Debaixo do copo… não havia dois dados.
Havia três.
Dois seis, vermelhos e vivos,
iguais ao resultado perfeito que Leonardo tinha acabado de tirar.
Mas havia mais um.
Um dado… com apenas um ponto.
Eles tinham acabado de me vencer com um.
E agora… eu devolvia exatamente com esse um.
Três dados.
Total: treze.
— Tr… três?!
Rafael foi o primeiro a perder a voz. Os olhos quase saltando do rosto.
— C-como assim… três dados?! Como isso foi parar aí dentro?!
Soltei um leve sorriso de deboche.
Com a técnica certa… e força suficiente… um dado pode ser partido em dois.
E foi exatamente isso que eu fiz.
Agora… o resultado estava diante deles.
Treze pontos.
Meus olhos estavam completamente lúcidos.
O rubor no rosto ainda existia, mas não havia mais nenhum traço de embriaguez em mim.
— Treze pontos.
Minha voz saiu calma, firme.
— Apostaram… agora arquem com isso.
— Vocês perderam.
Desde o momento em que me sentei naquela mesa… eu já não pensava mais em voltar atrás.
Eu dei muitas chances a Leonardo.
Mas ele escolheu… uma e outra vez… aquela “melhor amiga”.
Me deixou para trás.
E hoje, casou com ela na minha frente, permitiu que ela me humilhasse, pisasse em tudo que eu valorizava.
Então…
esse final… é exatamente o que ele merece.
No fim das contas, isso aqui era só um jogo de dados.
Quando eu dominava as mesas de Macau, essas pessoas nem sabiam contar pontos direito.
Eu já vivi o suficiente, já brinquei o suficiente com o mundo…
E só depois decidi voltar, ser a “boa garota”.
Queria passar a vida ao lado de Leonardo.
Mas chegar até aqui… foi consequência das escolhas deles.
De repente, Leonardo empurrou Camila para longe.
Deu um passo à frente e ficou encarando fixamente os três dados.
Depois levantou a cabeça, me olhando com intensidade.
— Bella… você…
Camila finalmente pareceu acordar de um pesadelo.
Os olhos vermelhos de desespero, ela avançou em minha direção, tentando me atacar:
— Isabella! Sua vadia! Você armou tudo isso! Devolve o que é nosso!
Eu apenas me desviei com facilidade.
Ela tropeçou, quase caiu, completamente descomposta.
— Senhorita Duarte… mantenha a compostura.
Ajustei calmamente minha roupa, ainda levemente desalinhada.
Minha voz era fria, distante.
— Numa mesa de jogo, cada um responde pelas próprias habilidades.
— Quando eu perdi pra você… não fiz esse escândalo.
Não olhei mais para aquela cena patética.
Virei-me para o advogado e os assistentes, ainda atônitos.
— De acordo com o contrato, o resultado já está definido.
— Providenciem imediatamente a transferência dos bens.
Fiz uma breve pausa.
— O que eu perdi antes… considerem como lixo jogado fora.
— Mas tudo o que o senhor Farias e a senhorita Duarte apostaram…
Ergui levemente o olhar.
— Quero os documentos iniciais de transferência prontos antes do amanhecer.
O advogado finalmente reagiu.
— Sim, senhorita. Vamos tratar disso imediatamente.
— Isabella…
A voz de Leonardo estava rouca.
Seus olhos, vermelhos.
— Você… já tinha planejado tudo isso? Você tava me enganando esse tempo todo?
Soltei um leve riso.
— Enganar?
Olhei para ele, calma.
— Leonardo… comparado a você e sua “melhor amiga” registrando casamento na minha frente…
— comparado a você permitindo que ela me provocasse, que pisasse nas coisas que eu mais prezava…
— comparado ao jogo que vocês montaram hoje, esperando me ver perder tudo…
Inclinei levemente a cabeça.
— isso aqui é só… autoproteção.
— Eu nunca planejei contra ninguém.
— Foram vocês que me deixaram sentar nessa mesa.
— Foram vocês… que empurraram todas as fichas para mim.
Minha voz desceu, fria e definitiva:
— Apostou… aguenta.
Sem esperar resposta, virei-me e fui embora.
Atrás de mim, ecoavam os gritos histéricos de Camila, misturados ao burburinho chocado de todos ao redor.
Respirei fundo.
Endireitei a postura.
Leonardo Farias.
Camila Duarte.
O jogo acabou.
E a consequência… estava apenas começando.