Borboleta rolou até perto da pérola, esfregou o corpinho branco nela e começou a rir com a maior cara de pau:
【Não é à toa que você era uma coelhinha inútil. Nem uma faísca você consegue controlar direito!】
— Cala a porra da boca!
Luna pegou uma cenoura da mesa e arremessou na direção dela.
A larvinha desviou com agilidade.
A cenoura bateu na parede de madeira e espatifou migalhas para todo lado.
— Se esse seu sistema de merda pelo menos viesse com manual, eu já teria aprendido isso sem passar vergonha!
Ela começou a andar de um lado para o outro, bufando de raiva.
Os fios queimados da franja balançavam, deixando-a parecida com uma coelha de pelo arrepiado.
【A culpa é sua por ser burra!】
Borboleta insistiu em cavar a própria cova.
【O Dante cospe fogo como se estivesse brincando, e você não consegue nem segurar uma chaminha. E ainda quer posar de maluquinha perigosa?】
Luna estava prestes a explodir—
quando a porta rangeu.
Dante apareceu encostado no batente.
Os cabelos negros estavam molhados, colados ao pescoço.
A roupa branca parecia encharcada de suor, quase pingando.
Os olhos dourados estavam embaçados por uma névoa úmida.
E o corpo inteiro soltava um calor tão forte que, mesmo a três passos de distância, Luna sentiu como se estivesse na frente de um forno.
— Luninha…
A voz dele saiu rouca.
Ele entrou com passos instáveis.
— Eu… tô queimando…
Luna recuou um pouco.
Do nada, sentiu o próprio corpo esquentar também. As mãos começaram a suar frio.
— Fica longe de mim!
Ela deu um salto para trás, bateu com a cintura no canto da mesa e fez uma careta de dor.
— Caralho, sua temperatura tá querendo te assar vivo! Eu também tô sentindo calor… quer dizer que fêmea também entra no cio? Ninguém me contou isso!
【Hospedeira! Isso é só o calor dele te afetando! O cio das fêmeas só aparece em A-rank! Você ainda tá longe disso!】
Borboleta desmontou o drama na hora.
Dante nem parecia ouvir mais nada.
Deu mais dois passos, e da parte de trás de sua cintura surgiu meia cauda de dragão dourada—
as escamas estavam avermelhadas, como se tivessem acabado de sair de uma forja.
Quando a cauda encostou na mesa, uma marca preta de queimado ficou na madeira.
— PUTA MERDA!
Luna pulou para cima da mesa quase derrubando a bandeja de frutas.
— Sua cauda já tá no ponto de churrasqueira? Isso aí tá quase bem passado!
Ela olhou fixamente para a cauda.
E, sem querer, um pensamento ridículo atravessou sua cabeça:
carne de dragão será que é gostosa? Ou fica presa no dente?
Dante deu uma risada baixa por causa da fala dela, mas o fogo dentro do corpo aumentou ainda mais, e ele tossiu duas vezes.
A cauda avançou um pouco mais e quase bateu na perna dela.
— Luninha… não brinca…
Os olhos dourados estavam avermelhados de um jeito quase infantil.
— Eu tô mal…
Luna foi amolecendo por dentro ao ver aquele olhar.
Mas logo forçou a si mesma a voltar ao normal:
— Tá mal, então fica longe de mim! Eu vou arranjar gelo pra você!
Ela até se virou para sair correndo—
mas então lembrou que naquele mundo não existia gelo assim tão fácil. Só indo até as montanhas nevadas do norte. Ida e volta levariam três dias. Dante provavelmente nem chegaria vivo até lá.
— Ah, esquece!
Luna revirou os olhos, virou-se de lado e, escondido, tirou um jarro do espaço.
Lá dentro havia água gelada do riacho do espaço.
— Toma. Isso deve refrescar um pouco.
Ela estendeu o jarro.
Sem querer, a ponta dos dedos dela tocou a mão dele.
— AI!
Ela puxou a mão de volta na hora. A ponta do dedo tinha ficado vermelha.
— Você tá virando chapa de teppanyaki agora? Quase assou meu dedo!
Dante pegou o jarro e bebeu metade dele de uma vez.
O calor do corpo realmente diminuiu um pouco.
Mas mesmo assim ele voltou a se aproximar.
A cauda dourada se enrolou levemente na cintura dela.
— Luninha…
Ele enterrou o rosto no pescoço dela.
A respiração vinha ardente.
— Eu sei que você não quer… mas eu tô com medo de não conseguir aguentar…
O corpo de Luna travou inteiro.
O calor da cauda passava por cima da roupa, como se um pano fervendo estivesse encostado nela.
A cabeça dela virou um caos:
droga… ele foi o cara que roubou meu primeiro beijo! Será que minha primeira vez também vai ser com esse dragão pegando fogo?
Mas, se ele morrer, eu perco uma ferramenta!
E, pra piorar, ele é bonito mesmo. O corpo também é ótimo…
【Hospedeira! Assume logo! Você tá com dó dele! Pra que continuar bancando a durona?】
Borboleta começou a atiçar ainda mais.
【Ele passou dois anos aguentando o cio por sua causa. Vai logo e aceita!】
— Cala a boca! Eu só não quero perder um ajudante bom pra caçar fera!
Luna rebateu, mas as mãos não o empurraram.
Ao contrário.
Ela acabou dando dois tapinhas leves nas costas dele.
— Tá, tá bom. Fica aqui esta noite. Mas sem fazer besteira!
Os olhos de Dante se iluminaram no mesmo instante.
A cauda apertou um pouco mais a cintura dela, mas com extremo cuidado, como se tivesse medo de machucá-la.
— Luninha… você é tão boa…
Ele esfregou o rosto no pescoço dela como um gato grande.
Não.
Como uma minhoca grande e pegajosa.
Luna revirou os olhos.
Mas, no fundo, sentiu um calor esquisito no peito—
droga, isso tá parecendo a sensação de conseguir o último pacote de base de hot pot no apocalipse: desespero, nervoso e, ao mesmo tempo, um prazer absurdo.
……
Ao mesmo tempo, na cabana de Camila, o clima era outro.
Gorduroso.
Ela estava encostada no peito de um macho-urso de cabelos castanhos, brincando com um adorno de osso nos dedos, mas os olhos seguiam voltando para a janela.
Enquanto isso, resmungava:
— Aquela desgraçada da Luna tem uma sorte ridícula. Cinco noivos, todos SS-rank. O cabelo dourado do Leonardo, os chifres do Dante… e aí eu olho pra vocês…
O macho-urso ficou com a cara péssima, mas não ousou rebater.
Camila era uma fêmea B-rank.
No mundo das feras, as fêmeas já eram raras por si só.
Ela tinha três machos como parceiros, e nenhum deles era páreo para os noivos de Luna.
— Jia’er… a Luna não é fácil de mexer. Ela até conseguiu puxar o dragão negro pro lado dela…
— E daí?
Camila soltou uma risada fria, empurrando o urso para longe.
— Eu já falei com o senhor Zhu Liang. Amanhã, na competição, ele vai me ajudar. Quando a Luna morrer dentro da Floresta Nebulosa, aqueles cinco noivos dela vão acabar sendo meus.
Ela pegou um espelho de pele de fera e ficou olhando o próprio rosto.
— Eu sou mais gentil do que ela. Sei agradar macho muito melhor. O Leonardo e os outros com certeza vão me escolher.
Ao lado, um macho-raposa se inclinou e falou baixinho:
— Jia’er… a família Valente tem muita força. Melhor a gente não mexer mais com isso…
— Tá com medo de quê?
Camila lançou um olhar venenoso para ele.
— O senhor Zhu Liang é um lobo SSS-rank. Por mais forte que o Augusto seja, ele não consegue enfrentar dois reis das feras juntos!
Ela ergueu o queixo.
— Quando a Luna morrer, eu vou ser a fêmea mais nobre de todo o sul.
Camila estava tão mergulhada nas próprias fantasias—
que não percebeu a sombra branca passando pela janela.
Adrian estava pousado no topo de uma árvore.
Os olhos azuis estavam gelados.
Ele tinha ouvido cada palavra.
Sem fazer ruído, abriu as asas de novo e voou na direção do Vale Valente.
Só havia um pensamento em sua cabeça:
amanhã, na competição, ele protegeria Luninha custasse o que custasse.
No quarto de Luna, Dante já tinha adormecido, encostado ao lado da cama.
A cauda dourada repousava sobre a perna dela, agora muito menos quente do que antes.
Luna estava sentada ao lado, segurando a Pérola do Espírito de Fogo.
Na ponta dos dedos, uma pequena chama reapareceu.
Dessa vez, ela não apagou.
Luna ficou olhando a chama e, sem perceber, o canto dos lábios foi subindo devagar.
【Hospedeira! Tá vendo? Quando pensa no Dante, você até ganha motivação!】 provocou Borboleta.
— Cala a boca. Eu só quero vencer a competição.
Luna respondeu com firmeza, mas já não parecia tão interessada em brigar com a larva.
Ela olhou o rosto adormecido de Dante e pensou:
quando eu vencer a competição, juntar mais pontos de fofura e voltar pro mundo moderno… será que devo levar um dragão de fogo junto? Ia ser estiloso demais.
Enquanto pensava nisso, a chama subiu de repente—
e queimou a ponta de uma corda de palha no canto da mesa.
— TZZZ!
Luna levou um susto e soprou o fogo na mesma hora, batendo na mesa:
— PORRA! Quase botei fogo na casa de novo!