《A Herdeira Traída e o Jogo da Vingança》Capítulo 3

Meus olhos arderam de repente. Quase deixei as lágrimas caírem ali mesmo.

Eu tinha suportado tudo —

todas as vezes em que ele escolheu ficar ao lado da Camila,

todas as humilhações veladas.

Mas nunca imaginei que ele chegaria a me humilhar assim.

Uma sombra de impaciência passou pelo rosto de Leonardo.

A mão que ele estendia continuou ali, firme, sem intenção de recuar.

Até Rafael percebeu que algo estava errado.

— É só uma pulseira… Camila, depois eu te compro duas melhores.

Mas Camila esfriou o olhar.

— Antes de começar, não combinamos? Quem não aguenta, não joga.

Leonardo soltou uma risada fria.

— Isabella, eu mandei você ir pra casa. Foi você que quis jogar.

Ele repetiu, a voz mais dura:

— Eu disse… entrega.

Minha mão começou a tremer levemente.

Segurei as lágrimas e tirei a pulseira.

Leonardo nem olhou.

Pegou e jogou direto para Camila.

Ela apenas examinou por dois segundos sob a luz… e torceu os lábios.

— Nem é tudo isso.

Jogou de qualquer jeito sobre a mesa.

Alguém esbarrou,

um copo virou,

e o vinho tinto se espalhou completamente sobre a pulseira.

Eu apertei o punho sem perceber.

Era como se um peso enorme tivesse sido colocado no meu peito.

Até que a voz doce de Camila quebrou o silêncio novamente:

— Vamos, gente. Por que pararam?

Na terceira rodada, tirei sete.

Nem alto, nem baixo.

Camila tirou nove.

E Leonardo…

dois dados com um ponto.

O pior resultado.

Camila não segurou a risada.

— Amor, hoje você tá sem sorte, hein.

Leonardo não respondeu.

Pegou o copo, pronto pra beber a penalidade.

Mas Camila foi mais rápida.

Segurou a mão dele e bebeu no lugar dele,

piscando em seguida:

— Pronto. Afinal, hoje somos um só, né?

Os gritos e provocações ao redor continuavam.

E eu…

já começava a ficar anestesiada.

Rodada após rodada,

eu parecia sempre à beira do risco.

Um copo depois do outro descia pela minha garganta.

As joias que eu usava praticamente desapareceram, uma por uma.

Até a bolsa nova da Chanel que eu tinha levado naquela noite…

acabou nas mãos de Camila.

Meu rosto começou a ficar quente,

meus olhos ligeiramente turvos.

A mão que segurava os dados tremia, quase imperceptível.

Para quem estava de fora,

era o sinal clássico de alguém ficando embriagado… e perdendo o controle.

Mais uma rodada.

Dessa vez, Rafael — que estava conduzindo o jogo — mudou as regras:

— Só comparar número já perdeu a graça. Agora vamos apostar pontuação! Quem acha que consegue tirar oito ou mais, dobra a aposta! E nada de aposta pequena — vamos aumentar isso!

Camila respondeu imediatamente:

— Eu entro! Aposto minha boutique lá no oeste da cidade!

Ela tinha vários negócios —

e aquela loja era um dos mais valiosos.

A mesa explodiu em murmúrios.

A aposta estava subindo de nível.

Leonardo olhou pra mim e disse, com calma:

— Eu também entro. Aposto o meu iate.

Aquele iate valia milhões.

Mas mais importante…

o nome dele tinha sido escolhido por nós dois.

Agora, toda a pressão caiu sobre mim.

Todos os olhares se voltaram.

— Bella — Leonardo finalmente falou — já chega. Você pode ir pra casa.

Camila riu com desprezo.

— Léo, se não aguenta, então não joga. Quem sabe a Bella tá com sorte hoje?

Foi como se algo dentro de mim fosse provocado.

Olhei diretamente para ela.

— Eu entro.

Respirei fundo.

— Eu aposto… o meu apartamento em Águas Rasas.

No mesmo instante,

até Leonardo ficou em choque.

Aquele apartamento era um dos bens mais importantes que meus pais haviam deixado para mim.

Localização perfeita.

Valor muito superior ao da loja da Camila.

Os dados foram lançados novamente.

Camila abriu primeiro: nove.

Ela ergueu as sobrancelhas, confiante.

Leonardo: sete.

Respirei fundo.

Minha mão tremia levemente.

Levantei o copo.

Três…

cinco…

Oito.

Eu perdi.

Por apenas um ponto.

Meu corpo cedeu contra o sofá.

A voz de Camila vibrava de excitação ao meu redor.

Ela se inclinou perto de mim,

tão próxima que só eu podia ouvir:

— E então… como é perder? Tudo o que você tem… vai ser meu.

Levantei a cabeça.

Meu rosto estava vermelho por causa do álcool,

mas meus olhos… estavam claros.

— De novo.

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