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《Traída por Dois Corações》Capítulo 3

Ele se aproximou e deixou um beijo leve.

— Eu volto rápido.

Aquela silhueta familiar…

Se sobrepunha às lembranças do passado.

Oito anos atrás, fui acusada injustamente de roubar dinheiro na escola.

Jogaram água fria em mim.

Eu me encolhi num canto, tremendo sem parar.

Bruno, ao me ver naquele estado, ficou com os olhos vermelhos.

— Espera por mim.

— Eu vou fazer justiça por você.

Naquele tempo, as costas dele ao se afastar…

Eram firmes, confiáveis.

Mas agora…

Tudo que eu sentia era frio.

Como se a água fria que me molhou naquela época…

Não tivesse vindo só dos colegas.

Mas também do Bruno de agora.

Quando ele voltou, já era madrugada.

E trouxe Larissa com ele.

Ela parecia insegura, quase assustada.

— Ela está grávida. Não me sinto tranquilo deixando ela sozinha.

Eu apenas assenti.

Como se entendesse.

Me virei e fui até o quarto principal arrumar minhas coisas.

Mas, antes que eu pudesse continuar, Bruno segurou meu braço.

— O que você está fazendo?

— Vou arrumar um quarto para ela.

Respondi com naturalidade, olhando nos olhos dele.

— Não precisa!

Ele praticamente gritou.

Depois disso, abriu o armário, pegou um edredom novo…

E saiu, irritado.

Acordei no meio da noite.

Ele não estava ao meu lado.

O barulho do lado de fora…

Era alto demais.

Cheio demais de uma felicidade que feria os ouvidos.

Sem conseguir ignorar, eu saí do quarto.

Bruno estava com o ouvido encostado na barriga de Larissa.

Escutando os batimentos daquela nova vida.

Os dois sentados no sofá…

Planejando o futuro.

O nome do bebê.

A decoração do quarto.

Até a escola que ele frequentaria um dia.

Havia tudo naquele futuro que eles desenhavam.

Tudo…

Menos eu.

Até que Larissa perguntou, de repente:

— E a Cami?

— O casamento de vocês… o que vai acontecer?

Se ele se casasse comigo, o registro da criança se tornaria um problema.

Alguém teria que ceder.

Sem perceber, apertei os punhos.

Ainda tinha uma pequena esperança.

De que, ao menos, esses cinco anos…

Fizessem ele hesitar.

Mas ele apenas sorriu.

Com a mesma indiferença de sempre.

— A gente vê isso depois.

Quando Bruno voltou para o quarto, o sol já estava nascendo.

Ele me abraçou por trás.

O corpo dele ainda carregava o perfume de Larissa.

Eu me afastei instintivamente.

Sentindo um leve enjoo.

— Para com isso.

Ele me puxou de volta.

Mais forte.

Como se, do começo ao fim…

Eu estivesse apenas fazendo birra.

Durante todos esses anos, foi assim.

Ele sempre ignorou meus sentimentos dessa forma.

Até mesmo quando, antes de morrer…

Minha mãe implorou para vê-lo uma última vez.

Ela queria, antes de partir, conhecer o homem a quem havia confiado a filha.

Mesmo com o olhar já vazio…

Mesmo com a respiração tão fraca que quase parava…

Ela continuava esperando.

Mas o que veio…

Foi apenas a recusa fria de Bruno.

— Não dá para eu voltar agora.

— Esse projeto é muito importante. Se der errado, perco cinquenta mil.

Eu segurei a raiva.

Disposta a pagar aquele valor do meu próprio bolso…

Só para realizar o último desejo da minha mãe.

Mas ele riu.

Indiferente.

— Então melhor usar esse dinheiro para enterrar sua mãe direito.

Naquele instante…

Senti todo o meu sangue congelar.

Fiquei imóvel.

Como alguém já morto por dentro.

Quando Bruno finalmente voltou…

Já tinham se passado os sete dias do velório.

Naquele momento, eu desabei completamente.

Quebrei tudo dentro de casa.

Rasguei aquele contrato “tão importante” dele.

Eu não entendia…

Por quê?

Por que uma pessoa viva…

Valia menos que um projeto frio e sem vida?

Mas ele apenas me abraçou de novo.

Como sempre.

Com aquele tom cansado:

— Já passou… eu não voltei?

— Para de drama.

As lembranças vieram à tona…

E as feridas que nunca cicatrizaram…

Voltaram a doer.

Tanto que mal conseguia respirar.

Meus olhos se encheram de lágrimas.

Mas Bruno já dormia tranquilamente ao meu lado.

Respirando de forma estável.

Como se nada tivesse acontecido.

Olhei pela janela.

As flores recém-abertas balançavam ao vento.

E falei, baixinho:

— Bruno…

— É aqui que termina.

— Eu te libero… e também me libero.

Só agora eu entendi.

Nem todo esforço…

Leva ao florescer.

Nem todo amor…

Tem um final feliz.

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