu para Serena, "esta é a nossa consultora especial, a senhorita Thea. Pode me acompanhar, que eu mostro o seu laboratório!"