《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 17

Ao mesmo tempo, em um pequeno país tranquilo do hemisfério sul.

Quando Ana Beatriz recebeu a mensagem, não houve sequer uma ondulação em seus olhos.

Ela tocou levemente a tela com a ponta dos dedos e respondeu apenas duas palavras:

【Tudo bem.】

Todo aquele turbilhão de amor e ódio, as mentiras cuidadosamente construídas e o arrependimento tardio… tudo parecia pertencer a outra vida.

A porta foi aberta suavemente.

Paulo entrou, trazendo um copo de leite morno.

Seu olhar caiu primeiro sobre o rosto dela.

“Você está com uma aparência melhor do que ontem.”

O tom era natural. Ele colocou o copo ao lado dela.

“Mas seus olhos estão cansados. Ficou acordada estudando casos clínicos de novo?”

Ana Beatriz voltou à realidade e encontrou o olhar dele.

Calmo.

Mas atento.

E, naquele instante, aquela hesitação escondida e um desejo silencioso surgiram dentro dela.

“Doutor Paulo… eu realmente posso melhorar?”

Assim que terminou de falar, ela mesma ficou surpresa.

Claramente já havia aceitado a morte há muito tempo.

Mas, no fundo, ainda queria se agarrar a uma possibilidade de viver.

Paulo sorriu.

“Seus dados cardíacos e pulmonares mais recentes estão quinze por cento mais estáveis do que há três meses.”

“No teste de força muscular, você passou em dois critérios a mais.”

A voz dele era firme, segura.

“Você vai melhorar, Ana.”

Naquele instante, um brilho passou rapidamente pelos olhos dela, como uma estrela piscando na noite.

Ela se lembrou dos dias depois que partiu.

Viajando por vários países, vivendo de forma quase autodestrutiva.

Tentando tudo aquilo que Leonardo havia proibido.

Salto de paraquedas.

Mergulho profundo.

Corridas off-road.

Na velocidade fora de controle e na sensação de queda, ela encontrou uma liberdade dolorosa.

Achava que viveria assim até o fim.

Até aquele mergulho.

A sensação familiar de asfixia veio com violência, mais forte do que nunca.

Ela soltou o regulador e deixou o corpo afundar.

Antes de perder a consciência, sentiu uma estranha paz.

Como uma libertação.

Quando acordou, tudo era branco.

O cheiro de desinfetante dominava o ar.

Paulo estava ao lado da cama.

A voz fria, como uma lâmina cirúrgica:

“Você sabe que quase não acordou mais?”

Ele a salvou.

“Sua função cardiopulmonar está gravemente comprometida, e ainda assim você mergulha sozinha?”

“Quer morrer?”

Ana Beatriz virou o rosto.

A voz calma.

“Eu não viveria muito de qualquer forma.”

“Quem te condenou à morte?”

De repente, ele segurou o rosto dela e a obrigou a encará-lo.

Nos olhos dele não havia piedade.

Apenas uma avaliação severa.

“Enquanto você estiver viva, ainda existe possibilidade.”

“Se você pode respirar, por que desistir?”

Aquelas palavras foram como água gelada, despertando-a.

Desde então, ela começou o tratamento com ele.

Abandonou a dependência dos medicamentos antigos, adaptou-se às novas terapias, suportou a fraqueza e a dor durante o processo de recuperação.

Paulo era um médico brilhante.

Ajustava cada medicamento com precisão e percebia cada pequena melhora nela.

Em três meses, trouxe-a de volta, pouco a pouco, da beira do abismo.

“O que você está vendo?”

A voz dele a trouxe de volta ao presente.

Ele já havia se aproximado e colocou um convite elegante ao lado do copo de leite.

Ana Beatriz o pegou.

Um encontro internacional de pacientes com doenças raras e crônicas.

Local: Suíça.

“Vai dar uma olhada.”

O olhar dele repousou sobre o convite.

“Lá há muitas pessoas que enfrentaram situações ainda mais difíceis que a sua.”

“Algumas foram consideradas incuráveis.”

Ele fez uma pausa e voltou a olhá-la.

Nos olhos, havia encorajamento.

E algo mais profundo.

“Você vai perceber que querer viver desesperadamente e querer viver melhor nunca foi fraqueza.”

“Isso, por si só, já é uma forma de força.”

Os dedos dela deslizaram pela textura do papel.

Ela ficou olhando por um longo tempo.

Então levantou a cabeça.

E assentiu suavemente.

No fundo de seus olhos, algo que estava adormecido há muito tempo começou, silenciosamente, a despertar.

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