《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 3

A voz de Valentina, cheia de entusiasmo, atravessou a fresta da porta:

“Leo, eu dei uma volta por aqui agora há pouco… é tudo tão bonito.”

“Depois… que tal transformar este lugar na nossa casa depois do casamento?”

Do lado de fora, houve alguns segundos de silêncio.

A voz de Leonardo soou baixa, impossível de decifrar:

“Claro.”

“Se você gostar… qualquer coisa está bem.”

“—!”

Foi como se algo dentro do peito de Ana Beatriz se partisse por completo.

Sua respiração travou de repente.

O coração foi esmagado por uma força invisível, torcido e dilacerado repetidamente.

Aquela mansão…

Foi o presente de dezoito anos que Leonardo deu a ela.

Foi o “lar” que construíram juntos, detalhe por detalhe.

Foi o lugar onde prometeram, de dedos entrelaçados, passar a vida inteira.

E agora—

Ia se tornar o ninho de casamento dele com outra mulher.

“Sabia que você era o melhor, Leo!”

O riso de Valentina era doce demais, quase enjoativo.

Logo depois, veio com um toque de curiosidade:

“Ah… e lá dentro… tem alguém?”

“Acho que ouvi algum barulho…”

“Só uma parente distante.”

A resposta de Leonardo foi casual, como se falasse de uma estranha irrelevante.

“Ela cuida da empresa e da casa para mim.”

Valentina pareceu satisfeita.

Não perguntou mais nada.

Os passos e risadas foram se afastando.

E o silêncio voltou a tomar conta.

Ana Beatriz permaneceu parada.

Diante dela, as paredes cheias de fotos—

uma após a outra, ano após ano.

Ela mordeu o lábio inferior com força.

O gosto metálico do sangue se espalhou pela boca—

Mas ainda assim, não chegava nem a um milésimo da dor no peito.

De repente—

Ela estendeu a mão.

Arrancou a foto mais próxima.

Depois a segunda.

A terceira…

Uma a uma.

As fotos foram jogadas dentro de um recipiente metálico.

As chamas subiram de repente, engolindo aqueles sorrisos entrelaçados, aqueles olhares cheios de ternura.

O papel fotográfico se retorceu, escureceu… virou cinza.

Como o amor deles—

Já apodrecido há muito tempo.

Quando o céu começou a clarear—

A última faísca também se apagou.

A porta do porão se abriu.

Leonardo entrou.

Seu olhar passou rapidamente pelas cinzas no recipiente.

Por um instante, uma leve tensão cruzou seu rosto.

“Aninha… o que você está queimando?”

Ana Beatriz fechou calmamente a tampa.

Ergueu os olhos para ele:

“Você não acha que deveria me dar uma explicação?”

Leonardo ficou surpreso por um momento.

Em seguida, respirou fundo:

“Não pense demais, Aninha.”

“Isso… é só uma tarefa do sistema. Eu preciso me casar com ela para encerrar tudo.”

Ele deu dois passos em direção a ela, suavizando o tom:

“Além disso, nesses três anos… foi a Valentina que esteve ao meu lado.”

“Ela é simples, tem um bom coração. Casar com ela… é só uma forma de retribuir.”

“Retribuir?”

Ana Beatriz repetiu, baixinho.

De repente, soltou uma leve risada.

“Retribuir… significa entregar a vida inteira?”

“Aninha, acredita em mim.”

Leonardo segurou a mão dela.

O olhar sincero… sem a menor falha.

“Desde o começo, a única pessoa com quem eu quis envelhecer foi você.”

“Esse casamento é só uma formalidade.”

“O lugar de Senhora Arantes… sempre será seu.”

Ele fez uma pausa, abaixando um pouco a voz:

“A Valentina… ainda não sabe da nossa relação.”

“Por enquanto… não conte nada a ela.”

Ana Beatriz olhou para a “sinceridade” nos olhos dele—

E sentiu um frio profundo percorrer o corpo inteiro.

Ela retirou a mão.

Desviou o olhar.

“Se vocês querem se casar… tudo bem.”

“Mas não aqui.”

Leonardo franziu a testa, prestes a falar.

Mas ela continuou, em voz baixa:

“Ou você já esqueceu…”

“Que este lugar… era onde prometemos passar a vida inteira?”

A garganta dele se moveu.

Um traço de culpa passou rapidamente por seu rosto.

“Agora há pouco… eu errei.”

O tom dele suavizou, tentando acalmá-la.

“Mas, no fim das contas, é só uma formalidade. Não leve tão a sério.”

“Depois disso… podemos continuar como antes. Tudo bem?”

Ana Beatriz o encarou.

Por um longo tempo.

Então, de repente—

Soltou uma leve risada.

“Tudo bem.”

“Vamos fazer do seu jeito.”

Ela se virou para sair.

Mas Leonardo a chamou:

“Aninha.”

“A Valentina é jovem… e tem muitas fantasias sobre casamento.”

“Bem parecidas com as que você tinha naquela época.”

“Você já passou por isso.”

Ele fez uma breve pausa.

“Então… deixe esse casamento por sua conta.”

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