— Chamem a polícia! Está pegando fogo!
As pessoas entraram em pânico, correndo em todas as direções.
O incêndio só aumentava, e ondas de calor vinham em direção a eles sem parar.
Fernando Duarte olhava para a cena, o coração apertado — e, de repente, pensou em Lívia.
— Cadê a Lívia? Ela sabe que o orfanato está pegando fogo?
O assistente discou rapidamente, mas logo balançou a cabeça.
— Senhor Duarte… a senhora não atende.
— Mas aqui é no meio do nada… as crianças já devem ter ido pra escola. Provavelmente não tem ninguém lá dentro.
Ao ouvir isso, Fernando finalmente relaxou um pouco.
— Chame os bombeiros agora. Tentem controlar o fogo… e salvar o que for possível.
Quando ele estava prestes a ligar para Lívia novamente, Vanessa segurou sua mão discretamente.
— Fernando… será que não foi a sua esposa que provocou esse incêndio?
— Ela sabia que viríamos hoje à noite… talvez tenha feito isso de propósito, pra nos deixar mal diante da mídia…
Ao ouvir aquilo, Fernando imediatamente se lembrou da forma descontrolada como Lívia tinha atacado Vanessa pouco antes.
— Você tem razão… hoje ela estava claramente contra você.
— Quando foi que ela ficou tão calculista assim?
Desde o acidente entre Lívia e Vanessa, ele tinha ido direto ao hospital ver Vanessa.
Lívia parecia… profundamente triste.
E também muito decepcionada.
Fernando murmurou para si mesmo:
— Qual é a diferença entre três e quatro vezes… que mesquinharia.
Mesmo dizendo isso, ao ver o incêndio violento diante dele, uma dor inexplicável apertava seu peito.
Quando os bombeiros chegaram e começaram a apagar o fogo, Fernando olhou novamente para as ligações não atendidas de Lívia… e sentiu uma inquietação crescente.
Ele se virou e deu ordens ao assistente:
— Fique aqui. Me avise se houver qualquer novidade. Vou pra casa.
— Sim, senhor Duarte.
Vanessa tentou entrar no carro junto com ele, mas, pela primeira vez, Fernando demonstrou impaciência.
— Vou mandar o motorista te levar. Estou ocupado.
Depois de dizer isso, ele nem percebeu quando Vanessa foi esbarrada pelo carro —
o veículo já tinha partido em alta velocidade.
Durante todo o caminho, ele pensava em como contar para Lívia que o orfanato tinha pegado fogo.
Afinal… aquele lugar era praticamente a casa dela.
Ela ia lá quase toda semana.
Agora… estava reduzido a cinzas.
Ela com certeza ficaria devastada.
Fernando tentou deixar de lado a irritação que sentia por ela.
No caminho, parou para comprar um buquê de flores.
— Lívia… você ainda está brava?
Ele entrou em casa com as flores nas mãos, mas logo percebeu que ela não estava na sala.
Subiu até o quarto.
Nada.
— Dona Marta!
A empregada veio apressada.
— A senhora ainda não voltou? Por que ela não está em casa?
Dona Marta balançou a cabeça.
— Senhor… desde que saiu com o senhor, ela não voltou.
— Eu liguei pra perguntar o que ela queria jantar, mas ela também não atendeu.
O coração de Fernando afundou.
Ele se virou abruptamente para descer as escadas—
E várias folhas de exames médicos caíram no chão.
【Dez pontos no ombro】
【Febre alta: 39°C】
【Infecção grave na ferida】
Cada palavra saltava diante dos seus olhos.
Só então ele percebeu… Lívia tinha ficado gravemente ferida no acidente.
Não era à toa que ela estava tão pálida… tão abatida.
Quando ele pegou a última folha—
Seus olhos se arregalaram.
— Acordo… de divórcio?
Não só havia a assinatura de Lívia… como também a dele.
De repente, o pânico tomou conta.
Por que Lívia teria preparado um acordo de divórcio?
E por que ele tinha assinado… sem perceber?
Antes que conseguisse pensar melhor—
O telefone tocou.
Era o assistente.
— Senhor Duarte, aconteceu algo grave!
— Encontraram o corpo de uma mulher no incêndio!