Mal Luna teve tempo de soltar o ar—
quando ouviu gritos desesperados vindo do lado de fora da caverna, misturados com discussão:
— Essa Flor da Vesícula de Dragão é minha! Você tá querendo roubar?!
— E por que seria sua? Quem pega primeiro leva!
— É gente de outros grupos!
Adrian voltou voando, retomou a forma humana e sacudiu a lama da roupa branca.
— Eles estão brigando por causa das ervas. E ainda chamaram a atenção de um ninho de aranhas venenosas ali perto.
— Aranhas venenosas?
Os olhos de Luna se arregalaram.
No mesmo instante, ela se animou.
— Vamos ver! Vai que a gente aproveita o caos? Dá pra salvar gente, ganhar um monte de ponto e ainda pegar umas aranhas pra trocar por valor. Três vantagens numa só!
— Não vai!
Leonardo a segurou pelo braço.
As orelhas de tigre branco ainda estavam parcialmente aparentes, e o olhar vinha cheio de preocupação.
— As aranhas venenosas andam em grupo. São letais. Se mordem, é morte certa!
— Medo de quê?
Luna se soltou dele. Uma pequena chama apareceu na ponta dos dedos.
— Eu tenho a Pérola do Espírito de Fogo. Aranha tem medo de fogo. Além disso, se eles continuarem brigando, mais cedo ou mais tarde isso vai sobrar pra gente também. Melhor resolver logo e acabar com a dor de cabeça.
Sebastian balançou as caudas e foi logo atrás dela:
— Eu adoro esse seu jeito maluco. Vamos assistir o circo!
Matheus não falou nada.
Mas segurou a espada com mais força e assumiu naturalmente a dianteira do grupo.
Rafael soltou um suspiro e foi junto:
— Tomem cuidado. Não se lancem na frente sem pensar.
Assim que saíram da caverna, viram uma clareira adiante.
Nela, dois grupos de membros-besta estavam quase saindo no braço.
No chão, várias ervas tinham se espalhado.
E em volta de todos eles, rastejava uma massa de aranhas venenosas—
corpos negros, olhos vermelhos, pernas cobertas por pelos finos.
Só de olhar já dava arrepios.
Luna encostou-se atrás de uma árvore, cruzou os braços e assistiu:
— Continuem. Continuem brigando. Agora pronto. Nem ficaram com as ervas e ainda vão virar comida de aranha.
Um dos membros-besta de roupa marrom viu Luna e quase chorou de alívio:
— Senhora Luna! Salva a gente! Se você ajudar, as ervas ficam todas com você!
— Agora vocês lembram de me pedir ajuda?
Luna ergueu a sobrancelha, mas já fazia conta por dentro.
— Posso salvar. Só que as ervas ficam comigo. E as aranhas também. Fechado?
— Fechado! Fechado! Desde que você salve a gente!
O homem respondeu rápido demais.
No olhar dava para ver medo—
e ganância também. Claramente ele só queria sobreviver primeiro e pensar no resto depois.
Luna ia agir—
quando um membro-besta de pele esverdeada avançou de repente sobre outro homem ao lado, com um sorriso nojento no rosto:
— Ô, gracinha, não corre! Fica comigo que eu garanto que você sai vivo daqui!
O outro, um cervo-besta, soltou um grito assustado.
Era um macho.
Tinha força S-rank.
Mas claramente não era páreo para aquele sujeito de pele verde, que parecia ainda mais forte.
Os olhos de Luna ficaram gelados na mesma hora.
— Puta merda! Em plena madrugada, o desgraçado ainda tenta assediar macho? Ficou cego? Isso aí é homem!
Matheus foi ainda mais rápido do que ela.
Num instante, já tinha avançado em forma de lobo negro, com as presas de fora, e mordeu o braço do sujeito verde.
O grito saiu alto.
O cervo-besta conseguiu escapar.
— SOME! — rosnou Matheus, os olhos cheios de intenção de matar. — Se encostar nele de novo, eu arranco sua carne no dente.
O membro-besta verde tremia de dor, mas ainda teve coragem de rebater:
— Isso não é da sua conta! Ele nem é seu!
— Ele é amigo do meu time.
Luna veio andando até eles.
Na ponta dos dedos, a chama apareceu de novo.
— E quem foi que te deu permissão pra bancar o predador aqui na minha frente? Você não enxerga nada, não? Se cansou de viver?
O cervo-besta era justamente um dos que tinham sido roubados pelo grupo de Zhu Gou Dan mais cedo.
Seu nome era
Luan Cervo
.
Ao ver Luna, ele quase se curvou de gratidão:
— Senhora Luna, muito obrigado!
— Agradece depois.
Luna ergueu a chama para mais perto do rosto do agressor.
— Vou te dar duas escolhas: ou você vira comida de aranha agora… ou quebra um braço por conta própria e desaparece da Floresta Nebulosa.
O sujeito de pele verde ficou branco.
Ao ver as aranhas se aproximando cada vez mais, cerrou os dentes, pegou uma pedra do chão e a desceu com violência sobre o próprio braço.
— CRACK!
O osso quebrou na hora.
Ele caiu rolando de dor, mas conseguiu se levantar e sair correndo floresta adentro:
— Luna Valente! Eu vou lembrar disso!
— Ótimo! Da próxima vez que eu te vir fazendo esse tipo de merda, te corto e jogo pros lobos!
Luna cuspiu essas palavras e então se virou para Luan:
— Pega teu grupo e vai embora. Segue pro leste. Tem uma caverna segura lá. E para de brigar por erva, porra. Vida vale mais.
Luan assentiu repetidas vezes e levou o grupo embora às pressas.
Do outro lado, os dois grupos que tinham brigado pelas ervas já estavam quase completamente cercados pelas aranhas venenosas.
Alguns membros-besta foram mordidos.
Cairam no chão.
A pele escureceu.
Em poucos instantes, morreram.
— A ganância mata mesmo.
Luna balançou a cabeça, ergueu a chama e a atirou na direção do ninho:
— Leonardo, Dante! Queimem essas aranhas! Matheus, Sebastian! Cortem as pernas das que chegarem perto! Adrian, fica no alto e me avisa se elas tentarem cercar!
— Certo!
Todos se moveram na hora.
Dante voltou à forma de dragão dourado. As garras varreram várias aranhas de uma vez, e o sopro de fogo fez os corpos queimarem com um chiado nojento.
Leonardo avançou no meio do ninho em forma de tigre branco. Com uma varrida da cauda, lançou várias para longe.
Matheus e Sebastian lutavam em perfeita sincronia. Lâmina e vento se cruzavam no ar, cortando patas por todos os lados.
Adrian girava alto sobre eles e, toda vez que percebia um grupo de aranhas tentando rodeá-los pelos flancos, mergulhava e rasgava com as garras.
Luna, por sua vez, fazia brotar vinhas para prender as aranhas e depois as queimava com a Pérola do Espírito de Fogo, contando em voz alta:
— Uma… duas… três… Essas desgraçadas dão ponto muito rápido!
【Ding! Você eliminou 56 aranhas venenosas! Pontos de fofura +2800! Pontos atuais: 249550!】
— Tá chegando nos trezentos mil!
Os olhos de Luna brilharam.
— Mais um empurrão e eu libero a fonte espiritual!
Mas, justamente nesse momento—
um rugido ensurdecedor ecoou ao longe.
O chão vibrou junto.
As aranhas venenosas entraram em pânico na mesma hora e começaram a fugir para todos os lados, como se algo ainda mais terrível estivesse chegando.
— Pela santa mãe dos dragões… que porra é essa?
Luna parou de se mexer e olhou na direção do som.
No meio da névoa, uma sombra gigantesca se aproximava devagar.
— Desse tamanho aí… no mínimo é uma fera SS-rank.
Leonardo retomou a forma humana e se colocou na frente de Luna, com os cabelos dourados bagunçados e os olhos afiados:
— É um
Urso Fende-Montanha
. Um dos soberanos da Floresta Nebulosa. Força SS-rank. Um monstro de força bruta. E não tem medo de fogo.
— Não tem medo de fogo?
O couro de Luna gelou por um instante.
Ela apertou a Pérola do Espírito de Fogo na mão.
— E aí? Vai ser no braço mesmo?
A cauda de Dante se enrolou na cintura dela. Os olhos dourados estavam firmes:
— Luninha, você sai primeiro. A gente segura ele.
— Sair o caralho!
Luna se soltou dele com força, e aquela loucura dela apareceu de novo no olhar.
— No apocalipse eu já vi fera pior do que isso. É só um urso, porra. Tá achando que eu vou tremer pra uma coisinha dessas?
Ela virou rapidamente para todos e começou a distribuir ordens:
— O couro dele é grosso, mas os olhos são o ponto fraco! Leonardo, vira tigre branco e puxa a atenção dele pela frente. Dante, vai pelas costas e acerta as pernas traseiras. Matheus, corta as garras dele. Sebastian, usa vento pra atrapalhar a visão. Adrian, procura uma brecha pros olhos. Eu vou prender ele com as vinhas!