Como responder?
O que dizer para dissipar as suspeitas de Leonardo?
Valentina viu os olhos negros de Leonardo gradualmente se encherem de uma luz fria, seu coração apertou, e sem pensar, sacudiu a mão dele: "Tive um pesadelo ontem."
Leonardo hesitou, nem sequer deu importância ao fato de que sua mão foi empurrada.
Valentina não olhou para sua expressão, abriu as próprias cicatrizes que tanto tentara esconder, e então as contou uma a uma: "Sonhei… que depois da formatura você terminou comigo, eu não concordei, discutimos no carro, e aconteceu um acidente."
"Para me proteger, você ficou aleijado das pernas, minha família, para que você me perdoasse, me mandou para a Islândia… por dois anos inteiros, fiquei sozinha na Islândia, sem ninguém se importando, sem ninguém perguntando, trabalhava em fast-food enquanto desenhava madrugadas adentro."
"Pedi a uma amiga para enviar meus trabalhos para publicação aqui, mas ela os roubou e ficou com você."
"No final…"
Ao chegar aqui, todo o corpo de Valentina já tremia incontrolavelmente.
O coração de Leonardo latejou intensamente, instintivamente quis envolvê-la em seus braços.
Mas Valentina evitou-o, cerrando os dentes, determinada a dizer a última frase: "No final, um incêndio começou, fiquei presa no fogo sem poder sair, e você entrou… e levou a amiga que me traiu."
"Eu via vocês irem embora, até desaparecerem…"
Valentina fechou os olhos, mas a cena ainda surgia em sua mente, clara e detalhada.
As lágrimas logo começaram a cair incontrolavelmente.
Desta vez, Leonardo realmente ficou perplexo.
"Val… foi só um sonho, não é real." Ele parecia um pouco perdido, ainda assim rapidamente abraçou Valentina.
Sua mão larga e forte acariciava suas costas de leve, como se estivesse acalmando um gatinho: "Sonhos são o oposto, como eu poderia tratá-la assim? E o Sr. e a Sra. Valentina também não a mandariam para um lugar tão longe."
"Pare de chorar, hein? Não pense demais."
"Achei estranho você estar tão quieta e distraída o dia todo, e era por causa de um sonho inexistente. E ainda se envolveu tanto que nem deu atenção a mim."
"Val…" Ele suspirou suavemente, "Eu realmente sou muito inocente."
No começo, ao ouvir as primeiras frases de Leonardo, Valentina ainda pensava: como assim não? Ela dizia que era um sonho, mas na verdade era sua própria experiência.
Ninguém se importava com ela, ninguém se preocupava.
Quanta dor havia, só ela mesma sabia.
Só de pensar em Leonardo abandonando-a no fogo, o coração de Valentina doía.
Mas ao ouvir aquele suspiro, Valentina de repente congelou, e as lágrimas também pararam.
O Leonardo diante dela era completamente diferente daquele que conhecia—
eles não eram a mesma pessoa, o Leonardo que conhecia não seria tão gentil, não se importaria tanto com seus sentimentos, muito menos a consolaria com tanta paciência.
Como um sonho…
Ela olhou para as dobras do terno nas costas do homem, involuntariamente apertando-o mais.
Não podia negar, realmente desejava depender do Leonardo diante dela.
Sonho ou não, apropriando-se do ninho ou não, mesmo que fosse punida depois… deixe-a desfrutar um pouco mais do amor de Leonardo, só um pouco mais, só mais um pouco.
Sentindo finalmente a reciprocidade emocional de Valentina, Leonardo suspirou de alívio, sem demonstrar.
Ele lentamente a soltou, e então esticou a mão, usando a ponta dos dedos para enxugar as marcas de lágrimas em seu rosto, sussurrando suavemente: "Não chore, reservei seu restaurante favorito, a Senhorita Valentina me faz a honra de jantar comigo?"