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《Renascida das Sombras》Capítulo 1

1 A Traição da Era Esquecida

A chuva gelada se misturava ao sangue escorrendo pelo meu rosto. Encolhida entre blocos de concreto despedaçados, eu ouvia os uivos desumanos ecoando à distância. Este mundo já não era aquele que guardava em minhas memórias.

Apenas dez minutos antes, as duas pessoas em quem mais confiava – meu irmão Lorenzo e minha melhor amiga Viviane – tinham arrancado minha mochila de suprimentos e me empurrado para o meio daquela horda de Sussurradores. Em seus olhos, não havia um pingo de hesitação, apenas uma frieza resoluta.

“Ana Luz, não nos culpe. Nesta era de invasão esquecida, os fracos estão destinados a ser eliminados.” As palavras de Lorenzo saíram enquanto sua arma de energia apontava para mim, sem um único tremor.

Eu pensei que o renascimento fosse uma dádiva do céu, uma chance de corrigir os erros da vida passada. Agora entendia: talvez fosse um castigo ainda mais cruel.

Memórias inundaram minha mente como uma maré. Na vida anterior, eu e Lorenzo lutamos juntos por uma década no fim dos tempos, até que, por um pedaço de comida pura, ele me empurrou para um bando de bestas mutantes. No momento do renascimento, jurei que nesta vida mudaria tudo, me preparando com antecedência, encontrando um refúgio mais seguro.

Mas eu estava errada. Esqueci que o maior perigo não vinha apenas deste mundo gradualmente distorcido, mas também do coração humano.

Os sussurros estavam cada vez mais próximos, suas formas retorcidas espreitando na névoa. Apertei a única adaga que me restava, preparando-me para uma última resistência.

Foi então que uma luz intensa irrompeu do céu.

2 Renascimento e a Escolha

Abri os olhos e me vi em pé no familiar Centro de Atribuição de Abrigos. O calendário eletrônico na parede mostrava: 15 de julho, 024 do Novo Ciclo. Três meses antes do surto da invasão esquecida.

Eu renasci, e com ainda mais tempo de antecedência.

“Ana Luz, está sonhando acordada? É a nossa vez.” A voz de Lorenzo soou atrás de mim.

Me virei e encarei aquele rosto ainda juvenil. As imagens da vida passada – sendo por ele empurrada para as bestas, e há minutos atrás, sendo por ele lançada aos Sussurradores – se entrelaçaram, causando um enjoo no meu estômago.

“Não está se sentindo bem?” Viviane estendeu a mão com preocupação para tocar minha testa. Eu recuei instintivamente.

“Estou bem, só um pouco tonta.” Forcei-me a me acalmar.

Era o ponto de distribuição de abrigos estabelecido pelo Governo Unificado Humano. Com a energia esquecida invadindo incessantemente, as cidades tradicionais não eram mais seguras. Apenas algumas poucas “Zonas Seguras”, protegidas por barreiras de energia, eram habitáveis. Mas a capacidade das Zonas era limitada; apenas famílias selecionadas obtinham a qualificação para entrada.

Na vida anterior, implorei a Lorenzo que escolhêssemos o “Abismo Pétreo” no Setor Oeste – um lugar rústico, mas que foi um dos poucos a resistir à maré esquecida depois. Ele, teimoso, escolheu a “Fortaleza Estelar” no Setor Leste, apenas porque oferecia condições mais luxuosas e um sistema de entretenimento mais rico.

Ele não sabia – ou simplesmente não se importava – que a Fortaleza Estelaria ruiria completamente três meses depois, quando sua fonte de energia central fosse corrompida por uma presença esquecida. Todos os residentes morreriam ou se tornariam monstros distorcidos.

“Por favor, selecione sua Zona Segura de preferência.” O funcionário repetiu mecanicamente.

Lorenzo apontou sem hesitar para o holograma de divulgação da Fortaleza Estelar: “Esta aqui.”

Fechei os olhos, inspirei fundo. Desta vez, não repetiria os mesmos erros.

“Eu escolho o Abismo Pétreo.” Disse claramente.

Lorenzo e Viviane viraram-se para mim ao mesmo tempo, expressões de incredulidade estampadas em seus rostos.

“Você enlouqueceu? Aquele lugar miserável nem entretenimento básico tem!” Lorenzo baixou a voz. “E não combinamos de ficar juntos?”

“Mudei de ideia.” Respondi com calma. “Se quiser, pode vir comigo para o Pétreo.”

“Impossível!” Lorenzo foi categórico. “Já que você quer ser teimosa, então cada um segue seu caminho!”

Ele propositalmente elevou o tom, para que todos ao redor ouvissem: “Ana Luz, já que você insiste em se separar da família, não venha me pedir ajuda quando se meter em perigo!”

O funcionário registrou, sem expressão: “Portanto, Lorenzo e Viviane para a Fortaleza Estelar. Ana Luz, sozinha, para o Abismo Pétreo. Confirmam?”

“Confirmamos.” Nós três respondemos quase em uníssono.

Ao sair do Centro, Viviane puxou-me discretamente pelo braço: “Ana Luz, por que essa mudança repentina? Não combinamos de ficar juntas para sempre?”

Olhei para seu rosto ainda infantil. Era difícil conectá-lo à mulher que, mais tarde, sorriu friamente ao arrancar minha última esperança de sobrevivência.

“As pessoas mudam, Viviane. Que tenham uma boa estadia... na Fortaleza Estelar.”

Não olhei para trás. Caminhei direto para o ponto de embarque com destino ao Abismo Pétreo. Desta vida, seguiria meu próprio caminho.

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