Os guardas conferiram a placa de comando e abriram a porta do tesouro tribal.
Lá dentro era enorme.
Havia de tudo—
armas afiadas, ervas raras, e muitos rolos de couro com inscrições antigas gravadas neles.
— Luninha, procura você mesma. O que quiser, pode pegar. — disse Rafael.
Luna assentiu e foi direto para as estantes onde estavam os rolos.
Procurou por bastante tempo.
Só depois de muito mexer encontrou um rolo azul, onde se lia:
Arte do Dragão Azul
.
Era uma técnica de cultivo da linhagem dracônica.
Não era de madeira, mas podia auxiliar na prática da
Arte do Rei Coelho
.
Ela estava prestes a pegá-la—
quando ouviu passos atrás.
Ao se virar, viu o grande sacerdote entrando, com uma caixa dourada nas mãos.
— Luna Valente, parabéns pela sua vitória. Isso é uma recompensa concedida pelo rei das feras.
Luna pegou a caixa e a abriu.
Lá dentro havia uma pérola vermelha, emitindo um brilho suave.
— Esta é a
Pérola do Espírito de Fogo
.
O grande sacerdote explicou:
— Ela pode fortalecer habilidades de fogo e também servir como proteção contra ataques flamejantes.
Ele fez uma breve pausa.
— O rei das feras disse que você está ferida. A competição foi adiada por um dia, e amanhã você deverá entrar na fase S-rank. Isso deve ajudar.
— Obrigada, grande sacerdote.
O sacerdote sorriu de leve:
— Prepare-se bem. A prova de amanhã será extremamente perigosa.
Luna assentiu.
Com a
Arte do Dragão Azul
numa mão e a
Pérola do Espírito de Fogo
na outra, saiu do tesouro junto com Rafael.
De volta ao Vale Valente, Luna guardou a
Arte do Dragão Azul
no espaço e ficou brincando com a pérola vermelha nas mãos—
como é que se ativa essa coisa pra liberar habilidade de fogo? Ah, dane-se. Depois da competição eu vejo com calma. Amanhã, se aparecer alguma fera que cospe fogo, pelo menos já não vou ficar tão vulnerável.
Nesse momento, Leonardo e os outros voltaram da caçada, carregando bastante presa.
Leonardo entregou a ela um coelho assado:
— Luninha, come um pouco. Você precisa recuperar as forças.
Luna pegou o coelho e deu uma mordida:
— Obrigada.
Dante se aproximou em seguida e lhe estendeu uma fruta:
— Luninha, essa é bem doce. Experimenta.
Luna pegou a fruta, e o coração esquentou um pouco—
ter tanta gente se importando com ela fazia o mundo das feras parecer, às vezes, um lugar até bom.
Mas logo sacudiu a cabeça e expulsou esse pensamento:
não. Não pode vacilar. Ela ainda precisava juntar cem milhões de pontos de fofura e voltar ao mundo moderno pra comer hot pot e tomar chá com leite.
【Hospedeira! Para de bancar a durona! Você já começou a gostar daqui!】
A voz de Borboleta surgiu dentro da mente dela.
Luna ignorou e continuou comendo o coelho assado, enquanto pensava na competição do dia seguinte—
de qualquer maneira, ela precisava vencer.
Só vencendo continuaria se aproximando do retorno ao mundo moderno.
……
Depois de dar a última mordida no coelho assado, Luna limpou a gordura do canto da boca.
Mal tinha voltado para o quarto—
quando Helena entrou logo atrás, trazendo uma bandeja com frutas silvestres lavadas. O vestido verde trouxe junto um cheiro fresco de ervas aromáticas.
— Luninha, senta.
Helena colocou a bandeja sobre a mesa de madeira, puxou uma banqueta coberta de pele e sentou-se.
Os olhos escuros estavam fixos na filha, cheios de algo que parecia teste e hesitação.
O coração de Luna deu um pulo.
Com toda certeza a mãe vinha com assunto complicado.
Ela pegou uma fruta silvestre, enfiou na boca e perguntou de forma meio abafada:
— Mãe, aconteceu alguma coisa?
— Nada demais.
Helena pegou uma fruta também e foi passando os dedos pela casca.
— Eu só queria te perguntar uma coisa. Sobre o Leonardo e os outros quatro… você está satisfeita com eles ou não?
Luna quase se engasgou.
Começou a tossir e a bater no peito.
— Mãe! Por que você tá perguntando isso do nada?
— Não é do nada.
Helena sorriu e estendeu a mão para acariciar as costas dela.
— Naquele tempo, quando eu e seu pai acertamos seu noivado com os cinco, foi porque queríamos que você tivesse com quem contar depois de assumir forma humana.
Ela abaixou um pouco a voz.
— Você não sabe, mas nos últimos dois anos, toda vez que chegava o cio deles, eles quase morriam segurando sozinhos.
Os olhos de Luna congelaram por um instante.
Helena continuou:
— Quando um macho-besta entra no cio, aqueles sete dias são um tormento. Se ele não acasalar com sua fêmea, o fogo dentro do corpo pode realmente queimar ele até a morte.
A mão de Luna parou no meio do caminho.
A fruta, de repente, já não parecia doce.
Ela se lembrou da febre insana de Dante na noite anterior e pensou, por dentro:
porra, se eu soubesse disso antes…
Mas por fora manteve a calma e respondeu sem grande emoção:
— Eles que seguraram sozinhos. O que isso tem a ver comigo?
— Como não tem?
Helena tocou de leve a testa dela.
— Eles já te reconheceram como a única fêmea deles. Mesmo quando você ainda não tinha assumido forma humana, nenhum deles procurou outra.
A voz dela ficou mais séria.
— Seu pai já decidiu. Se você vencer a competição S-rank desta vez, vamos preparar o casamento de vocês seis.
— CASAMENTO?!
Luna saltou da banqueta na mesma hora, com os olhos arregalados.
— Isso tá rápido demais! Eu ainda nem…
— Ainda nem o quê?
Helena ergueu a sobrancelha.
— Você já é B-rank. Já assumiu forma humana. Casar com eles agora não é justamente o certo?
Ela inclinou a cabeça.
— Olha o Dante. Esses dias ele quase não aguentou o cio por sua causa. Você vai mesmo ficar olhando ele se acabar sem fazer nada?
Luna abriu a boca para retrucar.
Mas a lembrança do estado em que Dante tinha ficado fez o argumento morrer antes de nascer.
Ela coçou a parte de trás da cabeça e mudou de assunto à força:
— Então por que o pai só casou com você? Você é um corpo de reprodução de alto nível. Em teoria, podia ter escolhido vários machos, não?
Ao ouvir isso, o rosto de Helena ficou corado, e um sorriso doce apareceu.
— Seu pai, naquela época, espancou mais de dez pretendentes por minha causa.
Ela abaixou os olhos, com um brilho quase tímido.
— No mundo das feras, se um macho quer disputar uma fêmea, ele precisa vencer no punho. Seu pai era forte demais. Como ninguém conseguia derrotá-lo, ninguém mais se atreveu a me disputar.
Foi então que a voz do sistema explodiu na mente de Luna:
【Ding! Detectado: sua mãe, Helena Valente, está grávida. Gestação atual: 4 semanas. Condição física: estável!】
Os olhos de Luna se arregalaram ainda mais.
Ela agarrou imediatamente a mão de Helena:
— Mãe! Você tá grávida?!
Helena ficou surpresa por um segundo.
Depois sorriu e assentiu, levando a mão até o próprio ventre.
— O grande sacerdote confirmou há pouco. Ainda nem contei pro seu pai. Queria fazer uma surpresa pra ele.
O coração de Luna amoleceu inteiro.
Sentiu uma coisa quente e estranha no peito, quase doce demais.
— Então eu vou ter um irmãozinho… ou uma irmãzinha?
— Talvez uma irmã, tão fofa quanto você. Mas, como fêmeas são raras, é difícil saber.
Helena bagunçou o cabelo dela e então puxou o assunto de volta:
— Voltando à questão de você e dos cinco…
Ela falou com mais calma:
— Acasalar também faz bem para a fêmea. Os hormônios dos machos podem estimular sua força. Talvez você até passe de B-rank para A-rank direto, muito mais rápido do que conseguiria sozinha.
— Caralho, isso existe mesmo?
A frase escapou antes que Luna pudesse segurar.
Na mesma hora, ela cobriu a boca.
— Quer dizer… isso realmente funciona?
— Claro que funciona.
Helena sorriu, os olhos curvando de leve.
— Eu fui de A-rank para S-rank justamente depois de me casar com seu pai.
Ela olhou de cima a baixo para a filha.
— Você já está quase em A-rank. Se ficar com eles…
— PARA!
Luna ergueu as duas mãos, interrompendo de uma vez.
O rosto já começava a esquentar.
— Mãe, me deixa pensar nisso com calma, tá bom?
Helena viu a expressão dela e resolveu não forçar mais.
Levantou-se devagar:
— Tudo bem. Pensa no seu tempo.
Então, antes de sair, deixou um último golpe:
— Mas não faz eles esperarem demais. No cio do ano passado, o Leonardo ficou sete dias trancado numa caverna sem comer e saiu magro que só. O Matheus foi ainda pior, entrou em água gelada pra baixar a febre e quase ficou doente de verdade.
Dito isso, Helena pegou a bandeja vazia e saiu, fechando a porta suavemente.
O quarto ficou silencioso num instante.
Luna permaneceu sentada na banqueta, segurando uma fruta silvestre entre os dedos.
A cabeça estava um completo novelo embolado.