De repente, o céu desabou em uma chuva torrencial.
Leonardo não se moveu.
Em vez disso, ajoelhou-se no meio do pátio.
De forma rígida.
Imóvel.
Os olhos fixos na porta fechada.
Esperando que ela saísse.
Que olhasse para ele.
Nem que fosse uma única vez.
Mas nada aconteceu.
Parecia que…
Ela realmente não o amava mais.
No instante em que percebeu isso, o coração foi tomado por uma dor fina e contínua, como milhares de agulhas perfurando-o ao mesmo tempo.
Dentro da casa.
Ana Beatriz estava encostada no sofá.
Exausta.
O reencontro e toda aquela tensão haviam consumido toda a sua energia.
Paulo percebeu o cansaço dela.
Serviu um copo de água morna e entregou.
“Cansada, né? Bebe um pouco.”
“Vou preparar um macarrão. Daqui a pouco você precisa tomar os remédios.”
Ela abriu levemente os lábios, querendo recusar.
Mas ele já havia se virado e ido para a cozinha.
Ela ficou olhando as costas dele.
E, no fim, não disse nada.
A mão de Paulo parou por um instante enquanto ele cortava os ingredientes.
“Ele é o motivo… de você ter perdido a vontade de viver antes?”
Mesmo tendo ouvido apenas parte da discussão, ele já havia entendido o suficiente.
Ana Beatriz ficou em silêncio.
Quando ele achou que ela não responderia, ela falou baixinho:
“Já foi.”
Ela sorriu de leve.
Um sorriso quase imperceptível.
“Mas agora não é mais.”
O Leonardo de agora só despertava nela cansaço.
E irritação.
Com que direito ele achava que um arrependimento tardio poderia apagar tudo?
Paulo hesitou.
Depois perguntou, com cuidado:
“E agora… você ainda ama ele?”
Ana Beatriz ficou um segundo em silêncio.
Depois curvou levemente os lábios.
“Eu pareço tão idiota assim?”
Um amor que queimava até os ossos…
Uma vez na vida já era suficiente.
Paulo soltou um suspiro quase imperceptível.
E não insistiu mais.
Pouco tempo depois, ele trouxe o macarrão.
Colocou diante dela.
“Come enquanto está quente.”
“Você ainda está em recuperação. Não pode parar os remédios.”
Ana Beatriz olhou para o vapor subindo do prato.
Um leve sorriso apareceu.
“O doutor Paulo trata todos os pacientes assim?”
Ela abaixou o olhar.
A voz suavizou.
“Talvez eu tenha tido sorte.”
“Talvez Deus tenha achado que eu ainda não devia morrer.”
Paulo sorriu.
Mas não respondeu.
Ele foi até a janela e abriu a cortina.
Ao olhar para fora, ficou surpreso.
“Ele ainda está ajoelhado.”
“Com essa chuva toda… você não vai sair para ver?”
“Tudo o que ele faz é escolha dele.”
A voz de Ana Beatriz era completamente calma.
“Se ele quer ficar ajoelhado, que fique.”
Ela seguiu o olhar de Paulo.
Na chuva intensa, aquela figura estava borrada, instável.
Mas, nos olhos dela, não havia nenhum traço de dor.
Apenas uma sensação de absurdo.
Antes, ele tinha olhos apenas para Valentina.
Ela escolheu soltar.
Agora, ele se ajoelhava ali dizendo que se arrependia.
Era ridículo.
Paulo olhou para o rosto dela.
Calmo.
Sem ondas.
Depois falou de repente:
“Você perguntou se eu trato todos os pacientes assim.”
Ele se virou.
O olhar firme, direto nos olhos dela.
“Não.”
“Eu faço isso porque é você.”
A voz era baixa.
Mas clara.
“Desde a primeira vez que te vi, senti que você era diferente.”
“Eu gosto da sua lucidez… e da sua força.”
“Antes, eu achava que você ainda não tinha superado ele… então não tive coragem de falar.”
Ele fez uma pausa.
Um leve brilho suave surgiu em seus olhos.
“Mas agora que você decidiu seguir em frente…”
“Ana… você pode me dar uma chance?”
Ana Beatriz não conseguiu sustentar aquele olhar.
Virou o rosto instintivamente.
As orelhas ficaram levemente quentes.
Mas, no fundo do coração, o que surgiu não foi alegria.
Foi medo.
Ela já havia dado tudo de si uma vez.
E, em troca, recebeu uma traição irreconhecível.
Ela não tinha coragem de entrar em outra relação.
Paulo não esperava uma resposta imediata.
Mas, ao ver o silêncio dela, ainda assim sentiu uma dor leve no peito.
Depois de um tempo, suspirou suavemente.
“Tudo bem.”
“Eu posso esperar.”
“E você não precisa se sentir pressionada.”
“Além de ser alguém que gosta de você… eu também sou seu médico.”
O nariz de Ana Beatriz ardeu.
Ela respondeu em voz baixa:
“Obrigada.”
Ela desviou o olhar.
E olhou para a chuva lá fora.
“Vamos voltar amanhã.”
Ela não queria desperdiçar mais nenhum segundo com Leonardo.
Para ela, ele já era apenas um estranho.
Do lado de fora, o céu escurecia.
Paulo não saiu em nenhum momento.
Leonardo não ousava imaginar o que poderia acontecer entre eles dois, sozinhos dentro daquela casa.
Só de pensar nisso, o ciúme apertava seu coração como uma vinha sufocante.
Só agora ele entendeu.
O quanto Ana Beatriz deve ter sofrido quando ele estava com Valentina.
Ele realmente havia errado.
Completamente.
A chuva fria batia com força sobre seu corpo.
O frio penetrava até os ossos.
Ele tremia.
A visão ficava cada vez mais turva.
Não se sabia quanto tempo passou.
Até que, por fim, Leonardo não conseguiu mais se sustentar.
Seu corpo tombou para frente—
E ele perdeu completamente a consciência.