No instante em que a onda colossal estilhaçou o vidro—
o mundo virou de cabeça para baixo.
A água salgada invadiu suas narinas.
A sensação de sufocamento a perseguiu como uma sombra.
De repente—
um aperto forte envolveu sua cintura.
Leonardo agarrou Amélia com força, usando a flutuação da água para puxá-la à superfície à força.
— Não tenha medo! Segura em mim!
Sua voz estava rouca.
Ele a colocou nas costas—
e saiu correndo em direção à escada.
A água subia rapidamente.
Leonardo correu com os dentes cerrados—
até finalmente alcançar o terceiro andar.
No fim do corredor—
havia uma porta de segurança.
Era o único caminho para o terraço.
— Abre a porta!
Leonardo bateu com força.
Do outro lado, uma voz apavorada respondeu:
— Para de bater! Está trancada! Está cheio de gente aqui dentro, não tem colete salva-vidas para todos! Vão para outro lugar!
O rosto de Leonardo ficou sombrio:
— Abre a porta!
— Não vamos abrir! Se abrir, a água entra! Quer matar todo mundo?!
A natureza humana—
diante da catástrofe—
era repugnante em sua forma mais crua.
Atrás deles, passos desordenados.
Os colegas de Amélia e alguns acionistas do grupo também subiram correndo.
A água já chegava às panturrilhas.
Leonardo passou a mão no rosto e virou-se para o assistente:
— Já chamou o helicóptero?!
O assistente levantou o telefone via satélite:
— Já! Vai chegar no terraço em dez minutos!
Terraço.
Eles precisavam passar por aquela porta.
Leonardo olhou para a porta de ferro fechada—
e seu olhar se endureceu.
Ele colocou Amélia atrás de si.
Levantou o punho—
e golpeou o vidro ao lado da fechadura.
— Bang!
O vidro não se moveu.
— Bang!
O sangue começou a escorrer pelos nós dos dedos.
Uma vez.
E outra.
Amélia olhava para aquela mão ensanguentada—
e seus olhos ardiam.
— Crash—
O vidro finalmente se estilhaçou.
Leonardo enfiou a mão por dentro, girou a tranca—
e chutou a porta com força.
Alguns homens que estavam bloqueando a entrada avançaram:
— Já falamos que não pode entrar! Não tem lugar!
Leonardo não disse nada.
Levantou o punho—
e acertou o rosto de um deles com força.
— Sai da frente!
O homem cambaleou para trás.
Leonardo puxou Amélia—
e a empurrou para dentro.
— Vai! Sobe!
Amélia conseguiu se equilibrar.
Virou-se e estendeu a mão:
— Leonardo! Me dá a mão!
Ele estava prestes a alcançar—
quando—
— BOOM—
Outra onda violenta invadiu o corredor, arrastando móveis e destroços.
Engoliu Leonardo em um instante.
— LEONARDO!
Amélia, sem pensar—
quis se jogar na água.
— Dra. Amélia! Vamos! A água está subindo!
O Dr. Yang a puxou com força—
arrastando-a escada acima.
— Me solta! Ele ainda está lá embaixo!
— Sobe primeiro! O helicóptero chegou!
Amélia foi levada à força até o terraço.
O vento rugia.
O som das hélices era ensurdecedor.
Ela se soltou—
e correu até a grade.
Olhou para baixo.
Só havia escuridão.
Nada.
Nesse momento—
os homens que estavam bloqueando a porta subiram.
Ao verem o helicóptero—
seus olhos brilharam de ganância.
Um deles—
empurrou Amélia de volta com violência.
— Ah!
Sem reação—
ela caiu novamente na água acumulada da escada.
— Clack.
A porta de ferro do terraço foi fechada—
e trancada.
Do lado de fora, o Dr. Yang batia desesperado:
— O que vocês estão fazendo?! A doutora ainda está lá dentro!
A voz cruel respondeu:
— Não tem lugar para todos no helicóptero! Sem eles dois, dá certinho para nós!
— Aquilo também é uma vida!
— Cala a boca! Se quer morrer, vai lá com ela!
As discussões foram engolidas pelo som das hélices.
Amélia estava mergulhada na água gelada.
Olhando para a porta trancada—
o desespero se enroscava como uma trepadeira.
O helicóptero estava prestes a partir.
A água continuava subindo.
Logo—
aquele espaço seria totalmente submerso.
Amélia forçou-se a se acalmar.
Alavanca…
ela lembrava—
tinha um pequeno pé de cabra no bolso.
Suas mãos tremiam enquanto procurava.
Nada.
Vazio.
Devia ter caído na água durante a confusão.
Ela respirou fundo.
Abaixou-se—
e começou a tatear na água suja.
Nada.
Ainda nada.
Quando já estava prestes a desistir—
de repente—
uma mão surgiu da escuridão da água.
Agarrou seu pulso com força.
Amélia levantou a cabeça, assustada—
e viu um homem emergir da água.
Ele passou a mão pelo rosto—
e colocou o pequeno pé de cabra na mão dela.
Era Leonardo.
— Boba… está procurando isso?
As lágrimas de Amélia transbordaram.
Misturaram-se com a água.
Leonardo não disse mais nada.
Puxou-a até a porta de ferro—
e chutou com força.
— Bang!
A fechadura já enferrujada não resistiu.
A porta se abriu.
O ar fresco invadiu.
Leonardo arrastou Amélia para fora.
Os dois subiram até o terraço—
e praticamente desabaram sob a chuva.
Ele virou a cabeça.
Olhou para o rosto molhado e desolado dela—
e sorriu levemente.
— Mel… não chora.
— Enquanto eu não morrer…
— vou te proteger para sempre.