【Hospedeira! Pra onde você vai? Ir pra Floresta Nebulosa no meio da noite é perigoso demais! De dia já estava cheia de feras, à noite é ainda pior!】
— Vou ver aquele dragão negro.
Luna abaixou a voz e calçou as botas de pele deixadas junto à porta.
— O Zhu Liang mandou gente atrás dele. Eu preciso ver se aquele velho não foi enganado. Se ele acabar sendo puxado pro lado do Zhu Liang, amanhã com certeza vai ter confusão na competição.
【Mas você não precisa ir pessoalmente!】
Borboleta ficou aflita.
【Você ainda é só B-rank! Se topar com uma fera S-rank, não vai conseguir ganhar!】
— Relaxa. Eu tenho lata.
Luna bateu de leve no embrulho preso à cintura. Lá dentro estavam duas latas de porco cozido.
— E, no pior dos casos, eu me enfio no espaço e pronto. Além disso… tem outra coisa que eu quero confirmar.
O que ela não disse em voz alta era:
também queria ver o Dante.
O cio daquele idiota ainda não tinha acabado fazia nem dois dias.
Se ele tivesse ido procurar outra fêmea por não aguentar—
ótimo.
Ela pegaria em flagrante, pisaria em cima e descartaria aquele “ferramenta traidor” com toda a razão do mundo.
【Outra coisa? Você não vai me dizer que quer ir flagrar traição, né?】
Borboleta entendeu na mesma hora. A voz veio cheia de deboche.
【Desde quando você se importa tanto com o Dante? Antes você não chamava ele de ferramenta o tempo todo?】
— Quem disse que eu me importo?
Luna respondeu de imediato, toda dura.
— Eu só não quero que uma ferramenta minha seja roubada por outra mulher. Que vergonha ia ser.
Mas, no fundo, sentia um incômodo estranho.
Nem ela entendia direito por que se importava tanto.
Talvez porque, no apocalipse, ninguém nunca tivesse grudado nela daquele jeito.
De repente, aparecer gente se preocupando tanto…
a deixava meio perdida.
Luna saiu do Vale Valente em silêncio e seguiu em direção à Floresta Nebulosa, guiada pela luz da lua.
À noite, a floresta era ainda mais silenciosa do que durante o dia.
Só os rugidos ocasionais das feras, ao longe, faziam o couro cabeludo arrepiar.
Ela puxou o poder de madeira e deixou vinhas finas se enroscarem discretamente ao redor do corpo, formando uma camada de proteção.
Depois de caminhar por mais de meia hora, enfim chegou à entrada da floresta.
A névoa estava mais espessa do que de dia.
A visibilidade não passava de dois metros.
Seguindo a memória do caminho que tinha feito antes, Luna foi andando em direção à caverna do dragão negro, segurando firmemente as latas, pronta para qualquer imprevisto.
【Hospedeira! Tem movimento na frente!】
A voz de Borboleta ficou tensa de repente.
【Tem passos humanos… e também… o rugido de um dragão?】
Luna se escondeu imediatamente atrás de uma árvore e espiou.
Dois membros-besta de armadura negra estavam parados na entrada da caverna, gritando para dentro:
— Dragão negro aí dentro, escuta bem! Nós somos subordinados do rei das feras do leste, Zhu Liang! Nosso senhor quer cooperar com você!
Um deles ergueu a voz.
— Se você nos ajudar a derrotar Luna Valente, o orvalho de coral do Mar do Leste será seu à vontade!
De dentro da caverna não veio resposta no começo.
Só depois de um tempo o rugido do dragão ecoou lá de dentro:
— SAIAM DAQUI! Eu não vou cooperar com vocês! A comida celestial que a Luna me deu é cem vezes melhor do que orvalho de coral!
O coração de Luna se iluminou de alegria.
Aquele velho ainda tinha honra.
Não tinha sido seduzido pelo orvalho de coral.
Os dois mensageiros ainda tentaram insistir.
Mas o dragão negro saiu de repente da caverna, arremessando um dos homens para longe com uma única patada, e rugiu:
— Se não desaparecerem agora, eu transformo vocês em sobremesa!
O outro quase perdeu a alma de susto e saiu correndo sem olhar para trás.
O dragão cuspiu de lado, olhando com desprezo para a fuga dele:
— Inútil. E ainda queria se comparar à Luna?
Aproveitando a deixa, Luna saiu de trás da árvore e ergueu as latas.
— Irmão dragão! Nos encontramos de novo! Trouxe coisa gostosa pra você!
Assim que viu Luna, os olhos do dragão se acenderam, e toda a raiva anterior sumiu num segundo.
— Luna! Você veio! Cadê a comida celestial?
Luna jogou uma das latas para ele e sorriu:
— Vim trazer um lanchinho da noite. E, olha, aqueles dois eram enviados do Zhu Liang. Nem dá bola pra eles.
O dragão abriu a lata do jeito desajeitado de sempre e começou a devorar o porco cozido, falando de boca cheia:
— Eu sei. O Zhu Liang não presta. Fica tranquila, Luna, eu não vou ajudar ele. Se alguém mexer com você no futuro, eu te ajudo!
— Ótimo.
Luna soltou o ar devagar. Parece que ele já tinha até esquecido que ela roubou o incenso da caverna.
— Amanhã eu vou participar da competição S-rank. Talvez eu passe por aqui de novo. Se eu encontrar perigo, você precisa me ajudar.
— Sem problema!
O dragão bateu no peito, todo confiante.
— Quem ousar te intimidar, eu torro com uma baforada!
Luna conversou mais um pouco com ele, confirmou que não havia risco de ele ser puxado para o lado do Zhu Liang, e só então sentiu metade do peso no peito desaparecer.
Ela já ia embora—
quando ouviu ao longe um som familiar.
Era o rugido de dor de Dante.
E havia sofrimento demais naquela voz.
— Merda.
O coração de Luna apertou de imediato, e ela correu na direção do som.
【Hospedeira! Não vai! Esse é o som do cio do Dante! Ele está perigoso agora!】 Borboleta tentou impedir.
Luna não ouviu.
Correu mais um pouco—
e então o viu.
Dante estava caído no chão.
Os cabelos negros estavam todos desfeitos.
Os olhos dourados, vermelhos de febre.
A roupa branca estava encharcada de suor e grudada no corpo inteiro.
Ao lado dele estava uma fêmea-cervo—
uma das seguidoras da Camila, a mesma que tinha causado problema durante o dia.
Ela estava tentando se aproximar dele.
— SAI DAÍ!
Luna gritou e fez as vinhas explodirem do chão, enrolando-se na cerva.
Num puxão, arremessou a mulher para longe.
Ela caiu gritando de dor, levantou às pressas e fugiu.
Quando Dante ouviu a voz de Luna, ergueu a cabeça de repente.
Os olhos dourados ficaram cheios de desejo.
Ele se levantou aos tropeços e foi diretamente até ela.
— Luninha… me ajuda… tá doendo… eu tô queimando…
O corpo dele parecia uma fornalha.
No instante em que encostou nela, a abraçou com força e afundou o rosto em seu pescoço. A respiração vinha rápida demais.
— Luninha… eu tô com muito calor… só você consegue me ajudar…
Luna quase não conseguia respirar de tão forte que ele a apertava.
Empurrou-o com a mão:
— Dante! Volta pra si! Eu não sou sua fêmea!
— É, sim!
Dante ergueu a cabeça.
Nos olhos havia um tipo de obsessão febril.
— Você é minha fêmea. Só pode ser minha!
E, antes que Luna conseguisse reagir—
ele abaixou a cabeça e beijou seus lábios.
Os olhos dela se arregalaram na hora.
Porra.
Meu primeiro beijo.
Foi assim que foi embora?
Quando conseguiu voltar a si, Luna o empurrou com violência e ergueu a mão para bater nele:
— Você enlouqueceu?!
Dante não desviou.
Aceitou o tapa, os olhos cheios de mágoa e desespero.
— Luninha… eu não fiz de propósito… eu não consigo controlar… meu cio tá me queimando… só você consegue aliviar…
Enquanto falava, ainda tentou se aproximar para beijá-la de novo.
Luna recuou imediatamente um passo e ergueu vinhas entre os dois.
— Não chega perto! Eu não vou te ajudar! Se quer acasalar, vai procurar outra!
— Eu não quero outra!
Dante rugiu, rompendo as vinhas.
No instante seguinte, já a agarrava outra vez.
— Eu só quero você!
A voz dele saiu quase quebrada.
— Luninha… por favor… se não… eu vou queimar até morrer…
O corpo dele estava cada vez mais quente.
A respiração já começava a falhar.
Luna olhou aquele estado miserável dele e, contra a própria vontade, algo dentro dela amoleceu.
Ela tinha a boca dura.
Mas não conseguia assistir alguém morrer daquele jeito sem fazer nada.
Além disso…
ele a tinha beijado à força, sim—
mas estava fora de si por causa do cio.
Não tinha feito aquilo em plena consciência.
【Hospedeira! Dá um pouco da água do rio do espaço pra ele! Ainda não virou fonte espiritual de verdade, mas já tem um pouco de efeito! Isso pode aliviar o calor do cio!】 sugeriu Borboleta.