No dia em que Ana Beatriz estava prestes a partir, Leonardo apareceu novamente.
Os olhos vermelhos, o olhar fixo nas malas ao lado dela.
A respiração pesada.
“Aninha… você vai embora de novo… não é?”
Nesse momento, ele já não tinha mais nenhuma razão.
Não suportaria vê-la desaparecer outra vez diante dos seus olhos.
Ele enlouqueceria.
Antes mesmo de terminar de pensar, já havia avançado e agarrado o pulso dela.
“Aninha, vem comigo…”
A força era grande demais.
Ana Beatriz sentiu dor e tentou se soltar, mas não conseguiu.
Paulo avançou imediatamente, puxando-a para trás e protegendo-a.
“Sr. Leonardo, se controle.”
Essa frase foi o estopim.
A raiva de Leonardo explodiu.
Ele deu um soco violento no rosto de Paulo.
“Cala a boca!”
“O que eu tenho com a Aninha não diz respeito a você!”
Paulo recebeu o golpe, mas revidou na mesma hora.
Os dois começaram a brigar.
Ana Beatriz pegou o celular imediatamente, pronta para chamar a polícia.
Ao mesmo tempo, o assistente de Leonardo chegou com vários seguranças.
Em segundos, Paulo foi contido.
Só então Leonardo voltou a olhar para Ana Beatriz.
Ao ver que ela realmente pretendia denunciar, o olhar dele se tornou ainda mais sombrio.
“Aninha, vem comigo.”
Nos olhos dele, uma obsessão inquieta.
Ela lutou com todas as forças.
Mas foi completamente dominada.
Leonardo a arrastou à força até o carro.
Paulo, imobilizado pelos seguranças, gritou desesperado:
“Leonardo, solta ela!”
“O corpo dela não aguenta isso!”
“Você vai matar ela!”
Mas Leonardo não ouvia mais nada.
Na cabeça dele, só havia um pensamento:
Ele não podia deixá-la ir.
Quando a porta do avião particular se fechou, ele finalmente sentiu um traço de realidade.
Ana Beatriz o encarou, furiosa.
“Leonardo, isso é sequestro!”
“Você enlouqueceu?!”
Ele não respondeu.
Apenas levou um copo de água morna até os lábios dela.
A voz estranhamente suave:
“Aninha, você está cansada.”
“Dorme um pouco.”
“Quando acordar… estaremos em casa.”
Ana Beatriz riu, fria, e virou o rosto.
“Casa?”
“Que casa nós ainda temos?”
A voz fraca.
Mas cortante.
“Leonardo… você não sente nojo de si mesmo?”
O coração dele se contraiu com força.
Ele fechou os olhos por um instante, tentando conter o que transbordava.
Sabia que ela não cederia.
Então escolheu outro caminho.
Segurou o queixo dela.
E forçou a água, misturada com sedativo, garganta abaixo.
Ela tossiu, lutou.
Mas a consciência foi cedendo.
Afundando na escuridão.
Leonardo a segurou quando o corpo dela perdeu força.
Encostou a testa na dela.
A voz baixa, quebrada:
“Me desculpa, Aninha…”
“Eu só… não posso te perder de novo.”
“Vai dar certo…”
“Vai dar…”
Quando ela acordou novamente, já estava no quarto da antiga casa da família Arantes.
A porta foi aberta suavemente.
Leonardo entrou, carregando uma bandeja com mingau e acompanhamentos.
O rosto cauteloso.
“Aninha… você acordou?”
Ele caminhou rapidamente até a cama, colocou a bandeja de lado e estendeu a mão para tocar a testa dela.
“Você está se sentindo mal?”
“Está com fome?”
“Eu pedi para prepararem o mingau de frango que você gostava…”
Antes que seus dedos tocassem, ela virou o rosto bruscamente.
E evitou o contato.
Ana Beatriz se apoiou e se sentou.
O rosto pálido como papel.
“Leonardo…”
“Você só vai me deixar em paz quando eu morrer?”
A mão dele ficou suspensa no ar.
Sem saber onde pousar.
O rosto perdeu toda a cor.
A voz tremia:
“Aninha… não fala assim…”
“Tem um mal-entendido entre a gente…”
“Me dá um tempo…”
“A gente conversa com calma…”
“Se você ficar… a gente pode voltar ao que era antes—”
“啪!”
O som seco do tapa ecoou.
Ela o atingiu com força no rosto.
“Não existe mais ‘antes’, Leonardo!”
O rosto dele virou para o lado.
Uma marca vermelha surgiu rapidamente.
Mas ele parecia não sentir dor.
Em vez disso, olhou para a mão dela, nervoso.
“Doeu?”
“Aninha… você não se machucou?”
O foco dele…
Sempre distorcido.
Sempre errado.
Ana Beatriz puxou a mão de volta com força.
Como se tivesse tocado algo sujo.
A dor familiar voltou ao peito, causada pela agitação.
Ela não quis mais olhar para ele.
Fechou os olhos.
Exausta.
“Sai.”