Muitas vezes imaginei de que forma meu relacionamento com Leonardo seria tornado público.
Mas não deveria ser desta forma.
Olhando para a foto na tela do celular, de Leonardo e eu entrando e saindo do hotel há dois anos, instantaneamente minhas mãos e pés ficaram moles.
A ponto de Eduardo apenas me tocar, e eu já dei vários passos para trás.
Quase caindo, de trás estenderam-se duas mãos me segurando firmemente—
era o mordomo da família Leonardo: “Senhorita Valentina, o Sr. Leonardo pede que você vá até lá uma vez.”
Leonardo também sabia disso?
Sem tempo para pensar muito, respondi confusamente, com passos desordenados em direção à casa da família Leonardo.
Entrando pela porta da mansão, Leonardo estava sentado calmamente no sofá, a mesa de centro à sua frente cheia de fotos minhas e dele de dois anos atrás.
Entrando e saindo do hotel, beijando, de mãos dadas, até uma foto de carro—
embora nada tenha sido capturado, dava para imaginar o que estávamos fazendo no carro na época.
Parei, instantaneamente paralisada no lugar.
Quem tirou essas fotos? A pessoa estava me seguindo ou seguindo Leonardo?
Por que, há dois anos, essa pessoa não divulgou essas fotos, e só agora? Qual era o objetivo?
Inúmeras dúvidas surgiram em minha mente.
Mas antes que pudesse perguntar, no silêncio, a voz gelada de Leonardo soou de repente.
“Foi você?”
Eu, imersa em meus pensamentos, não ouvi claramente de primeira: “O quê?”
Mas Leonardo não repetiu, apenas me encarou com seus olhos escuros.
Alguns segundos depois, finalmente percebi o que ele havia dito, e meu coração ficou gelado.
“Você acha que fui eu?”
Olhei para ele incrédula e, ao me certificar de que ele realmente suspeitava de mim, minhas mãos começaram a tremer incontrolavelmente: “Por que eu faria isso? O que eu ganharia com isso?”
Leonardo recostou-se no sofá, entrelaçando as mãos à sua frente.
E sua expressão gélida não mudou em nada: “Você queria tornar público, mas não queria voltar para a Islândia, mataria dois coelhos com uma cajadada só.”
Que bela expressão, “matar dois coelhos com uma cajadada só”.
Não consegui dizer mais uma palavra em minha defesa.
Porque Leonardo estava convencido de que eu havia feito isso, mesmo que eu encontrasse o verdadeiro culpado e o levasse até ele, ele pensaria que eu estava representando.
Nas fotos na mesa de centro, o quanto eu amava Leonardo, e o quanto eu queria deixá-lo agora.
“Está bem, fui eu…” Acenei com a cabeça, suportando a sensação de lágrimas quentes, perguntei com voz trêmula, “E o que você pretende fazer agora?”
Leonardo me olhou de forma significativa, depois levantou-se como se ninguém mais estivesse por perto: “Você pode ir.”
Dito isso, ele voltou para o quarto.
Sobraram só eu, de pé, olhando para aquelas fotos, meu coração doendo como se estivesse sendo dilacerado.
Depois de um bom tempo, agachei-me, escolhi uma foto em que Leonardo e eu estávamos bem próximos e a levei comigo—
em três anos de namoro, nós nem sequer tínhamos uma foto juntos.
Olhando para o homem na foto, não resisti em estender a mão para tocar.
Ao mesmo tempo, minhas lágrimas caíram, uma a uma.
Ao sair pela porta da mansão, o mordomo me impediu: “Senhorita Valentina, hoje à noite é melhor você ficar na casa de Leonardo.”
Abanei a cabeça, não se sabia ainda quem era o verdadeiro culpado, e se eu ficasse na casa de Leonardo neste momento, não poderia garantir que não haveria mais boatos.
Mas, saindo da casa de Leonardo, também não queria voltar para a minha.
Imaginava como seria o tratamento que receberia naquela casa.
Para onde mais eu poderia ir?
Fiquei de pé fora do complexo, na viela, olhando para o céu quadrado acima, de repente senti saudade dos dias na Islândia.
Afinal, não importa onde eu estivesse, eu estava isolada e sem ajuda, lá pelo menos poderia me sentir mais à vontade.
Pensando nisso, abri o celphone e hesitei por muito tempo, mas ainda assim reservei uma passagem de partida.
Talvez minha partida de Pequim… fosse o que todos queriam.
Meus olhos ficaram quentes de novo, rapidamente ergui a cabeça para conter, então parei um táxi e fui para o aeroporto.
Não havia voo direto de Pequim para a Islândia, primeiro tinha que ir para Moscou e depois fazer conexão.
O voo mais próximo para Moscou era em cinco horas, sentada no saguão do aeroporto, com gente indo e vindo, pensei em não saber quando seria a próxima vez que voltaria a Pequim.
Ou talvez eu nunca mais voltasse.
Foi então que meu celular vibrou.
Para minha surpresa, quem ligou era minha mãe.
Imaginei que ela certamente ia me xingar.
Assim que atendi, antes de falar, ouvi a voz furiosa dela: “Valentina, o que a família fez de errado para você? Você precisa nos prejudicar assim?!”
Fiquei sem entender: “O que eu fiz de novo?”
“Você ainda tem a cara de perguntar?” A voz de minha mãe ficou ainda mais furiosa, “Com quem você foi se meter, senão com Leonardo? No final, ele te largou, e agora ele quer comprar toda a Valentina S.A., satisfeita?!”