Por um instante, o clima na mesa congelou.
A mão de Leonardo, que envolvia a cintura de Camila, pareceu apertar um pouco mais.
Ele franziu o cenho e me lançou um olhar carregado de incômodo… e aviso.
Camila ficou surpresa por um segundo, mas logo riu de forma doce e empurrou Leonardo de leve.
— Ora, se a Bella também quer jogar, então a gente tem que recebê-la direitinho.
Rafael se apressou em amenizar:
— Isso, isso! Vamos jogar, vai ser divertido! Bella, é simples: quem tiver o menor número bebe uma dose… e ainda tem que escolher um item da mesa pra dar de presente de casamento pra quem tiver o maior número.
Ele apontou para os relógios e joias espalhados sobre a mesa.
— Claro, se não quiser dar nada, pode só beber… mas aí perde a graça, né?
Eu assenti, indicando que entendi.
Os copos de dados foram distribuídos para cada um.
Camila agitava os dados com habilidade, claramente experiente.
Leonardo sacudiu duas vezes de qualquer jeito e pousou o copo na mesa,
mas seus olhos continuavam fixos em mim.
Desviei o rosto, evitando aquele olhar intenso.
Peguei o copo de dados.
Meu movimento era realmente inexperiente… até meio desajeitado.
Entre uma pausa e outra da música, consegui ouvir alguns comentários:
— A Isabella sempre foi a “certinha”… o que ela veio fazer aqui? Só estraga o clima.
— Veio marcar território, só que o Leonardo nem liga pra ela.
Meu rosto ficou um pouco pálido.
Camila soltou uma risadinha.
— Hm… Bella, quer que eu te ensine a forma certa de jogar?
Ignorei.
Imitei o que vi, sacudi algumas vezes…
e então coloquei o copo suavemente sobre a mesa.
— Pode abrir.
Os copos foram revelados.
Camila: cinco e seis — onze.
Leonardo: dois cincos — dez.
Os outros tinham números variados.
Por último, eu.
Levantei o copo.
Um dado com um ponto, outro com dois.
Total: três.
A mesa explodiu em risadas.
— Três! Hahahaha, o menor!
— Bella, que sorte a sua…
Rafael segurou o riso e empurrou um copo de bebida na minha direção.
— Apostou, perdeu. Bebe… e também…
Ele olhou de relance para meus brincos sobre a mesa.
Leonardo finalmente falou, a voz fria e dura:
— Se não sabe jogar, não se exibe. Bebe logo.
Camila se aninhou nos braços dele, sorrindo radiante:
— Ai, já começou tão baixo… parece que hoje nossa querida Bella vai gastar bastante com esse presente de casamento. Esses brincos são lindos, viu? Acho que vou ficar com eles~
Olhei para o copo… depois para meus brincos.
Foram um diamante rosa que Leonardo comprou para mim num leilão, no ano passado, por uma fortuna.
Na época, ele disse que me daria o melhor do mundo.
Soltei uma risada baixa, cheia de ironia.
Empurrei os brincos suavemente para o centro da mesa…
na direção de Camila.
— Apostei, perdi.
Levantei o olhar, com a voz calma, sem emoção:
— Presente entregue.
O rosto de Leonardo escureceu imediatamente.
Camila pegou os brincos com delicadeza, admirando-os sob a luz.
— Obrigada, Bella… são lindos~
Rafael se apressou:
— Vamos, vamos! Segunda rodada!
O jogo continuou.
Camila tirou nove — nada excepcional.
Mas Leonardo, logo depois dela, tirou doze.
Pontuação máxima. Vitória absoluta.
— Uau! Amor, você é incrível! — Camila comemorou.
Todos começaram a gritar e provocar.
Rafael explicou, sorrindo:
— Pela regra da mesa, pontuação máxima leva tudo. Você pode escolher qualquer item daqui.
Leonardo nem olhou para mim.
Apenas abraçou Camila com intimidade.
— Então deixa a minha esposa de hoje escolher. O que você quer?
O olhar de Camila percorreu a mesa…
até parar no meu pulso.
— Gostei daquela pulseira da Bella… é simples, mas tem estilo. Quero essa.
Minha mão, segurando o copo, travou por um instante quase imperceptível.
Era uma herança da minha avó.
Eu nunca tirava.
E Leonardo sabia disso.
Por um momento, a mesa ficou em silêncio.
Mas Camila insistiu:
— Ué? Não disseram que qualquer coisa pode entrar como aposta? Ou a Bella não aguenta perder? Ou será que…
Abri a boca para falar.
Mas Leonardo me interrompeu, frio:
— Regra de mesa. Apostou, perdeu. Isabella… entrega.
Eu levantei a cabeça de repente.