No hospital—
O braço direito de Ana Beatriz estava engessado.
Dr. Ricardo chegou às pressas.
Ao ver seu rosto pálido, quase transparente, franziu profundamente a testa:
“Ana Beatriz, você quer morrer?”
“Eu já disse que o seu corpo não aguenta mais nenhum esforço! Parar o remédio por conta própria e ainda se machucar desse jeito…”
Ele bateu com força o prontuário sobre a mesa de cabeceira.
“No máximo… você tem mais seis meses.”
Os cílios dela tremeram levemente.
Mas um sorriso muito tênue surgiu no canto dos lábios:
“Seis meses… é suficiente.”
“Suficiente para ver ele se casar com outra? Suficiente para entregar a família Arantes de bandeja?”
A voz de Ricardo, pela primeira vez, carregava irritação.
“Leonardo não vale a pena! Você—”
“Doutor Ricardo.”
Ana Beatriz o interrompeu suavemente.
Sua voz era calma, como uma água parada:
“Sobre a minha condição… por favor, mantenha em segredo de todos.”
Ricardo olhou para o vazio morto em seus olhos.
No fim—
Apenas suspirou pesadamente.
“Faça como quiser. Mas, pelo menos nesses dias, você precisa ficar internada.”
Antes que terminasse de falar—
A porta do quarto foi aberta com um estrondo.
Leonardo entrou com o rosto sombrio.
Ricardo mal teve tempo de reagir—
Já foi “convidado” a sair pelos seguranças na porta.
Leonardo deu alguns passos largos até a cama.
Parou diante dela, olhando de cima para baixo.
A voz—
Fria como lâmina:
“Ana Beatriz, eu não te disse para não deixar ela saber do nosso passado?”
Ana Beatriz o encarou em silêncio.
Sem dizer uma palavra.
“O que foi que a Valentina fez para você?”
“Você precisava humilhá-la na frente de todo mundo? Ainda empurrar ela?”
A voz dele subiu abruptamente.
“Quando foi que você ficou tão cruel? Ela está grávida, você não sabia?!”
Cruel.
Aquela palavra, saindo da boca dele—
Era especialmente cortante.
De repente, Ana Beatriz achou tudo ridiculamente engraçado.
Ela olhou para aquele homem—
Que a interrogava por outra mulher—
E falou, com voz rouca:
“Leonardo, nesses três anos… você foi feliz, não foi?”
“Sem precisar encarar uma pessoa quase morta como eu… sem precisar ir uma vez atrás da outra para a porta da morte… e agora ainda vai ser pai…”
“Que vida boa.”
Ela fez uma pausa.
Cada palavra, uma sentença:
“E eu?”
“Sustentando a família Arantes no seu lugar, lidando com todos aqueles que queriam tomar tudo… vivendo à base de remédios, sem sequer ousar morrer…”
“Só porque tinha medo de desperdiçar o tempo que você trocou com a própria vida.”
As pupilas de Leonardo se contraíram de repente.
Um traço de pânico passou—
Mas logo foi encoberto por uma raiva ainda maior:
“Você está me culpando agora?”
“Tudo o que eu fiz foi por você!”
“Por mim?”
Ana Beatriz riu.
Um riso cheio de sarcasmo.
“Leonardo, pare de usar ‘por mim’ como desculpa.”
“O seu amor é pesado demais.”
“Eu não quero… e também não preciso mais.”
Ela o encarou diretamente.
Cada palavra, precisa:
“A Valentina caiu sozinha.”
“Foi ela que me puxou.”
“Eu não a empurrei.”
“Acredite ou não… problema seu.”
Leonardo a fitou intensamente.
Tentando encontrar qualquer sinal de mentira.
Mas—
Os olhos dela estavam calmos demais.
Calmos a ponto de causar desconforto.
Ele respirou fundo.
Forçando-se a controlar a raiva:
“Mesmo que você não tenha empurrado…”
“Aquelas palavras… foram suas.”
“A Valentina está emocionalmente instável agora…”
“Vá pedir desculpas a ela.”
“E deixamos isso por aqui.”
Ana Beatriz parecia ter ouvido a maior piada do mundo.
“Por quê?”
“Ana Beatriz!”
A paciência de Leonardo chegou ao limite.
Ele apoiou as mãos com força dos dois lados da cama.
“Você vai lá, pede desculpa, e tudo volta ao normal!”
“Você continua sendo a Senhora Arantes, e nós podemos voltar a ser como antes!”
“Como antes?”
Ela o interrompeu.
A voz, fria:
“Leonardo… não dá mais para voltar.”
“Admitir que você se apaixonou por ela… é tão difícil assim?”
Leonardo congelou.
Olhando para o rosto dela, completamente sem emoção—
Uma mistura de raiva e um medo inexplicável começou a crescer dentro dele.
Ele se levantou de repente.
O olhar esfriou completamente:
“Já que você nem consegue entender uma coisa tão simples de ‘necessidade da tarefa’…”
“Então fique aqui e pense um pouco!”
Ele fez um gesto com a mão.
Os seguranças na porta avançaram imediatamente.
Ana Beatriz percebeu o que ia acontecer.
Tentou se levantar—
Mas foi pressionada de volta com força.