Bruno parecia não aceitar.
Sem se importar com os olhares ao redor…
Ele se ajoelhou.
— Eu sei que errei! Eu me arrependo! Todos os dias depois que você foi embora, eu me arrependi!
— Eu me bati, me xinguei, me perguntei por que fiz aquilo com você!
— Talvez… só quando a gente perde é que entende… entende o quanto ama de verdade…
No fim…
Bruno se agarrou às minhas pernas e chorou.
Foi a primeira vez.
A primeira vez que ele chorou na minha frente.
Antes…
Não importava o que acontecesse.
Ele sempre cerrava os dentes.
Orgulhoso.
Incapaz de se curvar.
Mas agora…
Não era mais assim.
Ele deixou de lado o orgulho.
Deixou de lado a dignidade que tanto prezava.
Se ajoelhou diante de mim…
Só para ouvir um “eu te perdoo”.
As pessoas ao redor não conseguiram ignorar.
Uma delas falou:
— Moça… um homem capaz de fazer isso hoje em dia é raro.
— Eu não sei o que aconteceu entre vocês, mas tenho certeza… esse arrependimento é verdadeiro.
— Se puder… dá mais uma chance pra ele. Porque, quando acaba de verdade… não tem mais volta.
E daí?
Então eu deveria apagar toda a dor?
Fingir que nada aconteceu…
E perdoá-lo?
Levantei o olhar.
Encarei aquela pessoa.
— Você nunca viveu o que eu vivi.
— Nunca sentiu o que eu senti.
— Então não tem o direito de me dizer para perdoar.
Bruno continuava ajoelhado.
Sem se levantar.
Eu não aguentei mais.
Levantei a mão…
E dei dois tapas no rosto dele.
— Esse é pela minha mãe.
— Ela confiou em você… e você nem foi vê-la pela última vez.
— Esse é por mim.
— Eu fiquei ao seu lado por oito anos… e você me traiu com a minha melhor amiga.
Ele não reagiu.
Deixou que eu o atingisse.
Assim como naquele dia.
No dia em que descobri tudo.
Ele aceitou tudo em silêncio.
Como se já soubesse o final.
Ele sabia, não sabia?
Sabia das consequências…
E mesmo assim fez.
Quando o silêncio voltou…
Bruno tentou se levantar.
Mas, por causa do tempo ajoelhado…
Suas pernas cederam.
Ele caiu no chão com um baque.
Olhando para ele, daquele jeito…
Antes, eu teria corrido para ajudá-lo.
Teria me preocupado.
Mas agora…
Não.
Eu apenas o observei.
Vendo ele tentar se aproximar.
Chamando meu nome, uma e outra vez.
E, pela primeira vez…
Senti uma leve sensação de alívio.
— Bruno…
— Eu não vou te perdoar.
— Mesmo que você morra na minha frente hoje…
— Eu não vou te perdoar.
Minhas palavras foram definitivas.
Sem deixar espaço para nada.
Virei as costas.
E fui embora.
Quando Bruno conseguiu se levantar e sair cambaleando atrás de mim…
Eu já estava dentro do carro.
A única coisa que deixei para ele…
Foi a fumaça do escapamento.
Ele ficou ali.
Vendo eu me afastar.
Sem poder fazer nada.
Quando voltei para casa…
A história dele atravessando países atrás de mim…
Já estava nos trending topics.
Na internet…
Ele virou um homem apaixonado, raro.
E eu…
Uma mulher fria, sem coração.
Ninguém entendia.
Por que eu não me comovia.
Por que fui embora…
E não olhei para trás.
Pensei por muito tempo.
E decidi esclarecer.
Escrevi tudo.
Cada detalhe da minha história.
Não foi para atacar ninguém.
Nem para provar que eu não era fria.
Foi um aviso.
Para todas as mulheres que amam alguém a ponto de se perder.
Amem a si mesmas primeiro.
Nem todo esforço tem retorno.
Nem todo amor…
Tem um final feliz.
Minha história se espalhou rapidamente.
Muitos disseram…
Que parecia um romance triste demais.
Talvez porque…
Viram a si mesmos nela.
A repercussão foi muito maior do que eu imaginei.
Algumas pessoas vieram me procurar.
Perguntar:
— Se você amou tanto assim… como conseguiu deixar ir?
Olhei para aquelas palavras por um longo tempo.
E respondi:
— Vá conhecer o mundo.
— O mundo é grande demais… para você ficar presa em um canto de dor.