Luna assentiu, moveu a consciência e tirou do espaço um cantil com água do riacho de dentro do sistema. Levou até os lábios de Dante:
— Bebe isso. Vai aliviar um pouco.
Dante bebeu sem hesitar.
Depois de alguns goles, a temperatura do corpo dele realmente baixou um pouco, e os olhos dourados ficaram mais lúcidos.
Ele olhou para Luna, cheio de culpa:
— Luninha… me desculpa… eu não consegui me controlar agora há pouco…
— Tá bom, deixa pra lá. Eu sei que você não fez de propósito.
Luna acenou com a mão, mas por dentro estava uma bagunça—
aquele beijo de agora há pouco, apesar de ter sido dominador, não tinha sido exatamente ruim; droga, parecia até meio doce.
— Luninha… você ficou com raiva de mim? — Dante perguntou com cuidado, como uma criança que sabe que fez besteira.
— Não.
Luna desviou o rosto.
— Eu só acho que… a gente ainda não tá nesse tipo de relação.
Dante segurou a mão dela.
Os olhos dourados estavam sérios de um jeito raro:
— Luninha, eu gosto de você. Não é por causa do noivado. É por sua causa. Não importa se você era uma coelhinha inútil ou essa fêmea maluca de agora. Eu gosto de você do mesmo jeito.
O coração de Luna deu um pulo.
Ela ia responder—
quando ouviu passos ao longe.
Rapidamente, puxou Dante para trás de uma árvore.
Logo viu Camila se aproximando com alguns membros-besta, resmungando alto:
— Aquela vagabundinha com certeza tá por aqui! O senhor Dante deve ter sido seduzido por ela!
Luna franziu a testa.
Por que Camila tinha vindo ali?
Assim que ouviu a voz de Camila, o olhar de Dante ficou gelado.
Ele ia sair de trás da árvore, mas Luna o segurou:
— Não faz besteira. Vamos ver primeiro o que ela quer.
Camila chegou até o lugar onde Dante estava deitado antes. Ao ver a água derramada no chão, cerrou os dentes:
— Aquela desgraçada esteve aqui mesmo! Eu sabia! Eu não acredito que não vou achar os dois!
Ela fez sinal para os membros-besta atrás dela se espalharem e começarem a procurar.
Luna olhou para as costas dela e sorriu friamente—
já que você veio sozinha se entregar, então não me culpa por eu não ser gentil.
Ela fez vinhas surgirem em silêncio, enrolando-se nos tornozelos de Camila, e puxou de repente.
Camila soltou um grito agudo e caiu no chão.
— Quem tá aí?!
Ela se levantou assustada, olhando de um lado para o outro.
Luna saiu de trás da árvore e sorriu:
— Camila, tão tarde assim, e você por aqui? Veio encontrar o senhor Dante escondida?
Ao ver Luna, os olhos de Camila se encheram de ódio.
— É você! Sua vadia! Foi você que seduziu o senhor Dante!
— Eu nem preciso seduzir.
Luna arqueou a sobrancelha.
— Ele já é meu por conta própria. O senhor Dante gosta de mim, não de você. Pode desistir logo, sua coisinha medíocre. O que eu realmente não entendo é por que você gosta tanto de querer roubar o que é dos outros.
Dante também saiu detrás da árvore e ficou ao lado de Luna. Nos olhos dourados só havia frieza.
— Camila, eu já te avisei. Para de importunar a Luninha. Da próxima vez, eu não vou ser educado.
Ao ver os dois tão próximos, Camila começou a tremer de raiva:
— Vocês… vocês vão se arrepender disso!
Ela se virou para fugir.
Mas Luna não era idiota de deixá-la escapar assim.
Fez as vinhas crescerem outra vez, prendendo o corpo dela, e sorriu devagar:
— Já que você veio até aqui, não precisa ir embora tão rápido.
Ela se aproximou.
— Tem uma coisinha que eu queria perguntar. Hoje de dia você foi falar com o Zhu Liang, não foi? Vocês estavam planejando como mexer comigo?
O rosto de Camila mudou na hora:
— Eu não fiz nada! Não inventa coisa!
— Se fez ou não, você sabe bem.
Luna chegou mais perto, os olhos frios.
— Se eu descobrir mais uma vez que você tá fazendo joguinho pelas costas, eu te jogo direto pras feras da Floresta Nebulosa comerem.
Camila lembrou na mesma hora dos membros-besta que tinham morrido naquela floresta e começou a tremer de medo.
Toda a arrogância desapareceu.
— E-eu entendi… eu nunca mais vou fazer isso… por favor, me solta…
Vendo que ela já estava apavorada de verdade, Luna não insistiu mais. Recolheu as vinhas:
— Some daqui. E não me faz te ver de novo.
Camila saiu praticamente engatinhando de medo.
Luna olhou para as costas dela, depois virou-se para Dante:
— Seu cio ainda não acabou. Vem comigo pro Vale Valente. No meu quarto tem água do rio do espaço. Isso pode te ajudar a aliviar.
Dante assentiu, os olhos cheios de ternura:
— Tá bom. Eu vou com você.
Luna foi levando Dante de volta.
Durante todo o caminho, ele segurou a mão dela com força, como se tivesse medo de que ela fugisse.
Luna olhou o perfil dele de lado e sentiu o peito meio confuso—
ela tinha decidido que ele seria só uma ferramenta.
Mas agora…
parecia não ser só isso.
Ao chegarem ao Vale Valente, Luna levou Dante até seu quarto e serviu um copo com água do riacho do espaço:
— Bebe isso e deita. Descansa direito.
Dante bebeu.
Depois se deitou na cama, mas não fechou os olhos.
Ficou olhando para ela o tempo todo.
— Luninha… não vai embora. Fica comigo, tá? Se você ficar aqui, eu não vou me sentir tão mal.
Luna hesitou por um instante, mas no fim sentou-se ao lado da cama:
— Tá bom. Eu fico.
Dante sorriu.
Fechou os olhos.
E adormeceu logo em seguida.
Luna ficou observando o rosto dele dormindo, e o coração dela ficou estranho de novo.
Levantou a mão, tocou de leve os próprios lábios e se lembrou daquele beijo.
Sem perceber, um sorriso pequeno apareceu no canto da boca.
【Hospedeira! Você tá gostando dele!】
A voz de Borboleta surgiu imediatamente.
【Eu falei que o Dante era diferente pra você!】
— Não fala besteira!
Luna respondeu de imediato.
— Eu só achei ele meio coitado, só isso.
【Mentira.】
Borboleta rebateu sem dó.
【Se você não gostasse, já tinha largado ele na floresta faz tempo.】
Luna não respondeu.
Ela realmente tinha começado a gostar daquele dragão dourado grudado nela?
Impossível, né?
Ela ficou sentada ao lado da cama, guardando Dante a noite toda.
Só perto do amanhecer acabou pegando no sono, encostada ali mesmo.
Na manhã seguinte, foi acordada pela voz de Helena.
— Luninha, por que você dormiu aí na beirada da cama? E por que o Dante tá no seu quarto?
Helena entrou e, ao ver Dante dormindo ali, arregalou os olhos.
Luna esfregou os olhos e se levantou devagar:
— Mãe, o cio dele tava muito ruim. Eu trouxe ele pra cá.
Naquele momento, Dante também acordou.
Quando viu Helena, sentou-se rápido, claramente constrangido:
— Tia… desculpa pelo incômodo.
— Não, não, tá tudo bem.
Helena sorriu.
— Vocês jovens que resolvam essas coisas entre vocês. Ah, sim, o Rafael tá esperando na porta. Disse que vai te levar até o tesouro da tribo.
Luna assentiu:
— Tá bom, mãe. Já vou.
Ela se arrumou rapidamente e saiu do quarto com Dante.
Os cinco noivos estavam esperando no pátio.
Quando viram os dois saindo juntos, as sobrancelhas de Leonardo se franziram um pouco, e os olhos de lobo de Matheus também ficaram presos neles, mas nenhum dos dois falou nada.
Rafael veio até ela:
— Luninha, pronta? Vamos até o tesouro da tribo.
— Tô pronta.
Luna assentiu e foi andando com ele.
Dante quis ir junto.
Mas Sebastian o puxou pelo braço:
— A maluquinha vai procurar tesouro. O que você vai fazer lá? Melhor vir com a gente caçar alguma coisa gostosa pra ela comer.
Dante hesitou por um instante, mas acabou assentindo:
— Tá bom.
Luna seguiu com Rafael até a entrada do tesouro da tribo.
Dois dragões-besta SS-rank estavam de guarda do lado de fora.
Ao ver Rafael, se endireitaram imediatamente:
— Jovem mestre.
Rafael tirou uma placa preta de comando e a mostrou:
— Eu trouxe minha sétima irmã para escolher uma técnica de cultivo.