A luz da sala de cirurgia permaneceu acesa por três horas.
Leonardo ficou de pé no corredor por três horas, imóvel.
Enfermeiras entravam e saíam, e ele agarrava o braço de cada uma, perguntando: "Como está?"
Ninguém respondia.
Por fim, quem saiu foi o médico-chefe da sala de cirurgia.
Ele tirou a máscara, olhou para as estrelas de general nos ombros de Leonardo e ficou em silêncio por um longo tempo.
"Major-general, a pessoa chegou tarde demais."
"A dose de pesticida foi muito grande, já…"
Antes que ele terminasse, Leonardo já havia entrado correndo na sala de cirurgia.
Sofia estava deitada na mesa de operações, o corpo coberto por um lençol branco.
Leonardo puxou o lençol branco de uma vez, olhando para seus olhos fechados, para a espuma branca em seus lábios que ainda não haviam sido completamente limpos.
Estendeu a mão para tocar seu rosto.
Desta vez, nem mesmo aquele último resquício de calor restava.
Frio, rígido.
Ele ficou de pé ao lado da mesa de operações, como se toda a força tivesse sido drenada de seu corpo.
Quis chamar o nome dela, os lábios moveram-se, mas não conseguiu emitir nenhum som.
Leonardo curvou-se, a testa apoiada no ombro gelado de Sofia.
Seus ombros tremiam violentamente, mas nenhum som de choro saía.
Na outra sala de cirurgia, Lucas acordou.
A primeira coisa que fez ao acordar foi estender a mão para tocar sua parte íntima.
Vazia.
Não havia mais nada ali, apenas gaze grossa e uma dor intensa.
Ele abriu a boca, soltando um uivo como o de uma fera.
"Sofia! Aquela puta da Sofia!"
A enfermeira o segurou, aplicando-lhe um sedativo.
Seus uivos gradualmente enfraqueceram, mas seus olhos permaneceram fixos no teto.
Quando Leonardo entrou, ele acabara de receber a segunda injeção.
Ao ver Leonardo, os olhos de Lucas ficaram vermelhos.
"Leo, aquela mulher louca, ela me cortou… ela me cortou…"
Lucas estendeu a mão para agarrar a manga dele: "Leo, você tem que se vingar por mim, você tem que se vingar por mim."
Leonardo curvou-se lentamente, aproximando o rosto do dele.
"Ela morreu."
Lucas congelou.
"Bebeu pesticida, morreu."
A mão de Lucas soltou-se lentamente, seu olhar tornando-se aterrorizado.
"Ela… ela morreu? Então eu… e quanto a mim?"
Leonardo endireitou-se, olhando para ele, o olhar frio sem um traço de calor.
"E quanto a você?"
Ele repetiu as três palavras, os cantos da boca puxando um sorriso mais feio que o choro.
"Eu também gostaria de saber, o que farei."
O corpo de Sofia foi levado para a morgue.
Leonardo não permitiu que ninguém entrasse. Sentou-se sozinho na morgue a noite inteira.
Sentou-se ao lado dela, segurando sua mão.
Aquela mão já estava rígida, ele não conseguia mais segurá-la, então a colocou em sua própria palma, aquecendo-a suavemente.
Ao amanhecer, ele levantou-se, caminhou até a cabeceira dela, inclinou-se e imprimiu um beijo em sua testa.
Foi a primeira vez que a beijou.
Em sete anos de casamento, ele nunca a beijara.
Nem mesmo na noite de núpcias.
Naquela noite, depois de entregar-lhe o copo de vinho com a droga, ele virou-se e saiu do quarto.
Ele não queria vê-la, não queria tocá-la.
Achava-a suja.
Mas agora, ao beijar sua testa, sentia que não havia ninguém mais puro do que ela neste mundo.
"Sofia."
Chamou o nome dela, a voz baixa como se temesse acordá-la.
Curvou-se, seu corpo inteiro inclinado sobre ela, os ombros tremendo violentamente.
Sete anos.
Ele a odiou por sete anos, a torturou por sete anos.
E nesses sete anos, cada vez que ela o olhava, o ódio em seus olhos parecia perguntar:
Por que você me entregou a ele?
Por que você não acreditou em mim?
Por que você não me amou?