Um grupo inteiro seguiu em direção à arena.
No caminho, cruzaram com muitos membros-besta que também iam competir.
Alguns montavam cavalos.
Outros, leopardos.
E todos olhavam para Luna—
a notícia de que ela tinha derrotado cem A-rank no dia anterior já tinha se espalhado por toda a Floresta do Sul.
Ao longe, no Vale do Vento dos Lobos, Shi Hang e Walker estavam escondidos atrás de uma árvore, olhando na direção de Luna, com sorrisos tortos no rosto:
— Ela chegou! Assim que entrar no vale, a gente ativa as armadilhas!
Luna cavalgava, mas por dentro pensava—
agora que tinha uma besta moderna e ainda seu poder de madeira, nem caçar seria difícil; mesmo que aparecessem armadilhas, ela podia lidar com tudo.
Ela ergueu os olhos na direção da arena, cheios daquela vontade insana de luta:
— Pontos de fofura, aí vou eu! Hot pot e chá com leite, aí vou eu!
……
As cadeiras de madeira na plataforma alta tinham acabado de ser arrumadas quando os quatro reis das feras vieram lado a lado.
Sang Qi vestia um robe marrom; seus olhos de tigre passaram pela multidão e, ao pousarem em Luna, havia agora um pouco mais de avaliação do que antes.
Os cabelos grisalhos de Zhu Liang cobriam metade de um dos olhos de lobo, e o canto da boca caído deixava claro que ele não estava tramando coisa boa.
Dong Qin semicerrava os olhos de raposa e, de tempos em tempos, lançava olhares para Xuan Hai, como se calculasse alguma coisa.
Xuan Hai vinha por último. Os chifres de dragão estavam levemente erguidos, e sua presença esmagava tanto o ambiente que os membros-besta ao redor nem ousavam falar alto.
O grande sacerdote subiu à plataforma apoiado no cetro, limpou a garganta, e sua voz atravessou o vento até os ouvidos de todos:
— A segunda fase da competição será a prova de montaria e arco. As regras são as seguintes—
Ele bateu o cetro no chão.
— Dentro de três horas, os competidores deverão entrar na Floresta das Feras do Vento Negro, caçar grandes feras ainda sem forma humana e cortar dez orelhas como prova.
— Dentro da floresta há armadilhas e venenos. Vida e morte serão responsabilidade de cada um. Todos devem assinar antes o termo de vida e morte.
— Durante a competição, qualquer não competidor está proibido de entrar na floresta. Quem violar a regra será punido segundo as leis tribais.
A praça explodiu imediatamente.
— Floresta das Feras do Vento Negro? Todo ano morre gente naquele lugar!
— A pequena fêmea da família Valente é só C-rank! Entrar lá é suicídio!
— Mas ela venceu cem A-rank ontem! Talvez vença essa fase também!
Camila estava no meio do povo, os olhos brilhando de expectativa—
ela mal podia esperar para ver Luna morrer dentro daquela floresta.
Luna, montada a cavalo, escutou tudo com clareza e xingou mentalmente:
— Puta que pariu. Ainda tem que assinar termo de vida e morte? Essa merda de competição quer empurrar todo mundo pro caixão mesmo.
Ela mal tinha tempo de revirar os olhos de desprezo—
quando viu Augusto se aproximando com um pedaço de couro nas mãos. Era o termo de vida e morte, coberto de símbolos tortos riscados com carvão.
— Luninha… se estiver com medo, a gente não participa.
Os olhos dourados de Augusto estavam cheios de preocupação.
Seus dedos apertavam o termo, mas ele não o entregava.
Helena também se aproximou e segurou a mão de Luna.
— Isso mesmo, minha filha. A mamãe não quer que você se machuque. Perder não tem problema nenhum.
Leonardo estava ao lado. O vento mexeu em seus cabelos dourados, e sua voz saiu mais macia do que de costume:
— Eu vou falar com o grande sacerdote. A gente troca o local da prova. A Floresta do Vento Negro é perigosa demais.
— Não precisa!
Luna pulou do cavalo, arrancou o termo das mãos de Augusto, pegou o carvão e, no lugar do nome, rabiscou um “Lua” completamente torto.
— É só uma carta de vida e morte. E daí?
Ela jogou o couro para um servo do sacerdote e montou de novo, lançando um olhar para todos aqueles membros-besta que esperavam vê-la passar vergonha.
— Daqui a três horas, eu volto em primeiro lugar. Podem esperar sentados.
【Hospedeira! Você enlouqueceu? Na Floresta do Vento Negro tem fera S-rank! Você ainda é só C-rank!】
Borboleta gritava em pânico dentro da cabeça dela, rolando pelo espaço mental.
— E daí? Eu tenho a besta e meu poder.
Luna bateu de leve na arma presa à cintura, mas por dentro a coragem não era tão limpa quanto parecia—
os tigres mutantes do apocalipse eram terríveis, sim, mas pelo menos não montavam armadilhas.
Os outros competidores assinaram o termo devagar, arrastando o processo por um bom tempo.
Entre eles, dez dos A-rank derrotados por Luna no dia anterior se aproximaram. O da frente, um lobo-besta, encarava Luna com os olhos vermelhos de raiva:
— Luna Valente. Ontem foi porque a gente subestimou você. Mas dentro da floresta, hoje a gente vai tirar sua vida.
Luna puxou um sorriso torto e estalou o chicote nas costas do cavalo.
— Tirar minha vida? Vamos ver.
Ela ergueu o queixo.
— Vocês, um bando de frouxos, cuidado pra não saírem de lá chorando e chamando a mamãe.
Quando todos enfim estavam prontos, o grande sacerdote bateu o cetro no chão mais uma vez:
— A prova começa agora! Daqui a três horas, todos devem retornar a este ponto. Quem não voltar será considerado derrotado!
— HYA!
Luna foi a primeira a disparar.
Os cascos levantaram poeira.
Atrás dela, os outros competidores partiram também—
alguns montados em cavalos, outros em leopardos, outros até assumindo a forma bestial completa para correr ainda mais rápido.
Misturado ao fim da multidão, Han Xiao, o jovem sereio, observou Luna entrar na floresta.
Em seguida, recuou alguns passos discretamente. Os dedos tocaram um pouco de água, e uma luz azul-clara brilhou em sua ponta—
seu poder de água podia sentir o perigo ao redor.
Se Luna caísse em alguma armadilha, ele saberia imediatamente.
Assim que entrou na floresta, os galhos começaram a arranhar o rosto.
Luna apertou as rédeas e diminuiu a velocidade, os olhos varrendo tudo ao redor com cuidado—
a experiência do apocalipse dizia: quanto mais silencioso o lugar, mais perigoso.
De repente, o capim sob os cascos se mexeu.
No instante seguinte, uma corda de tropeço disparou do chão e se enrolou na perna do cavalo!
— CARALHO!
Luna reagiu na mesma hora. Saltou para fora da sela e, ao mesmo tempo, puxou seu poder de madeira.
Vinhas brotaram do chão, se enrolaram na corda de tropeço e puxaram com força.
— CRACK!
A armadilha se rompeu.
O cavalo relinchou, assustado. Luna passou a mão em seu pescoço:
— Calma. Fica comigo.
【Ding! Você evitou uma armadilha! Ganhou 200 pontos de “reflexo e atenção”! Pontos de fofura +200! Pontos atuais: 195700!】
Mal o aviso do sistema terminou—
três javalis enormes, ainda sem forma humana, saíram correndo de um arbusto ao lado. A baba escorria das presas, e vinham direto nela.
Luna puxou a besta do espaço, mirou no javali da frente—
— FWIU!
A flecha entrou bem no olho.
O javali tombou urrando, se debatendo no chão.
Os outros dois congelaram por um segundo.
Luna não desperdiçou o tempo. As vinhas brotaram, prenderam as pernas deles e puxaram os dois ao mesmo tempo.
Os corpos se chocaram e caíram um sobre o outro.
Luna correu, puxou a adaga de dentro da bota e arrancou as três orelhas, enfiando-as no embrulho preso junto ao peito.
— Só três. Ainda faltam sete.
Ela mal tinha terminado de falar e já se virou para subir de novo no cavalo—
quando ouviu passos atrás de si.
Virou a cabeça.
Era o lobo-besta que havia jurado matá-la, acompanhado de outros dois competidores, todos com lanças de pedra nas mãos.
— Luna Valente. Esses javalis foram vistos primeiro por nós.
Os olhos dele estavam ardendo de ódio.
— Entrega essas orelhas.
Luna arqueou a sobrancelha e empurrou as orelhas ainda mais fundo contra o peito.
— Vistos primeiro por vocês? E têm prova disso?
Ela sorriu frio.
— Se têm capacidade, caçam os seus. Roubar o dos outros não é força, é vergonha.
O lobo travou por um instante, engasgado.
No segundo seguinte, avançou com a lança:
— Se não vai entregar, então a gente toma!
Luna saiu para o lado.
A lança afundou no tronco de uma árvore.
No mesmo movimento, ela ergueu as vinhas, que se enrolaram no punho do lobo.
Girou com força—
— CLANG!
A lança caiu no chão.
Os outros dois vieram ajudar, mas Luna já tinha puxado a besta e apontado para as pernas deles.
— Mais um passo e eu atravesso a coxa dos dois.
Os dois congelaram.
O lobo também não ousou se mexer.
A dor da surra de ontem ainda estava no corpo, e ele já tinha visto bem demais o quanto Luna era perigosa.