Todas as formas de contato de Clara foram bloqueadas por Leonardo.
Ela ligou para ele, não conseguia passar.
Ela mandou mensagem pelo WeChat, não conseguia enviar.
Foi procurá-lo no comando militar, os guardas a barraram do lado de fora.
Foi esperar na porta de sua casa, esperou um dia e uma noite, e não viu nem sua sombra.
Finalmente, ela encontrou um camarada de Leonardo e pediu que levasse uma mensagem.
A resposta que trouxeram foram apenas quatro palavras:
"Diga para ela se afastar."
Clara ficou em pé na rua, observando as pessoas indo e vindo, sentindo medo pela primeira vez.
Desde pequena, ela sabia que Leonardo era seu apoio.
Após a morte de seu irmão, Leonardo havia jurado cuidar dela por toda a vida.
Nestes anos, contando com isso, ela fez o que quis.
Ela maltratou Sofia, e Leonardo não interferiu.
Ela incriminou Sofia, e Leonardo não questionou.
Ela achava que no coração de Leonardo havia apenas ela, Sofia era apenas uma figura decorativa.
Mas só agora ela entendeu.
Leonardo não interferia nem questionava, não porque ela fosse importante, mas porque Sofia não era importante.
Ele não amava Sofia, então não importava quais injustiças ela sofresse.
Mas agora Sofia estava morta.
A luz em seus olhos também se apagou.
O olhar com que a encarava não tinha mais a suavidade de antes.
Apenas frio, um frio que chegava aos ossos.
Capítulo 17
Personagens Principais:
Leonardo Vargas
(Major-general)
Sofia Ventura
(Protagonista feminina)
Três meses depois.
Leonardo apresentou o pedido de transferência para a reserva.
O comando da região conversou com ele, perguntou o porquê.
Ele disse, estava cansado.
O comandante disse, você é o major-general mais jovem da região, com um futuro brilhante, é uma pena transferir para a reserva agora.
Ele disse, minha esposa morreu, não tenho cabeça para comandar tropas.
O comandante ficou em silêncio.
Finalmente, aprovou seu pedido.
No dia em que deixou o comando militar, Leonardo foi sozinho de carro para o cemitério.
Ele sentou-se em frente ao túmulo de Sofia a tarde toda, conversou muito com ela.
Contou-lhe que havia sido transferido para a reserva.
Contou-lhe que Lucas havia sido executado.
Contou-lhe que ele havia expulsado Clara.
Contou-lhe que havia queimado aquela pilha de cartas de amor, queimado para ela.
"Você recebeu, do outro lado?"
Ele perguntou.
O vento soprou pelo cemitério, agitando as flores diante da lápide.
Ele olhou para aquelas pétalas por muito tempo, e então sorriu.
Aquele sorriso era mais feio que o choro.
"Sofia, me diga, se eu tivesse acordado mais cedo, como seria bom."
"Se eu não tivesse drogado você na noite de núpcias, como seria bom."
"Se, nestes sete anos, eu ao menos tivesse te abraçado uma vez, como seria bom."
"Se, naquela noite, eu tivesse chegado em casa mais cedo, como seria bom."
Ele fez uma pausa, a voz engasgou.
"Mas neste mundo, não há remédio para o arrependimento."
"O que lhe devo, nesta vida, não conseguirei pagar."
Capítulo 18
Personagens Principais:
Leonardo Vargas
(Major-general)
Sofia Ventura
(Protagonista feminina)
Leonardo mudou-se da vila militar.
Não conseguia ficar naquela casa nem um dia a mais.
Cada canto tinha a sombra dela.
Na sala, ela costumava sentar sozinha no sofá esperando-o chegar em casa, até adormecer.
Na sala de jantar, ela preparava a comida e esperava por ele, esperava a noite toda, a comida esfriava completamente.
No quarto, ele a imobilizava na cama, obrigando-a a ouvir aquelas palavras que feriam.
No corredor, ela passava por ele apoiada na parede, as pernas fracas, o olhar vazio.
Ele não aguentava.
Mudou-se para um pequeno apartamento nos subúrbios, dois quartos, sala, simples.
Comprou um vaso de osmanthus, colocou na varanda.
A primeira coisa que fazia ao acordar todos os dias era ir à varanda ver aquele vaso de osmanthus.
Regava, adubava, podava os galhos.
Cuidava com todo o cuidado, como se estivesse cuidando de um doente.
Uma vez, enquanto regava, ele acidentalmente derrubou uma flor.
Ele ficou parado ali, olhando para a flor no chão, seus olhos de repente ficaram vermelhos.
Abaixou-se, pegou a flor, colocou-a na palma da mão, olhou por muito tempo.
Então, encostou a flor nos lábios, beijando-a suavemente.
"Sofia."
Chamou o nome dela, a voz rouca.
"Você veio me ver?"
Mas não houve resposta alguma.
Capítulo 19
Personagens Principais:
Leonardo Vargas
(Major-general)
Sofia Ventura
(Protagonista feminina)
O inverno deste ano chegou rápido e muito frio, e Leonardo adoeceu.
Ele estava deitado na cama do hospital, olhando a neve lá fora, e de repente sorriu.
A enfermeira perguntou do que ele estava rindo.
Ele disse, lá onde ela está, também deve estar nevando.
A enfermeira perguntou, quem?
Ele disse, minha esposa.
A enfermeira não ousou perguntar mais.
Naquela noite, sua condição piorou repentinamente.
Os médicos tentaram reanimá-lo por muito tempo, mas no final balançaram a cabeça.
Antes de morrer, ele ficou repetindo um nome.
Sofia, Sofia, Sofia.
No final, ele de repente abriu os olhos, olhou para o teto e sorriu.
Aquele sorriso era o mais caloroso que a enfermeira já tinha visto.
Ele disse, você veio me buscar?
Então, fechou os olhos lentamente, ainda com um sorriso no canto da boca.
O eletrocardiograma virou uma linha reta.
No quarto do hospital, apenas o som sussurrante da neve lá fora.
E ao seu lado, aquela foto amarelada.
Na foto, a garota vestia uniforme militar, com o cabelo em rabo de cavalo, sorrindo radiante e despreocupada.
No verso da foto, havia uma linha de letras, escritas por ele muitos anos atrás:
'Sofia, espere por mim.'
'Desta vez, não vou deixar você partir sozinha.'
[FIM]