《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 9

O bombeiro olhou para o rosto pálido de Leonardo.

Ainda assim, foi obrigado a continuar, em voz baixa:

“A confirmação oficial ainda precisa ser feita pelo senhor.”

“Isso… foi encontrado no local.”

Ele entregou um saco plástico transparente.

Dentro—

Uma parte de uma pulseira de relógio, deformada e enegrecida pelo fogo.

Era o presente de aniversário que ele havia feito para ela anos atrás.

No mostrador—

Havia um pequeno detalhe, uma nota musical azul.

As pupilas de Leonardo se contraíram violentamente.

Ele deu um passo para trás.

Mas, como se fosse puxado por uma força invisível—

Deu um passo à frente.

Depois outro.

Movimentos rígidos.

Aproximando-se, pouco a pouco.

No terreno aberto ao lado dos escombros—

Um corpo coberto por um pano branco estava ali, em silêncio.

Leonardo parou diante dele.

A mão tremia.

Tentou várias vezes—

Mas não conseguiu tocar o tecido.

Por fim—

Puxou de uma vez.

E—

Um corpo carbonizado, encolhido, completamente irreconhecível—

Invadiu sua visão!

“—AH!!!”

O grito explodiu.

Leonardo caiu de joelhos com força.

Os joelhos atingiram o chão úmido e frio.

Os dedos afundaram na terra queimada.

Os nós dos dedos ficaram brancos.

Seus ombros tremiam violentamente.

Mas ele não conseguia nem chorar direito.

A mente—

Explodiu em imagens caóticas.

Três dias atrás, no hospital—

O rosto pálido e resoluto dela.

“Sua forma de amar é pesada demais. Eu não quero… e não preciso mais.”

“Leonardo… admitir que você se apaixonou por ela é tão difícil assim?”

E, mais atrás—

Memórias ainda mais antigas.

Cada vez que ele voltava da beira da morte—

E via o medo e a culpa nos olhos dela—

Aquele cansaço…

Aquela vontade de fugir…

Que ele mesmo nunca quis admitir.

Valentina—

Viva. Saudável.

E, mais importante—

Ela o entendia.

Era como um anestésico.

Aliviando temporariamente o frio deixado por dezenas de mortes.

E o peso sufocante—

Da vida de Ana Beatriz, que se esvaía lentamente.

Ele usou a “tarefa” como desculpa.

Usou “fazer isso por ela” como escudo.

Enganou ela.

E enganou a si mesmo.

Chegou até—

A usar um cadáver falso para enganá-la…

E agora—

Ela havia escolhido partir da mesma forma.

Como se o destino estivesse zombando dele—

Usando o método mais cruel possível—

Para destruir todas as mentiras que ele mesmo construiu.

O calor restante do incêndio misturava-se ao vento frio da noite.

Cinzas batiam em seu rosto.

Ele olhava fixamente para aquele corpo queimado.

O corpo inteiro tremia.

“Aninha…”

A voz dele estava quebrada.

Repetia, uma e outra vez:

“Me perdoa…”

“Me perdoa…”

Mas—

Não havia mais ninguém para responder.

Os funcionários da funerária se aproximaram.

Caminhando com cautela.

O homem de meia-idade à frente hesitou por um instante.

Depois falou:

“Sr. Arantes… sentimos muito.”

“De acordo com o procedimento, precisamos levar o corpo para os próximos trâmites.”

Leonardo parecia não ouvir.

De repente—

Apertou o corpo contra si.

O rosto pressionado contra os cabelos quebradiços e queimados.

A voz rouca, quase irreconhecível:

“Não toquem nela… ela não morreu!”

“A minha Aninha vai viver cem anos… eu vou salvá-la… ela vai voltar!”

Os funcionários trocaram olhares.

Sem saber o que fazer.

Por fim—

Olharam para o assistente, que estava ao lado, com os olhos vermelhos.

O assistente engoliu em seco.

Aproximou-se:

“Sr. Leonardo… deixe a Srta. Ana descansar…”

“Ela sempre gostou de estar bonita…”

“Assim… ela ficaria triste…”

Gostava de estar bonita.

Quatro palavras—

Como agulhas incandescentes.

Cravando-se no cérebro de Leonardo.

Antes—

Mesmo quando estava à beira da inconsciência por causa da dor—

Ela ainda levantava a mão—

Para que a enfermeira arrumasse seu cabelo.

Cada vez que ele voltava, coberto de sangue—

Ela chorava—

Mas sempre tremia enquanto limpava o rosto dele primeiro.

Ela dizia—

Mesmo que fosse morrer—

Queria partir com dignidade.

E agora—

Ela morreu da forma mais cruel.

No lugar que ele construiu.

O corpo de Leonardo tremeu violentamente.

Seus braços, que a seguravam, finalmente afrouxaram.

Ele abaixou a cabeça.

Encostou a testa contra aquele corpo frio.

Os ombros tremiam, em silêncio.

Muito tempo depois—

Ele soltou.

Lentamente.

Com extremo cuidado—

Como se estivesse tocando algo que poderia desaparecer a qualquer momento.

Os funcionários avançaram rapidamente.

Envolveram o corpo com o pano mortuário.

Colocaram na maca.

Leonardo seguiu com os olhos.

Até que—

Aquele branco foi levado para dentro do carro funerário.

A porta—

Se fechou com um som seco.

Ele deu um passo à frente, instintivamente.

Quase correndo atrás—

Mas—

O som de saltos altos veio, apressado.

Se aproximando.

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