《A Herdeira Traída e o Jogo da Vingança》Capítulo 7

Leonardo me procurou por vários dias seguidos.

Quando percebeu que ligações e mensagens não funcionavam, passou a ficar dia e noite na frente do meu prédio.

Pelo monitor nítido do sistema de segurança na entrada, eu conseguia vê-lo parado no vento frio.

O cabelo, antes sempre impecável, agora estava bagunçado.

O terno caro, amarrotado.

Ele tentou entrar várias vezes, mas sempre era expulso pelos seguranças.

Até que o gerente do prédio me ligou, visivelmente constrangido:

— Senhorita Isabella… ele não quer ir embora… realmente não sabemos mais o que fazer.

Suspirei.

No fim… decidi encontrá-lo.

Era preciso que eu mesma colocasse um ponto final nessa farsa.

Ajustei o casaco sobre os ombros e fui até o saguão.

Vi Leonardo ali.

Em poucos dias… ele tinha emagrecido visivelmente.

As olheiras profundas já não podiam ser escondidas.

A barba começava a aparecer, desleixada.

Assim que me viu, seus olhos se iluminaram.

Instintivamente, deu um passo à frente.

— Bella… você finalmente quis me ver…

Recuei um passo, impedindo sua aproximação.

Caminhei com calma até a cadeira em frente a ele e me sentei.

— Senhor Farias, sente-se. Eu não tenho muito tempo.

A forma como o chamei pareceu atingi-lo.

Ele ficou parado por um instante… antes de se sentar, abatido.

— Bella… me desculpa…

— Eu sei que pedir desculpa é pouco…

Seus olhos estavam avermelhados.

— Eu errei… eu realmente errei…

— Aquela noite… eu estava bêbado… eu perdi a cabeça… eu fui um idiota…

Ele falava de forma confusa, repetindo várias vezes a loucura daquela noite, culpando o álcool, insistindo que foi só um erro momentâneo.

Por um instante… fiquei um pouco distante.

O homem que vi naquela noite e o homem diante de mim agora… pareciam pessoas completamente diferentes.

E eu já não sabia quanto daquela culpa era verdadeira.

— Terminou?

Minha expressão permaneceu calma, sem qualquer emoção.

— Se é só para pedir desculpa por aquele registro de casamento… não precisa.

— É só um papel. Eu não me importo.

Ele levantou a cabeça abruptamente.

— Então… então você…

— Leonardo.

Olhei para ele com tranquilidade, como se estivesse contando uma história que já não me pertencia.

— Você lembra do nosso aniversário de namoro?

— Eu preparei tudo com cuidado… e você disse que tinha uma reunião urgente.

Fiz uma pausa.

— Eu esperei até o restaurante fechar.

— E depois vi no Instagram da Camila… você jogando videogame com ela a noite inteira num hotel gamer.

O rosto dele ficou pálido.

— Lembra quando eu tive febre de trinta e nove graus?

— Eu te liguei… e você disse que estava ajudando a Camila a escolher um carro novo.

— Mandou eu tomar um remédio.

Minha voz continuava calma.

— Eu fui sozinha pro hospital.

— Peguei soro.

— Meu celular acabou a bateria… e eu fiquei sentada no corredor frio até de madrugada.

Os lábios dele começaram a tremer.

— Lembra da primeira vez que me apresentou aos seus amigos?

— Na frente de todo mundo, a Camila te puxou de lado pra cochichar.

— E eu fiquei lá, sozinha, no canto… como uma idiota.

— Quando você voltou… só disse que ela “não estava bem”.

— E naquela noite inteira… vocês ficaram me zoando por eu não saber me enturmar.

Meu tom continuava plano.

Mas a cada palavra… o sangue sumia um pouco mais do rosto dele.

Seu corpo tremia levemente.

— E mais.

Olhei diretamente para ele.

— No meu aniversário… você prometeu me levar a uma exposição.

— No meio do caminho, ela te ligou dizendo que o encanamento da casa dela tinha estourado.

— Você me deixou no meio da estrada…

— e disse pra eu me virar.

Respirei fundo.

— Estava chovendo muito naquele dia.

— Eu não consegui pegar carro.

— Caminhei três quilômetros… até encontrar uma estação de metrô.

— Leonardo.

Encarei seu rosto completamente pálido e falei, palavra por palavra:

— Em todos esses momentos…

— você também estava bêbado?

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