Daniel ficou ao lado, vendo nossa discussão, e alertou calmamente:
“Senhor, por favor, solte-a, senão ligo para a polícia.”
Sua postura era de proteção, mas mantinha educação e contenção.
“Desculpe, Daniel, atrapalhei seu tempo. Espere um momento, vou esclarecer as coisas com ele logo.”
Daniel olhou para mim, depois para o teimoso Leonardo.
Não muito convencido, acrescentou:
“Se precisar de algo, me ligue a qualquer hora, vou esperar ali.”
Ele gentilmente nos deu espaço para uma conversa a sós.
Vendo Daniel se afastar, voltei meu olhar para Leonardo.
A raiva em seus olhos diminuiu, lentamente substituída por outro tipo de pânico.
Ele parecia não entender por que, desta vez, tudo estava fugindo ao seu controle.
De repente, me senti extremamente cansada, sem energia nem para discutir.
“Leonardo,” comecei, a voz tão calma que até eu me surpreendi, “você me perguntou por que eu insisto tanto, não é? Tudo bem, vou te contar.”
Comecei com aquele celular antigo.
Suas quebras de promessa comigo.
Seu favoritismo e exceções para Clara.
Um por um, item por item, expostos com calma.
Sem elevar a voz, sem choramingar.
Apenas como se contasse a história de outra pessoa.
O rosto de Leonardo, conforme minha narrativa, foi ficando pálido.
Ele abriu a boca, como se quisesse refutar, mas descobriu que qualquer palavra era inútil diante desses fatos.
“Vou mudar, Alicezinha, eu sei que errei…”
“Me dá só mais uma chance, está bem?”
Ele se aproximou apressadamente, tentando segurar meus ombros, mas eu me afastei.
“Eu prometo, no futuro nunca mais, no futuro cumprirei tudo que prometer a você!”
Vendo seu olhar ansioso e humilde, meu coração só tinha uma calma desolada.
“É tarde demais, Leonardo.” Balancei a cabeça. “Não preciso mais.”
“Sua garantia, sua promessa, não preciso mais.”
Ele parecia ter sido pregado no lugar, olhando para mim incrédulo.
Pensei que, depois de dizer tudo isso, Leonardo entenderia.
Não esperava que ele ainda se recusasse a desistir.
Nos dias seguintes, ele ficou em Yuncheng, lidando com o trabalho remotamente.
E então aparecia pontualmente todos os dias em frente ao meu prédio.
Flores, presentes, garantias e pedidos de desculpas repetidos.
Minha mãe no início ainda aconselhava, depois simplesmente ficou de cara fechada.
Meu pai até saiu com uma vassoura para expulsá-lo.
“Some! Minha filha não quer te ver! Se não for embora, eu chamo a polícia!”
Depois de algumas chamadas da polícia, ele se conteve um pouco, mas ainda assim insistia.
Até que o grande projeto sob responsabilidade de Clara na empresa apresentou uma falha fatal.
Leonardo teve que voltar para resolver.
O que aconteceu depois, soube pela minha amiga Beatriz.
O diploma de repatriada de Clara era falsificado.
Naqueles anos no exterior, ela era amante de um magnata.
Foi descoberta pela esposa legítima, e só então voltou de forma humilhante.
Quando Leonardo descobriu toda a verdade, ficou furioso, dizem que deu um tapa em Clara na frente de todos e a demitiu.
Até mesmo processou ela por perdas e danos.
Clara não tinha dinheiro, no final só restou a sentença.
Saindo do tribunal, a expressão de Leonardo estava carregada de cansaço.
Ele me viu, hesitou, um brilho fraco de esperança rapidamente acendeu em seus olhos, e caminhou rapidamente em minha direção.
“Alicezinha, você veio?”
Bia apertou minha mão ao lado.
“A Alicezinha veio me encontrar, não se iluda!”
Olhando para Leonardo, minha voz foi baixa:
“Leonardo, concorde com o divórcio.”
“Você quer que a gente também acabe nos tribunais?”
“Pelo menos ficamos juntos por cinco anos, vamos terminar de uma forma mais digna.”
Ele parou abruptamente, olhando para mim, a luz em seus olhos desaparecendo aos poucos.
“Entendi…”
Ele parecia ter usado todas as suas forças, a voz rouca, sussurrando:
“Vou assinar.”
“Mas, Alicezinha, não vou desistir de você, vou recomeçar…”
“Não precisa.” Eu o interrompi, o tom firme e sereno. “Entre em contato com meu advogado quando assinar.”
Bia ergueu o queixo.
Olhei para aquele homem que amei por cinco anos inteiros e disse minhas últimas palavras de despedida.
“Leonardo, não perturbe mais minha vida.”
“Nós, terminamos de verdade.”
Dito isso, me virei e fui embora, sem olhar para trás.
Caminhando em direção à luz do sol.
(Fim)