Cada palavra entrou com precisão fria nos ouvidos de Leonardo, do lado de fora da porta.
Ele permaneceu imóvel.
O rosto sem qualquer expressão.
Apenas nos olhos, o frio se acumulava pouco a pouco, endurecendo até se transformar em gelo que nunca mais derreteria.
Então era isso.
Aquela compreensão, aquela sensação de redenção que ele tentou agarrar com todas as forças…
Do começo ao fim, não passava de uma mentira cuidadosamente construída.
O sentimento verdadeiro que ele havia desprezado como algo sem valor, aos olhos de outra pessoa, era apenas uma obsessão absurda, digna de um louco.
E ele, por causa desse calor ilusório, perdeu o que tinha de mais precioso.
Perdeu Aninha.
Ele empurrou a porta lentamente.
Dentro do quarto, o sorriso de satisfação nos lábios de Valentina congelou no mesmo instante.
No reflexo do espelho apareceu a figura parada à porta, sem que ela tivesse percebido antes.
Silencioso.
Mas carregado de uma intenção mortal.
O sangue desapareceu do rosto dela.
A voz saiu tremendo, quebrada:
“Le… Leo… quando você voltou?”
Leonardo entrou.
Passo a passo.
O olhar desceu sobre ela, frio, como se estivesse diante de algo sujo.
“Por que parou de falar?”
“Brincar comigo… foi divertido?”
“Não! Não foi! Leo, me escuta, eu posso explicar!”
Valentina entrou em pânico.
Correu em direção a ele, tentando agarrar seu braço, mas foi afastada com repulsa.
Ela caiu no chão, desequilibrada.
Nem se importou com a dor.
Começou a falar de forma desordenada, quase gritando:
“Eu menti… sim, eu menti! Mas foi porque eu te amo!”
“A Ana Beatriz nunca te entendeu! Ela só te atrapalhava!”
“Só eu penso em você de verdade! Eu não suportava te ver sofrer, foi por isso que fiz tudo aquilo!”
Leonardo soltou uma risada baixa.
Como se tivesse ouvido a coisa mais absurda do mundo.
“Um sentimento construído com mentiras…”
Ele se inclinou lentamente.
Os olhos cheios de desprezo.
“Valentina, o seu amor… é nojento.”
O olhar dele passou pelo ventre dela.
Agora não havia qualquer traço de emoção, apenas frieza e uma irritação profunda.
“Você não disse que eu sou um louco?”
De repente, ele se agachou diante dela.
Um sorriso cruel surgiu no canto dos lábios.
“Talvez você esteja certa.”
“Eu enlouqueci…”
“Para confundir vidro quebrado com uma pérola.”
Ele se levantou.
Não olhou mais para ela.
A voz fria:
“Levem ela.”
“Para um hospital psiquiátrico.”
“Lá há muita gente interessante.”
“Com o talento que a Srta. Valentina tem para atuar, não vai se sentir sozinha.”
Dois seguranças de preto entraram imediatamente.
“Leonardo! Você não pode fazer isso comigo!”
“Eu estou grávida!”
“Eu sou sua esposa!”
“Me solta—!”
O grito foi interrompido abruptamente.
Valentina foi arrastada com força.
Debatendo-se.
Gritando.
Amaldiçoando.
Até desaparecer no fim do corredor.
Leonardo permaneceu onde estava.
A figura rígida.
Como uma lâmina.
Mas, nos olhos, restava apenas um vazio assustador.
Ao longe, em um canto discreto do jardim, um carro preto estava estacionado em silêncio.
Dentro dele, o Dr. Ricardo abaixou o binóculo.
Assistiu a tudo sozinho, sem dizer nada.
Pegou o celular.
Os dedos pairaram por alguns instantes.
Então escreveu:
「Leonardo já descobriu a verdade sobre Valentina. O irmão morreu há anos, o sistema era mentira, e no leilão foi ela quem provocou. Ela foi enviada para um hospital psiquiátrico.」
Após um breve silêncio, acrescentou mais uma frase:
「Você está bem?」