《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 14

Depois daquele dia, Leonardo enlouqueceu por completo.

Ele não voltou mais à empresa, não quis ver ninguém. Trancou-se dia após dia naquele pequeno retiro isolado onde Ana Beatriz havia se recuperado sozinha após o casamento.

O quarto logo se encheu de livros de ocultismo, manuscritos cobertos de símbolos estranhos e anotações confusas. Como alguém à beira da morte segurando a última esperança, ele se agarrou obsessivamente à ideia de “reencontrar” o sistema.

Ele acreditava, com uma convicção quase doentia, que bastava o sistema reaparecer para inverter a vida e a morte e trazê-la de volta.

Por isso, voltou a trilhar um caminho quase autodestrutivo.

No meio da noite, à beira de um penhasco, gritava o nome do sistema para o vazio, deixando o vento invadir suas roupas. Seguia métodos descritos em textos obscuros, ferindo o próprio corpo, convencido de que a dor extrema poderia arrancar alguma resposta do desconhecido.

Mas, todas as vezes, além de novas feridas e hematomas, não conseguia nada.

A cidade inteira comentava que o herdeiro da família Arantes, sempre frio e decisivo, havia enlouquecido completamente.

Só ele sabia.

Não era loucura.

Ele só queria vê-la de novo.

Apenas isso.

Passava longos períodos deitado, murmurando para o vazio, ou repetindo sem parar a única gravação que restava, na qual ele e Ana Beatriz conviviam em paz.

No vídeo, o sorriso dela era leve.

Mas, para ele, era como uma lâmina cega, abrindo repetidamente feridas que já estavam em carne viva.

A polícia ligava para tratar das investigações do incêndio, e ele recusava atender.

O assistente levava documentos, avisando que o prazo para o destino do corpo de Ana Beatriz estava se esgotando, e ele ignorava completamente.

O mundo dele havia se reduzido a uma única crença, distorcida e inabalável:

Encontrar o sistema.

Trazer Ana Beatriz de volta.

Eles tinham prometido envelhecer juntos.

Como ela podia quebrar a promessa primeiro?

Perdido em pensamentos, ele ouviu a porta se abrir suavemente.

Leonardo levantou a cabeça de repente.

Nos olhos, uma chama acendeu, como se algo morto tivesse voltado à vida. Quase sem perceber, murmurou em voz rouca:

“Aninha… é você? Você voltou?”

Ele se levantou cambaleando, olhando ansioso para a porta.

Mas, no instante em que reconheceu quem estava ali, aquela chama se apagou rapidamente, até restar apenas um vazio frio.

Era Valentina.

“O que você veio fazer aqui?”

A voz dele era fria, dura, sem sequer se dar ao trabalho de encará-la direito.

O sorriso que ela tentava manter no rosto congelou.

Ela apertou com força a alça da marmita térmica.

“Eu vim te ver, Leo.”

“Nós já estamos casados. Eu sou sua esposa.”

“Olha para você… nesse estado.”

“Afinal, o que você acha que eu sou?”

Leonardo soltou um riso baixo, carregado de desprezo.

“Aquele casamento, do começo ao fim, foi uma piada.”

O corpo de Valentina tremeu. A marmita caiu no chão com um estrondo, e o caldo quente se espalhou de forma desordenada.

“Leonardo! Eu estou grávida do seu filho! Como você pode dizer isso?!”

Pela primeira vez, o olhar dele desceu até o ventre levemente elevado dela.

Mas não havia ternura.

Nem expectativa.

Apenas uma frieza profunda, quase impiedosa.

A voz saiu calma, mas cruel:

“Se você não quiser, pode abortar.”

O mundo de Valentina pareceu desmoronar naquele instante.

Todos os seus disfarces, cálculos e a dignidade que tentava manter foram destruídos por aquela frase.

Ela perdeu completamente o controle e gritou:

“Leonardo! Com que direito você me trata assim?!”

“Nós já estamos casados! A Ana Beatriz está morta!”

“E você… por causa de uma morta… vai tratar assim a mim e ao nosso filho?”

“O que eu faço? E o nosso filho?!”

Leonardo a observava com indiferença. Só sentia um cansaço profundo e uma irritação crescente.

Ele levantou a mão e pressionou a têmpora, sem qualquer emoção, depois virou-se, sem olhar para trás.

“Saia. Estou ocupado. Não tenho tempo para ouvir isso.”

“Ocupado? Ocupado com o quê?!”

Valentina correu até ele, segurando seu braço com força, obrigando-o a encará-la.

“Olha esse quarto! Esses símbolos absurdos!”

“Você ainda está procurando aquele sistema que nem existe? Ou pretende sair de novo, como um louco, para se matar?!”

“Leonardo, acorda! Não existe sistema nenhum! Tudo aquilo foi—”

Ela não conseguiu terminar.

Leonardo congelou.

Virou lentamente o rosto.

Nos olhos, algo mudou. Como se uma tempestade tivesse sido subitamente congelada.

Ele a encarou, a voz rouca e perigosa:

“O que você disse agora?”

“Você não acredita na existência do sistema?”

Ele deu um passo à frente, a presença esmagadora.

“Então me diz…”

“No começo…”

“Por que você disse…”

“Que também esteve ligada a um sistema?”

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