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《Traída por Dois Corações》Capítulo 4

Bruno estava dormindo.

Não ouviu nada.

Quando acordou, eu já estava arrumando as malas.

Talvez por causa de um pesadelo, ele chamava meu nome sem parar.

Só relaxou quando me viu.

No instante seguinte, me puxou para um abraço apertado.

— Cami… fica tranquila. Eu não vou te decepcionar.

Não respondi.

Apenas me desvencilhei, em silêncio.

— Teve um pesadelo?

— Vou pegar um pouco de água pra você.

Quando voltei…

Larissa já estava sentada ao lado dele.

Com o braço envolvido em seus ombros, acariciando suas costas com cuidado.

Aquela cena…

Era como olhar para o meu próprio passado.

Para a garota que um dia fui.

Aquela que o abraçava quando ele estava perdido, murmurando palavras suaves para confortá-lo.

Eu nunca soube dizer coisas bonitas.

Nem tinha dinheiro para resolver todos os problemas dele.

Tudo que eu podia fazer…

Era ficar ao lado dele.

Acompanhar cada passo.

Desde quando ele não tinha nada…

Até conquistar tudo.

Desde a imaturidade no amor…

Até aprender como amar alguém de verdade.

Mas a árvore que eu plantei com minhas próprias mãos…

Acabou servindo de sombra para outra pessoa.

Não interrompi.

Continuei ali, em silêncio.

Almoçando sozinha.

Mas Bruno parecia desconfortável com aquela calma.

Acabou saindo do quarto.

Olhou para a mesa.

Franziu a testa.

— Por que só tem isso?

Antes, eu sempre preparava apenas o que ele gostava.

Eu nem comia pimenta…

Mas aprendi a comer por causa dele.

Agora eu entendia.

A gente precisa aprender a se amar também.

— Então pede alguma coisa.

Não me levantei.

Não tinha a menor intenção de cozinhar de novo.

Continuei comendo, tranquila.

De repente, Larissa correu para o banheiro.

Começou a vomitar violentamente.

Os lábios já estavam pálidos.

Bruno entrou em pânico.

— Pega o remédio!

Eu respondi, calma:

— Na última vez que brigamos, você disse que eu fingia doença… e jogou todos fora.

Antes que ele gritasse de novo, eu já tinha chamado a ambulância.

Depois, me aproximei de Larissa.

Apertei um ponto na mão dela, ajudando a aliviar o mal-estar.

Não era bondade.

Nem nostalgia.

Era só porque…

Eu ia embora hoje.

E não queria nenhum imprevisto me prendendo.

— Como você sabe fazer isso?

Bruno me olhou, confuso.

Ele esqueceu.

Esqueceu que eu também já estive grávida.

Que eu também vomitava sem parar, sozinha em casa.

Naquela época, tudo que ele dizia era:

— Com um corpo assim, o bebê também não vai ser saudável.

— É melhor abortar.

Toda aquela dor…

Eu enfrentei sozinha.

Pesquisando, tentando sobreviver.

Quando a ambulância chegou, eu não fui junto.

Evitei o olhar inquieto de Bruno.

E fechei a porta.

Quando terminei de arrumar minhas coisas, a porta se abriu novamente.

Bruno tinha voltado.

Eu fiquei surpresa.

Como se tivesse medo de que eu entendesse errado, ele explicou rapidamente:

— O médico disse que o bebê não está estável. Ela precisa ficar internada.

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— Eu só voltei pra pegar umas coisas.

Eu apenas assenti.

Mesmo que ele não dissesse nada…

Eu já não esperava mais nada.

Afinal, não era a primeira vez.

Quantas vezes eu pedi para ele trazer algo de viagem…

E ele simplesmente esquecia.

Mas nunca esquecia o que era de Larissa.

Talvez, lá no fundo…

Eu sempre soube.

Só que, diante das duas pessoas que eu mais amava…

Eu escolhi me enganar.

Enquanto pegava as coisas, Bruno percebeu algo estranho.

Minhas roupas tinham diminuído.

Minhas maquiagens tinham sumido.

O olhar dele caiu sobre a mala cheia.

E ele franziu a testa.

Desde ontem…

Minha indiferença vinha acumulando a raiva dele.

E agora, finalmente, encontrou uma saída.

Ele chutou a mala.

O zíper estourou.

Tudo que eu tinha arrumado se espalhou pelo chão.

— Camila Soares, o que isso significa?

— Vai fazer esse teatrinho de ir embora de casa de novo?

Não foram muitas vezes.

Só três.

Mas, em nenhuma delas, Bruno realmente se importou em me procurar.

Sempre fui eu que voltava sozinha…

E ainda era ridicularizada por ele depois.

— E dessa vez?

— Por causa da Larissa? Ou por causa do filho dela?

Os olhos dele ardiam.

Como se eu fosse a culpada de tudo.

— Por causa de tudo.

Eu respondi, sem hesitar.

Eu não conseguia ser generosa.

Não conseguia aceitar…

Que o homem que eu mais amei estivesse com a minha melhor amiga.

Muito menos aceitar o filho deles.

— Camila Soares… quem você acha que é?

A frase dele me fez congelar.

— Uma mulher sem mãe…

— E ainda por cima já usada por outro homem…

— Quem vai querer você lá fora?

Ele avançava passo a passo.

Até eu bater contra a parede fria.

— Que homem nunca traiu?

— Seu pai também traiu, não foi? E sua mãe não se matou por isso. Você devia ir perguntar pra ela como ela aguentou…

— Bruno Almeida!

Quando percebi…

Minha mão já tinha atingido o rosto dele.

As lágrimas que eu segurei por tanto tempo…

Finalmente caíram.

Naquele momento, eu entendi.

A pessoa que eu amei…

Podia ser repugnante assim.

Bruno levantou a mão.

Como se fosse me bater de volta.

Mas, no fim…

Se conteve.

E disse, com raiva:

— Camila Soares, não venha depois chorando me implorar!

— Eu não vou te querer nem um pouco!

Ele saiu batendo a porta.

Eu enxuguei as lágrimas.

E fui direto para o aeroporto.

Ele não sabia.

Dessa vez…

Eu estava indo embora para sempre.

A partir de agora…

Nós não teríamos mais nada a ver um com o outro.

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