Naquela mesma noite, minha ferida inflamou.
A febre subiu quase a 40 graus.
Fui sozinha chamar o médico, sozinha pagar as despesas.
Atrás de mim, ouvi as enfermeiras cochichando:
— A senhorita Vanessa só teve ferimentos leves, mas o namorado já colocou ela num quarto VIP… e olha essa aqui, nesse estado, completamente sozinha.
Soltei um sorriso de deboche e me virei.
Mas Fernando veio na minha direção e me deu um tapa.
— Lívia Andrade, você passou dos limites!
— Quem mandou você usar meu cartão adicional? A Vanessa vai descobrir quem você é!
— Eu já deixei bem claro que vou terminar com ela, só preciso de tempo! Já fiz tanto, o que mais você quer?
Meu corpo, já fraco, quase não se sustentava.
A marca ardente do tapa fez meus olhos ficarem vermelhos.
Só então Fernando suavizou o tom, avançou e me abraçou.
— Nesse mundo, só eu te amo de verdade. Você consegue sentir isso, não consegue?
— Se você souber esperar, eu vou voltar completamente pra nossa família.
Naquela época…
Eu, uma órfã desprezada por todos, quando ele se ajoelhou para me pedir em casamento… achei que era a mulher mais feliz do mundo.
As pessoas ao nosso redor não acreditavam.
Viviam dizendo:
— O que você fez na vida passada pra conseguir casar com alguém tão apaixonado como o Fernando?
Eu me afundei nesse amor, sem conseguir escapar.
Até que…
Quando Vanessa fazia birra com ele, ele mostrava abertamente vídeos meus sendo humilhada no passado para agradá-la, fazendo com que eu fosse rejeitada pelas outras mulheres da alta sociedade.
Por causa de uma ligação dela, ele me largou numa estrada deserta para voltar sozinha a pé… quase fui atacada por animais selvagens.
E depois foi piorando.
Ele deixava Vanessa ligar de madrugada, colocando o som da respiração deles na cama… o que me fez perder o filho que eu tinha acabado de descobrir que estava esperando.
E ainda teve a coragem de me culpar… dizendo que eu era mesquinha, que nem um filho consegui manter.
Meu rosto estava gelado, o suor frio escorria enquanto a dor me consumia.
Fernando colocou a chave do carro na minha mão.
— Se você continuar aqui, a Vanessa não vai conseguir se recuperar em paz. Dá alta e vai embora agora.
Meu corpo queimava, minha visão escurecia.
Mas mesmo assim… eu respondi:
— Tá.
A expressão dele se tornou complexa.
Nesse momento, recebi uma ligação da Dona Celina, do orfanato.
Quando soube que ela tinha tido um ataque cardíaco, corri, tropeçando, até o andar de cima.
Vi Dona Celina com o rosto roxo, mal conseguindo respirar.
Enquanto tentavam socorrê-la, o médico explicou:
— Agora há pouco, uma jovem veio discutir com ela… chegou até a bater na senhora e disse muitas coisas horríveis!
Minhas pupilas se contraíram instantaneamente.
Para alguém como eu, sem pai nem mãe…
Dona Celina era mais que família.
Virei-me cambaleando.
Vanessa estava jogada nos braços de Fernando, chorando de forma delicada:
— Aquela velha me chamou de amante… eu só me defendi um pouquinho, e ela já se jogou no chão fingindo… buá…
A raiva subiu como fogo dentro de mim:
— Você está mentindo!
Vanessa me lançou um olhar de canto, mostrando algumas marcas falsas de “beliscão” no corpo, e chorou ainda mais alto.
Enquanto isso… na pele exposta de Dona Celina, havia marcas profundas de unhas e hematomas evidentes.
Quando vi o sorriso provocador escondido de Vanessa, perdi completamente o controle.
Avancei e dei um tapa nela.
Mas no segundo seguinte… um tapa ainda mais forte caiu no meu rosto.