Amélia abriu os olhos lentamente, a dor surda na cabeça fez com que franzisse a testa.
Ao lado da cama, Leonardo se aproximou e segurou sua mão.
— Mel, você acordou? — sua voz estava rouca — Como você caiu da escada? Eu vi os médicos te levando para a emergência… quase morri de susto.
Amélia tentou puxar a mão de volta, mas não tinha forças.
Ela olhou para ele, com um leve sorriso de deboche nos lábios:
— Se eu disser que foi a Bianca que me empurrou… você acredita?
Leonardo ficou atônito.
O frio no olhar de Amélia se intensificou:
— O quê? Vai dizer de novo que foi um acidente? Ou que eu tenho paranoia?
No passado, não importava o que Bianca fizesse, mesmo quando as provas eram claras, ele sempre dizia “ela não fez de propósito” e ficava do lado dela.
Desta vez, porém, Leonardo não hesitou.
Ele apertou a mão dela:
— Eu acredito. Se foi você quem disse, eu acredito.
Amélia ficou surpresa por um instante, mas logo virou o rosto.
Confiança tardia…
vale menos que nada.
Ela já não precisava mais disso.
Nesse momento, a enfermeira entrou para fazer a checagem, e Amélia imediatamente pediu que recuperassem as imagens das câmeras da escada.
Quando o vídeo foi exibido, ficou claro como o dia: Bianca empurrando Amélia escada abaixo.
O rosto de Leonardo escureceu instantaneamente.
Amélia pegou o celular e ligou diretamente para a polícia.
Depois de desligar, ela olhou friamente para Leonardo:
— Você já pode ir embora. E se pretende tirá-la de lá, pense bem antes.
— O Gabe já acionou a melhor equipe de advogados. Desta vez, eu não vou deixá-la escapar.
Leonardo olhou para o olhar desconfiado dela, e um amargor subiu até a garganta:
— Mel… no seu coração, eu sempre vou protegê-la? Eu sou tão indigno da sua confiança assim?
Amélia soltou uma risada fria:
— O você de antes não era exatamente assim? Sem distinguir certo de errado, me mandou para a prisão e me fez pegar prisão perpétua.
— Leonardo Tavares, confiança é como um espelho. Depois que quebra… não tem como colar.
Leonardo abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada.
Nesse momento, a porta do quarto foi aberta.
— Mel!
Gabriel entrou rapidamente, seguido por uma pequena figura.
— Mamãe!
Luna correu até a cama, com lágrimas nos olhos:
— Mamãe, dói muito? A Luna sopra pra melhorar.
Aquele “mamãe”, claro e doce—
atingiu Leonardo como um raio.
Ele virou a cabeça lentamente e olhou fixamente para a menina.
Nos traços dela…
parecia haver um pouco de Amélia.
— Você… você tem um filho? — Leonardo olhou para Amélia, incrédulo — Amélia! Você disse que tinha medo de homens, que nem deixava eu te tocar!
— Você disse que tinha trauma… eu aguentei cinco anos! Cinco anos inteiros!
— Como você pôde… ter um filho com outro homem?!
Ainda por cima com Gabriel… aquele bastardo?!
O ciúme e a raiva quase o consumiram.
Ele encarava Luna como se quisesse esmagá-la.
Amélia abraçou a menina, ergueu os olhos friamente:
— É. Eu não tinha trauma nenhum.
— Eu só não tinha interesse em você.
— Com outra pessoa, eu estou muito bem.
Aquelas palavras—
foram como uma lâmina certeira.
Leonardo, com os olhos vermelhos, cambaleou.
No segundo seguinte, tentou avançar em direção a ela.
— Eu não acredito! Amélia, você está mentindo!
O olhar de Gabriel esfriou.
Ele fez um gesto com a mão.
Os seguranças atrás dele avançaram imediatamente, segurando Leonardo pelos braços.
Leonardo foi arrastado para fora, ainda lutando, sua voz ecoando pelo corredor.
O quarto finalmente ficou em silêncio.
Amélia se recostou no travesseiro, exausta.
Gabriel pegou uma toalha úmida e limpou suas mãos com delicadeza:
— Mel, não dê ouvidos a ele. Tudo já passou.
Amélia assentiu.
Mas seu olhar estava distante.
De repente, lembrou-se de algo:
— Minha mãe… Helena… como ela está?
Gabriel hesitou por um instante:
— Foi reanimada. Está no quarto ao lado.
Amélia levantou o cobertor e saiu da cama:
— Eu vou vê-la.
Ela abriu a porta do quarto ao lado.
No ambiente escuro, havia uma atmosfera pesada, quase sem vida.
Helena estava deitada na cama, com vários tubos ligados ao corpo, a respiração tão fraca que parecia prestes a desaparecer.
Ao ver Amélia entrar, lágrimas surgiram em seus olhos turvos:
— Mel… Mel…
Amélia ficou parada ao pé da cama, com uma expressão complicada.
Ela odiava aquela mulher.
Mas, ao vê-la naquele estado…
seu coração estava vazio.
A voz de Helena saiu abafada pela máscara de oxigênio, rouca e quebrada:
— Mel… eu sei… eu não mereço o seu perdão…
— Naquela época… eu sabia que seu pai era um monstro…
— Eu sabia o que ele queria fazer com você…