O coração de Ana Beatriz estava cheio de rejeição.
Mas Valentina simplesmente a puxou para dentro do carro, sem lhe dar escolha.
O salão do leilão brilhava sob luzes deslumbrantes.
A elite da sociedade se reunia ali.
Quando Leonardo entrou com as duas—
Todos os olhares se voltaram imediatamente para Ana Beatriz.
Afinal—
A história intensa entre ela e Leonardo era conhecida por todos naquele círculo.
Os sussurros começaram.
Como agulhas finas, atravessando o ar.
Ana Beatriz fingiu não ouvir.
Caminhou sozinha até um canto e se sentou.
Observando friamente, à distância—
Valentina, radiante e orgulhosa.
Sempre que Valentina demonstrava interesse por alguma joia—
Leonardo levantava a placa sem hesitar.
Arrematava tudo.
Sem esconder, nem por um segundo, o quanto a mimava.
Não demorou—
Valentina se aproximou com uma taça de vinho.
Inclinou-se ao lado de Ana Beatriz.
E, com uma risada baixa, falou em um tom que só as duas podiam ouvir:
“Aninha, você está tão pálida… não está se sentindo bem de novo?”
“O Leo disse que você odeia dor… que antes, quando te via sofrer, ele sofria mais do que morrer…”
“Agora que eu estou ao lado dele… você pode finalmente descansar.”
Os dedos de Ana Beatriz tremeram levemente.
Isso—
Era o que Leonardo chamava de “simples”?
“Se você sabe que somos marido e mulher, não se cansa de fingir?”
Ela levantou os olhos.
A voz, fria como gelo.
“Ou será que a senhorita nasceu mesmo com essa necessidade de se humilhar… insistindo em ser a terceira?”
A voz não era alta.
Mas foi o suficiente para que as pessoas ao redor ouvissem.
O rosto de Valentina congelou.
A voz subiu abruptamente:
“De quem você está falando?”
“Durante esses três anos, o Leo passou todas as noites comigo!”
“E eu estou grávida dele!”
“O lugar de Senhora Arantes em breve será meu!”
“E daí?”
Ana Beatriz soltou um leve riso de desdém.
“Mesmo que você se case com ele, não passa de alguém que recolheu o lixo que eu descartei.”
“Você nunca— vai ter o direito de falar comigo assim.”
A máscara doce no rosto de Valentina se quebrou completamente.
Ela avançou um passo, a voz aguda:
“Ana Beatriz, o Leo já está cansado de você!”
“Ele disse que cada vez que voltava da beira da morte e via você daquele jeito, entre a vida e a morte, ele sufocava!”
“Você, um lixo que depende da vida que os outros te dão— com que direito me julga?!”
Cada palavra—
Uma lâmina.
O corpo de Ana Beatriz esfriou.
A fraqueza acumulada pela interrupção dos remédios veio à tona de repente.
Ela se virou para ir embora—
Mas o pulso foi agarrado com força por Valentina.
“Termina o que começou! Quem você chamou de lixo…?”
No empurra-empurra—
O pé de Valentina escorregou.
Ela gritou—
E puxou Ana Beatriz junto ao cair!
Valentina caiu pesadamente sobre ela.
Ana Beatriz ouviu claramente—
O som surdo dos ossos batendo nos degraus.
Uma dor lancinante atravessou seu peito.
Ela quase não conseguia respirar.
A multidão se aproximou.
Leonardo abriu caminho e correu até elas.
Mas—
A primeira coisa que ele viu—
Foi Valentina, com os olhos marejados.
“Leo… minha barriga dói tanto…”
“O bebê… será que…”
A voz dela tremia, cheia de medo.
A expressão de Leonardo mudou drasticamente.
Ele a pegou nos braços imediatamente.
Ergueu-se—
E então olhou para Ana Beatriz, caída no chão, pálida como papel.
Nos olhos dele—
Só havia raiva e decepção.
Nem uma pergunta.
Nem um traço de preocupação.
“Se acontecer alguma coisa com o bebê…”
“Ana Beatriz, eu nunca vou te perdoar.”
Depois de dizer isso—
Ele virou as costas.
E saiu, carregando Valentina.
Ana Beatriz permaneceu caída no chão.
Olhando para as costas dele, que se afastavam sem hesitar.
O coração—
Já não sentia mais dor.
No fim—
Foram outros convidados que chamaram a ambulância.
E a levaram ao hospital.