Cidade de Porto Azul.
Depois de resolver o caso de Valentina, Leonardo tentou se matar mais uma vez.
Numa estrada de montanha, no meio da madrugada, os pneus rasparam no asfalto molhado, soltando um som estridente. O carro perdeu o controle e bateu violentamente contra a proteção lateral.
O airbag explodiu.
O cheiro de sangue se espalhou.
Quando o tiraram dos destroços, o rosto dele estava coberto de sangue, mas ele mantinha os olhos abertos.
E sorria.
“Aninha… dessa vez… doeu o suficiente?”
Depois vieram o resgate, a cirurgia, a internação.
Mas, menos de uma semana após a alta, ele já estava novamente do lado de fora do parapeito de uma ponte sobre o mar.
No instante em que fechou os olhos e se inclinou para frente, foi derrubado ao chão por policiais.
Uma vez.
Duas vezes.
Três vezes…
Ele tentava morrer repetidamente.
E era puxado de volta à vida, repetidamente.
O corpo foi sendo consumido.
Mas o sistema nunca mais apareceu.
Até que ele subiu ao topo de um prédio abandonado, no décimo andar.
Quando chegou à beira, seu rosto tinha uma calma estranha.
Quase um alívio.
“Leonardo! Fica onde está!”
Um grito velho e desesperado ecoou.
A mãe dele, apoiada pelo mordomo, correu até o terraço. Ao ver o filho à beira da morte, o corpo inteiro começou a tremer.
“Até quando você vai continuar com isso?!”
Ela avançou passo a passo, a voz carregada de frustração e dor.
“Você fingiu a própria morte por três anos e deixou a família nas mãos da Ana, e eu deixei.”
“Você quis se envolver com a Valentina, e eu também deixei!”
Ela parou a poucos passos dele, o peito subindo e descendo com dificuldade.
“Agora a Ana está morta, a família está à beira do colapso.”
“Você quer que eu também morra para ficar satisfeito?!”
Leonardo ficou imóvel.
De costas.
Sem responder.
As lágrimas finalmente caíram do rosto dela.
A voz suavizou, restando apenas cansaço.
“Leo… a mãe te implora… desce daí.”
“A família só tem você.”
“E eu… também só tenho você.”
Ele se virou lentamente.
O rosto coberto de lágrimas, misturado com poeira.
Desfeito.
Ao ver o rosto da mãe, subitamente envelhecido, seus joelhos cederam.
Ele caiu de joelhos no chão.
A voz quebrada, sufocada:
“Mãe… eu não consigo esquecer.”
“Quando fecho os olhos… só vejo ela.”
“Eu não consigo viver…”
Todas as palavras de reprovação ficaram presas na garganta dela.
Depois de um longo silêncio, ela tirou uma foto do bolso do casaco e colocou diante dele.
A imagem era extremamente borrada.
O fundo parecia uma rua estrangeira.
Uma mulher de vestido bege claro, usando um chapéu de aba larga, estava entrando de lado em um café.
Leonardo levantou a cabeça de repente.
Os olhos fixos na foto.
Mesmo que fosse apenas um contorno indistinto—
“É a Aninha…”
Ele murmurou.
No instante seguinte, a voz se elevou, tomada por uma alegria desesperada.
“É ela! Mãe, onde é isso? Onde ela está?!”
A mãe o observou.
O olhar dele reacendia como fogo.
Ela suspirou, complexa.
“Um velho amigo tirou essa foto por acaso… disse que parecia com ela, mas não tem certeza.”
Ela queria confirmar antes de contar.
Mas, vendo o estado dele agora—
Temia que ele não aguentasse até lá.
“É ela!”
Leonardo falou com convicção absoluta, segurando a foto como se fosse a única coisa que o mantinha vivo.
Ele se levantou cambaleando.
Nos olhos, uma chama obsessiva voltou a arder.
“Tem que ser ela! Ela está viva…”
“Eu vou encontrá-la! Agora!”
Ele se virou e saiu correndo.
“Leo!”
A mãe o chamou.
Por fim, apenas acenou com a mão, cansada.
“Vai…”
“Mas traga ela de volta viva.”
Ao mesmo tempo, na Suíça.
O encontro internacional de pacientes com doenças raras havia acabado.
Paulo acompanhava Ana Beatriz de volta.
Eles caminhavam lado a lado.
Ela, magra e delicada.
Ele falava algo em voz baixa.
Ela inclinava levemente a cabeça para ouvir.
Um sorriso suave se formava em seus lábios.
E foi exatamente essa cena—
Que Leonardo, que acabara de chegar às pressas, viu por completo.
“Ana Beatriz!”
Os dois viraram a cabeça instintivamente.
Uma figura surgiu de lado, correndo com o corpo coberto de poeira e frio.
Antes que ela pudesse reagir—
Ele a puxou violentamente para os braços.
Os braços a apertaram com força.
Quase sufocante.
O corpo dele tremia, quente, pressionado contra o dela.
Aquele cheiro familiar, agora carregado de amargura, a envolveu por completo.
A voz dele saiu rouca.
Com alegria desesperada e emoção contida:
“Aninha…”
“Eu finalmente te encontrei.”