《Um Amor de Outra Vida: O Preço do Sacrifício》Capítulo 2

“Quanto à causa da morte… diga que foi uma recaída da doença antiga, sem cura possível.”

Ana Beatriz desligou o telefone.

Ela não voltou para a casa antiga da família Arantes.

Seguiu direto para a “casa” que um dia dividiu com Leonardo.

Ao empurrar a porta do porão, uma onda de frio a envolveu.

O caixão de gelo ainda estava ali, imóvel no centro.

Dentro dele, aquele corpo carbonizado, deformado, irreconhecível…

foi, por três anos, tudo aquilo em que ela acreditou.

Agora, ao encará-lo novamente—

Restava apenas ironia.

Ela desviou lentamente o olhar e observou as paredes ao redor.

Estavam completamente cobertas de fotos.

Fotos de cada “morte” de Leonardo.

As regras do sistema estavam gravadas com nitidez em sua mente:

【Cada vez que ele morrer por ela, ela viverá mais um ano.】

【Cada morte deve ser uma morte não natural, vivida em plena consciência… e não pode ser interrompida. Caso contrário, o castigo cairá sobre ela em proporções infinitamente maiores.】

Por isso—

Não importava o quanto ela implorasse, chorasse, ameaçasse tirar a própria vida—

Leonardo nunca parou.

Antes, quando ele a trouxe até ali, apontando para aquelas fotos, disse:

“Aninha, isso tudo… são provas do meu amor por você.”

“Quando ficarmos velhos, vamos voltar aqui e rever tudo, com calma… não seria perfeito?”

As palavras ainda ecoavam.

Mas o homem que as disse… já havia ido embora há muito tempo.

Os dedos dela passaram distraidamente pela parede gelada.

A terceira foto.

Ele havia caído do décimo andar.

O corpo coberto de sangue… e mesmo assim rastejou até ela para enxugar suas lágrimas.

A quadragésima sétima.

Ele caiu numa fenda de geleira.

Quando foi resgatado, seus membros estavam necrosados pelo frio—

mas seus olhos só carregavam alívio:

“Aninha… não chora… eu consegui mais tempo com você…”

A quadragésima oitava.

Ele entrou em uma luta clandestina.

A sobrancelha aberta, o rosto coberto de sangue—

mas ainda gritava para ela do lado de fora da jaula:

“Não tenha medo! Eu vou te fazer viver!”

Cenas que antes a dilaceravam…

e ao mesmo tempo sustentavam sua vida—

Agora eram apenas lâminas cegas, perfurando seu coração lentamente.

De repente—

Seus dedos pararam.

Pararam diante de uma foto discreta.

Na imagem, Leonardo estava deitado em uma cama de hospital, claramente em recuperação após mais um “retorno”.

E ao lado dele—

Uma garota desconhecida.

Ela estava levemente inclinada, limpando com delicadeza o dorso da mão dele com uma toalha.

A respiração de Ana Beatriz travou.

Com mãos trêmulas, ela virou a foto.

No verso—

A letra familiar de Leonardo.

Mas as palavras fizeram seu sangue congelar:

【Ela disse: viver é difícil. Mas, por favor… não desista.】

Seus dedos começaram a tremer ainda mais.

Ela continuou virando as fotos.

E, em cada vez mais imagens—

Aquela mesma garota aparecia.

Às vezes entregando água.

Às vezes apenas sentada ao lado dele.

Às vezes… sorrindo para ele.

Então era isso.

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Então todas aquelas mortes, todo aquele sofrimento—

Nunca foram provas de amor por ela.

Eram, na verdade—

O caminho que Leonardo percorreu, passo a passo, para se aproximar de outra pessoa.

Para fugir dela.

Ela soltou uma risada baixa.

Uma risada que veio acompanhada de lágrimas.

“Aninha?”

Passos apressados vieram de trás.

Leonardo entrou rapidamente, franzindo a testa.

Ele estendeu a mão para puxá-la:

“Por que você voltou sozinha sem avisar? Aqui é frio demais, seu corpo não aguenta. Vamos sair daqui.”

Ana Beatriz puxou levemente os lábios rígidos.

Veja só—

Ele ainda se lembrava que ela sentia frio.

Mas provavelmente já tinha esquecido—

Que aquele corpo arruinado, sustentado pelas inúmeras mortes dele…

Era justamente o peso que ele mais queria se livrar.

Ela se virou discretamente, desviando da mão dele.

A mão de Leonardo ficou suspensa no ar.

Mas seus olhos caíram sobre as lágrimas ainda frescas no rosto dela.

Sua expressão se apertou.

“O que houve? Seu coração… está doendo de novo?”

“Você trouxe o remédio?”

Antes que ela respondesse—

Uma voz suave e delicada surgiu da porta:

“Leo… você está aí dentro?”

Era Valentina.

O corpo de Ana Beatriz enrijeceu instantaneamente.

Leonardo já havia se colocado à frente da porta, bloqueando a entrada.

Sua voz suavizou:

“Fica aí fora, tá?”

“Não entra.”

“Esse lugar… não é para você ver. Você é sensível, vai ter pesadelos depois.”

“Mas com você comigo, eu não tenho medo.”

A voz de Valentina vinha carregada de um sorriso.

Parecia querer espiar lá dentro.

No segundo seguinte—

Ana Beatriz viu Leonardo tirar o próprio casaco, sem hesitar, e colocá-lo sobre os ombros dela.

A voz dele… suave ao extremo:

“Se comporta. O porão é frio, e você precisa se cuidar agora.”

“Eu te acompanho lá fora.”

A porta se fechou suavemente.

Ana Beatriz abaixou a cabeça.

Olhando para suas roupas finas—

E para aquele porão frio, cheio de “provas de amor” e de um caixão gelado—

Ela parecia apenas… Uma piada abandonada.

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